Major recebia recompensa a cada assaltante fuzilado
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Novos depoimentos tomados pelas autoridades que investigam a atuação de um suposto grupo de extermínio - a serviço da rede de farmácias ‘Pague Menos’ - incriminam, cada vez mais, o major PM José Ernane de Castro Moura. Agora, o oficial aparece como recebedor de ‘recompensa’, para cada bandido assassinado durante ou após os assaltos nas lojas da rede.
Outras revelações apontam a participação de ex-policiais militares, recrutados pelo próprio major, nos assaltos. Os ex-PMs fariam as ‘paradas’ em troca de dinheiro e fugiam em motocicletas com a placa virada, para que não fossem identificados. Isto reforçaria a ‘necessidade’ da empresa de ter um grupo de homens ‘dispostos’ para conter os constantes roubos, ao mesmo tempo em que garantia a permanência do major no comando da vigilância clandestina.
TESTEMUNHA - Os novos fatos estão contidos em depoimentos tomados, nos últimos dias, pelo Ministério Público e pela Justiça. A testemunha F.C.M.L., um ex-funcionário da rede de farmácias, revelou detalhes de como funcionava o ‘esquema’ clandestino de segurança.
Ontem, o Diário do Nordeste teve acesso a cópias dos depoimentos prestados por F. no Centro de Apoio Operacional do Controle Externo da Atividade Policial (na Procuradoria Geral da Justiça), bem como, na 2ª Vara do Júri da Capital.
F. revelou, por exemplo, que o major Castro recebia mensalmente a quantia de R$ 5,6 mil para comandar os ‘seguranças’ que, na verdade, eram policiais militares da ativa. Eles seriam recrutados para trabalhar à paisana, em suas próprias motocicletas e armados, nas cercanias das farmácias. Para cada assaltante executado, Castro receberia um ‘bônus’ de R$ 1,5 mil - que deveria ser dividido com o executor.
Em algumas ocasiões, o oficial teria entrado em atrito com os PMs assassinos, por confusão na hora de dividir a ‘recompensa’. Nas farmácias, os funcionários eram proibidos de falar com os ‘seguranças’ e recebiam ordens para chamar imediatamente o ‘coronel’ (como era conhecido o major) sempre que ocorresse um assalto ou outro tipo de ‘problema’ semelhante, como furtos.
PROVAS - Nas mãos dos promotores José Francisco de Oliveira Filho e Pedro Olímpio Monteiro Filho estão outros depoimentos considerados ‘bombásticos’, como o de uma ex-funcionária que afirma ter presenciado, durante um assalto na ‘Pague Menos’, um dos ladrões conversando pacificamente com o gerente, mesmo este estando deitado no chão, simulando ter sido rendido. Por ter presenciado a cena, a funcionária chegou a ser punida. Para ela, o assalto, na realidade, teria sido ‘montado’ pelo grupo.
Depoimentos revelam ainda que o major Castro recebia, além do dinheiro do ‘contrato’ de segurança clandestina e do ‘bônus’ por marginal executado, outras vantagens, como um carro novo a cada ano. Novas pistas começam a ligar a rede de farmácias ao ‘doleiro’ cearense Alex Ferreira Gomes, atualmente procurado pela Interpol em vários países.
Outras revelações apontam a participação de ex-policiais militares, recrutados pelo próprio major, nos assaltos. Os ex-PMs fariam as ‘paradas’ em troca de dinheiro e fugiam em motocicletas com a placa virada, para que não fossem identificados. Isto reforçaria a ‘necessidade’ da empresa de ter um grupo de homens ‘dispostos’ para conter os constantes roubos, ao mesmo tempo em que garantia a permanência do major no comando da vigilância clandestina.
TESTEMUNHA - Os novos fatos estão contidos em depoimentos tomados, nos últimos dias, pelo Ministério Público e pela Justiça. A testemunha F.C.M.L., um ex-funcionário da rede de farmácias, revelou detalhes de como funcionava o ‘esquema’ clandestino de segurança.
Ontem, o Diário do Nordeste teve acesso a cópias dos depoimentos prestados por F. no Centro de Apoio Operacional do Controle Externo da Atividade Policial (na Procuradoria Geral da Justiça), bem como, na 2ª Vara do Júri da Capital.
F. revelou, por exemplo, que o major Castro recebia mensalmente a quantia de R$ 5,6 mil para comandar os ‘seguranças’ que, na verdade, eram policiais militares da ativa. Eles seriam recrutados para trabalhar à paisana, em suas próprias motocicletas e armados, nas cercanias das farmácias. Para cada assaltante executado, Castro receberia um ‘bônus’ de R$ 1,5 mil - que deveria ser dividido com o executor.
Em algumas ocasiões, o oficial teria entrado em atrito com os PMs assassinos, por confusão na hora de dividir a ‘recompensa’. Nas farmácias, os funcionários eram proibidos de falar com os ‘seguranças’ e recebiam ordens para chamar imediatamente o ‘coronel’ (como era conhecido o major) sempre que ocorresse um assalto ou outro tipo de ‘problema’ semelhante, como furtos.
PROVAS - Nas mãos dos promotores José Francisco de Oliveira Filho e Pedro Olímpio Monteiro Filho estão outros depoimentos considerados ‘bombásticos’, como o de uma ex-funcionária que afirma ter presenciado, durante um assalto na ‘Pague Menos’, um dos ladrões conversando pacificamente com o gerente, mesmo este estando deitado no chão, simulando ter sido rendido. Por ter presenciado a cena, a funcionária chegou a ser punida. Para ela, o assalto, na realidade, teria sido ‘montado’ pelo grupo.
Depoimentos revelam ainda que o major Castro recebia, além do dinheiro do ‘contrato’ de segurança clandestina e do ‘bônus’ por marginal executado, outras vantagens, como um carro novo a cada ano. Novas pistas começam a ligar a rede de farmácias ao ‘doleiro’ cearense Alex Ferreira Gomes, atualmente procurado pela Interpol em vários países.