Homem que mandou irmão matar jovem que teve mãos decepadas é agiota e tem histórico de violência

Assim como mandou o irmão atacar sua então namorada em Quixeramobim, o homem usava o parente para cobrar devedores de empréstimos.

Escrito por
Matheus Facundo matheus.facundo@svm.com.br
Montagem de duas fotos: na primeira, Ronivaldo Rocha, homem que mandou o irmão (que está na foto à direita), matar a jovem Ana Clara, que teve as mãos decepadas.
Legenda: Ronivaldo (à esquerda), mandava o irmão, Evangelista (à direita), realizar atos violentos para ameaçar pessoas.
Foto: Reprodução.

Indiciado por tentativa de feminicídio contra Ana Clara de Oliveira, jovem que teve as mãos decepadas em Quixeramobim, no sertão central do Ceará, Ronivaldo Rocha dos Santos é agiota e tem histórico de violência e ameaças, de acordo com investigação da Polícia Civil. Assim como deu a ordem para o irmão, Evangelista Rocha dos Santos, matar Clara, o homem usava o parente para cobrar clientes de forma agressiva.

A prática criminosa de agiotagem foi descoberta pelos investigadores por meio de fotos, vídeos e mensagens após a apreensão do celular de Ronivaldo, no dia em que ele foi preso. Foi também com a análise do aparelho que policiais civis identificaram uma tentativa de fuga da dupla de irmãos após o crime contra a jovem.  

Evangelista da Rocha, que decepou as mãos de Ana Clara, teria chegado a pedir R$ 1 mil emprestados para "sumir".

Segundo o relatório policial que indiciou os dois agressores, o qual a reportagem teve acesso, as informações no celular mostraram que Ronivaldo realizava empréstimos com cobrança de juros abusivos e usava o irmão, "indivíduo de perfil mais agressivo", para pressionar e intimidar devedores. 

"Foram localizados arquivos contendo fotografias, vídeos e registros relacionados a armas de fogo, promissórias, comprovantes financeiros, anotações de dívidas e
imagens compatíveis com controle informal de empréstimos, reforçando os indícios de atuação dos investigados em práticas ilícitas relacionadas à agiotagem e utilização de
violência para cobrança de valores", disse a Polícia Civil no documento enviado ao Poder Judiciário. 

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Apesar de os indícios de agiotagem terem sido achados no curso da investigação sobre a tentativa de feminicídio, as provas serão encaminhadas para apuração em outros inquéritos policiais, "nos quais os investigados responderão especificamente pelas respectivas condutas praticadas". 

Seguindo a Polícia, o aparelho celular de Evangelista também continha elementos que o incriminavam pelo crime de tráfico de drogas. Ele utilizava aplicativos de mensagens para negociar a logística de entrega e a cobrança dos entorpecentes como "branco" e "café", termos usados para camuflar menções a cocaína e maconha, respectivamente. 

Ciclo de violência  

Com a apreensão do celular de Ronivaldo, foi possível ainda observar um "contexto contínuo de violência doméstica", com uma "escala progressiva de agressões", além da "naturalização da violência contra a vítima".

O relacionamento de Ronivaldo com Ana Clara era marcado por "discussões recorrentes, acusações mútuas de traição e momentos alternados de conflito e reconciliação, evidenciando um vínculo instável". 

No dia da tentativa de feminicídio, o então casal brigou do lado de fora da casa da mulher, e ele a chamou de "vagabunda" e a acusou de roubo. 

Ana Clara se recupera bem no IJF, após passar pelas últimas cirurgias, na última sexta (8) e nessa segunda-feira (11). Os procedimentos fazem parte do plano dos médicos que atendem à jovem desde o dia do ataque e da cirurgia de reimplante dos membros. 

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