"Me dói tanto não ter meu loirinho comigo", diz mãe de Mizael um mês após morte do filho por PMs

Segundo familiares, o adolescente de 13 anos foi morto enquanto dormia, dentro da casa dos tios, em Chorozinho

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Legenda: "Não caiu a ficha. Não caiu a ficha completa ainda, né. Mas tá doendo muito", relata Leidiane, mãe do menino Mizael
Foto: Rafaela Duarte

"Me dói tanto de não ter meu loirinho comigo. Dói muito", lamenta a mãe de Mizael Fernandes da Silva, Leidiane Rodrigues, um mês após a morte do adolescente de 13 anos a tiros por policiais militares dentro da casa dos tios, na localidade de Triângulo, em Chorozinho

O crime ocorreu na madrugada de 1° de julho. Segundo a família do garoto, os policiais invadiram a casa dos tios da vítima, mandaram que todos saíssem e atiraram em Mizael, que estava dormindo em um quarto. 

Estava prevista para este domingo (1°) uma manifestação em Chorozinho para pedir justiça para o caso, mas somente Lidiane apareceu no local. Segundo ela, as pessoas não foram por medo de ações policiais. "Não vieram por medo. Por medo da polícia chegar", afirma Lidiane.

Um mês após após o assassinato, Leidiane revela a dificuldade para superar a morte do próprio filho. "Não caiu a ficha completa ainda, né. Mas tá doendo muito, dooendo muito mesmo", ressalta.

Ela ressalta que Mizael tinha vários amigos e era querido por várias pessoas da cidade. Para homenageá-lo, a mãe comprou balões e vestiu uma blusa com a imagem do filho.

A mobilização também é feita para pedir pela prisão dos policiais militares envolvidos na morte de Mizael. "Eu quero que eles sejam presos, presos. E que eles não mintam, falem a verdade", ressalta.

Investigação

A Polícia Militar informou que um soldado e um sargento da PM são alvos de Inquérito Policial Militar (IPM) que apura a participação de agentes na morte de Mizael. Eles foram afastados de suas funções. Um dos policias já era investigado por tortura, conforme noticiado pelo Diário do Nordeste.

De acordo com a Controladoria Geral de Disciplina, responsável pelas investigações, o caso continua sendo apurado e os trabalhos seguem em caratér reservado. 

Em 5 de julho, o Governador Camilo Santana determinou uma investigação rigorosa sobre o caso e o afastamento dos policiais envolvidos das ruas durante a apuração. 

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Legenda: O adolescente Mizael, de 13 anos, foi morto por policiais militares enquanto dormia, dentro da casa de seus tios
Foto: Rafaela Duarte

Casa foi invadida por PMs na madrugada, diz família

Um dos familiares que presenciou a abordagem da polícia, relatou que houve violência na ação durante a invasão, que ocorreu no início da madrugada de 1º de julho. No relato, a testemunha diz que a vítima estava dormindo no quarto quando foi assassinada.

"Por volta de 1h45 para 2h eles chegaram arrombando o portão da nossa casa dizendo que era a polícia e minhã mãe abriu e permitiu a entrada deles. Saímos e avisamos a eles que meu primo estava dormindo no quarto, quando escutamos os tiros. Mandaram a gente ir pro outro lado da calçada. Eles disseram que meu primo estava armado, mas isso não é verdade. Levaram meu primo, jogaram no carro e saíram como se ele fosse um bandido grande". 

De acordo com uma prima de Mizael, o menino era calmo e vivia de ir na casa do pai e para uma escola municipal localizada no distrito de Patos. Ela afirma que a morte do jovem interrompeu sonhos e exige uma resposta das autoridades.

Policiais dizem ter visto jovem com arma

Policiais do Comando Tático Rural (Cotar) que estiveram na ocorrência registraram em um relatório ter recebido a informação de que em uma casa na localidade de Triângulo estava uma pessoa responsável por vários crimes na região, como furto, assaltos e homicídio.

De acordo com o relatório, de posse das informações, os agentes se dirigiram até o local e cercaram a casa. Eles foram recebidos na porta por um casal e dois jovens que negaram haver mais alguém dentro do imóvel, entretanto ao entrar no local e realizar buscas, os PMs encontraram o adolescente com um revólver dentro do quarto. 

Ele não teria obedecido a ordem dos agentes para que soltasse a arma, o que levou os policiais a dispararem contra ele. A vítima foi socorrida para um hospital, mas não resistiu aos ferimentos. No documento, há ainda a informação da apreensão de um revólver calibre 38 com capacidade para seis cartuchos, dos quais cinco se encontravam intactos.

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