Homem que mandou irmão matar jovem que teve mãos decepadas é agiota e tem histórico de violência
Assim como mandou o irmão atacar sua então namorada em Quixeramobim, o homem usava o parente para cobrar devedores de empréstimos.
Indiciado por tentativa de feminicídio contra Ana Clara de Oliveira, jovem que teve as mãos decepadas em Quixeramobim, no sertão central do Ceará, Ronivaldo Rocha dos Santos é agiota e tem histórico de violência e ameaças, de acordo com investigação da Polícia Civil. Assim como deu a ordem para o irmão, Evangelista Rocha dos Santos, matar Clara, o homem usava o parente para cobrar clientes de forma agressiva.
A prática criminosa de agiotagem foi descoberta pelos investigadores por meio de fotos, vídeos e mensagens após a apreensão do celular de Ronivaldo, no dia em que ele foi preso. Foi também com a análise do aparelho que policiais civis identificaram uma tentativa de fuga da dupla de irmãos após o crime contra a jovem.
Evangelista da Rocha, que decepou as mãos de Ana Clara, teria chegado a pedir R$ 1 mil emprestados para "sumir".
Segundo o relatório policial que indiciou os dois agressores, o qual a reportagem teve acesso, as informações no celular mostraram que Ronivaldo realizava empréstimos com cobrança de juros abusivos e usava o irmão, "indivíduo de perfil mais agressivo", para pressionar e intimidar devedores.
"Foram localizados arquivos contendo fotografias, vídeos e registros relacionados a armas de fogo, promissórias, comprovantes financeiros, anotações de dívidas e
imagens compatíveis com controle informal de empréstimos, reforçando os indícios de atuação dos investigados em práticas ilícitas relacionadas à agiotagem e utilização de
violência para cobrança de valores", disse a Polícia Civil no documento enviado ao Poder Judiciário.
Veja também
Apesar de os indícios de agiotagem terem sido achados no curso da investigação sobre a tentativa de feminicídio, as provas serão encaminhadas para apuração em outros inquéritos policiais, "nos quais os investigados responderão especificamente pelas respectivas condutas praticadas".
Seguindo a Polícia, o aparelho celular de Evangelista também continha elementos que o incriminavam pelo crime de tráfico de drogas. Ele utilizava aplicativos de mensagens para negociar a logística de entrega e a cobrança dos entorpecentes como "branco" e "café", termos usados para camuflar menções a cocaína e maconha, respectivamente.
Ciclo de violência
Com a apreensão do celular de Ronivaldo, foi possível ainda observar um "contexto contínuo de violência doméstica", com uma "escala progressiva de agressões", além da "naturalização da violência contra a vítima".
O relacionamento de Ronivaldo com Ana Clara era marcado por "discussões recorrentes, acusações mútuas de traição e momentos alternados de conflito e reconciliação, evidenciando um vínculo instável".
No dia da tentativa de feminicídio, o então casal brigou do lado de fora da casa da mulher, e ele a chamou de "vagabunda" e a acusou de roubo.
Ana Clara se recupera bem no IJF, após passar pelas últimas cirurgias, na última sexta (8) e nessa segunda-feira (11). Os procedimentos fazem parte do plano dos médicos que atendem à jovem desde o dia do ataque e da cirurgia de reimplante dos membros.