Homem que atacou jovem que teve mãos decepadas pediu R$ 1 mil emprestados para fugir

Conversas nos telefones apreendidos dos irmãos mostram que, após o crime, eles tinham planos de fugir da polícia.

Escrito por
Matheus Facundo matheus.facundo@svm.com.br
(Atualizado às 19:40)

A análise dos celulares dos irmãos que tentaram matar Ana Clara de Oliveira, 21, decepando as mãos dela como uma foice, em Quixeramobim, no Ceará, revelou que, após o crime, o ex-cunhado da vítima estava preocupado em conseguir fugir, pois foi ele quem atacou a jovem. Os elementos que contribuíram para o indiciamento da dupla por tentativa de feminicídio mostram que o homem pretendia escapar das consequências penais e até tentou pedir R$ 1 mil emprestados para "sumir"

"A culpa vai toda subir para mim." "Quem tem que sumir sou eu."

Essas frases foram ditas por Evangelista Rocha dos Santos, ex-cunhado de Ana Clara. Ele tentou matar a vítima após comando do seu irmão, Ronivaldo Rocha dos Santos, após uma discussão do então casal. 

Após Evangelista decepar as mãos da mulher, que sobreviveu e foi internada no IJF, o irmão disse que "a vida deles tinha acabado" e afirmou em áudio que era somente "para ter dado umas mãozadas nela para ela respeitar as caras".

"Tal trecho demonstra não apenas ciência integral acerca da execução criminosa, mas verdadeira naturalização das agressões físicas contra ANA CLARA, evidenciando contexto contínuo de violência doméstica e aceitação da utilização de violência extrema como forma de controle, dominação e punição da vítima", disse trecho do relatório de indiciamento da dupla ao qual a reportagem teve acesso. 

Os irmãos estão presos na Unidade Prisional de Caucaia. O crime ocorreu no dia 1º de maio, e eles foram indiciados pela Polícia Civil no último dia 10 de maio. 

Ana Clara se recupera bem no IJF, após passar pelas últimas cirurgias, na última sexta (8) e nessa segunda-feira (11). Os procedimentos fazem parte do plano dos médicos que atendem à jovem desde o dia do ataque e da cirurgia de reimplante dos membros. 

Lesões brutais descritas no laudo pericial 

De acordo com o laudo pericial da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce), a "grande quantidade de sangue indica produção de lesões que resultaram em uma hemorragia massiva" na vítima. O documento mostra que as agressões iniciaram na sala e terminaram em um quarto

Quando Ana Clara foi resgatada, uma das mãos estava decepada e a outra foi parcialmente cortada. Ela também teve ferimentos em diversas partes do corpo. 

Adicionalmente, a integração pericial é reforçada pelos instrumentos e vestes apreendidos, uma vez que o material biológico, composto por sangue e fios de cabelo, aderido ao gume da foice, bem como as manchas presentes no short jeans e no colchão do Local Relacionado, guardam estrita compatibilidade visual e contextual com a hemorragia massiva processada no local.
Perícia Forense
Laudo

As pegadas ensanguentadas do agressor, que começaram no quarto e percorreram o corredor e a sala, assim como pegadas abaixo da janela, sugeriram à Perícia a rota de fuga. Evangelista pulou do andar de cima e entrou em um carro com o irmão. 

A arma do crime, uma foice, foi encontrada no local e descrita como uma arma de "alta periculosidade lesiva e natureza cortocontundente". Segundo os peritos, a massa do instrumento, combinada com o gume de 34 centímetros, dava "energia cinética suficiente para produzir amputações, feridas profundas e letais". 

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