Júri condena 5 homens por morte de torcedor do Ceará: 'foi barbárie', diz promotor
No ano passado, outros três acusados pelo mesmo caso já tinham sido condenados.
Após dois dias de julgamento, o Tribunal do Júri decidiu condenar cinco homens pela morte de um torcedor do Ceará. Somadas, as penas dos réus chegam a 88 anos de prisão.
Os jurados decidiram que dois acusados tiveram participação direta no crime de homicídio triplamente qualificado e associação criminosa. Em setembro de 2025, outros três acusados já tinham sentado no banco dos réus pelo mesmo caso.
Ítalo Silva de Lima foi espancado até a morte, antes de uma partida de futebol, em Fortaleza, no ano de 2023. Para o promotor de Justiça do Ministério Público do Ceará (MPCE), Luís Bezerra Neto, "nenhuma rivalidade vale uma vida, o resto é só desculpa para a violência".
Arão Bouzgaib Varela Maia foi condenado a cumprir pena de 27 anos, 7 meses e 15 dias de reclusão, pelos crimes de homicídio triplamente qualificado e associação criminosa. John Patrick Vieira da Silva a pena de 24 anos e seis meses de reclusão, pelos mesmos crimes.
Já Antônio Gomessom Martins da Silva foi sentenciado a uma pena de 13 anos pelos crimes de lesão corporal seguida de morte e corrupção de menores. Lucas Araújo Barbosa a pena de 13 anos pelos crimes de lesão corporal seguida de morte e corrupção de menores; e Lucas do Espírito Santos Costa a pena de 11 anos de reclusão pelos crimes de lesão corporal seguida de morte e corrupção.
"Não foi rivalidade, foi barbárie: futebol não pode ser justificativa para assassinato. A resposta do conselho de sentença é um significado de que a escolha feita foi pela defesa da vida e pela civilidade".
As defesas dos réus não foram localizadas pela reportagem. O espaço segue aberto para futuras manifestações.
NO BANCO DOS RÉUS
A segunda sessão dos júris deste caso começou por volta das 9h30 dessa terça-feira (7) e foi encerrada já no fim da tarde do dia seguinte.
Até então, todos os réus que estavam no carro no dia do crime foram condenados por participação direta no homicídio.
Aos demais que estavam em motocicletas, os jurados entenderam que a intenção deles era participar das agressões, mas não necessariamente matar.
No ano passado, sentaram no banco dos réus Edson Rodrigues Taveira, Herson da Silva Lima e Luiz Cláudio Teles Costa Júnior.
Edson foi condenado a 15 anos e seis meses de prisão, Luiz a 17 anos e seis meses de prisão e Herson a 18 anos e 10 meses de prisão. A determinação foi de que a pena fosse cumprida em regime inicialmente fechado.
SESSÃO DE ESPANCAMENTO
Ítalo Silva de Lima era torcedor do Ceará e ia assistir ao jogo do seu time contra o Iguatu, na Arena Castelão, pela semifinal do Campeonato Cearense, na tarde de 18 de março de 2023, quando foi surpreendido por criminosos.
Ele se deslocava a pé, junto de outros torcedores alvinegros, segundo a denúncia do MPCE.
Já os acusados seriam integrantes de um setor da Torcida Uniformizada do Fortaleza (TUF), nomeado de Bonde dos Hooligans (CDH).
"Apurou-se durante a investigação que o Bonde dos Hollingans-BDH se trata de grupo de pessoas que se reúnem se autoafirmando torcedores do Time do Fortaleza. Contudo, parte desse grupo, dentre eles os réus, sob o pretexto de estarem torcendo por um time de futebol, se associam para praticar crimes diversos, dentre eles dano (vandalismo), lesão corporal, porte ilegal de arma de fogo, homicídio, instigação ao crime, e etc.", definiu o MPCE.
Os réus, infelizmente, conseguiram alcançar a vítima Ítalo e começaram, em concurso e com dolo de matar, a agredir fisicamente Ítalo com chutes, socos e golpes com pedaço/bastão de madeira; golpes esses que eram direcionados, dentre outras partes do corpo, à cabeça da vítima. Após lincharem a vítima, os réus se evadiram. Ítalo morreu no local."
Para o MPCE, Ítalo foi morto por "torcer para time de futebol diverso do que torcem os réus".
ORDEM PARA FIM DAS 'ORGANIZADAS'
Em fevereiro deste ano de 2026, confrontos entre torcidas organizadas dos times Ceará e Fortaleza desagradaram lideranças do Comando Vermelho (CV).
Horas após a captura de, pelo menos, 350 suspeitos envolvidos em disputas no último Clássico-Rei, a facção divulgou 'salves' (comunicados) ordenando o fim das brigas.
A mensagem divulgada nas redes sociais mostrou que o CV é contra os embates nas ruas entre as organizadas, porque as brigas chamam a atenção da Polícia e intensificam a presença dos agentes da Segurança nas comunidades quando acionados: "já que não sabem curtir sem trazer problema para a organização, sem trazer o sistema para dentro da quebrada e ainda por cima lotando as cadeias" (sic).
Os presidentes de duas das maiores torcidas organizadas dos clubes cearenses gravaram vídeos afirmando que renunciaram aos cargos. Encarregados das organizadas em vários bairros da Capital também seguiram o exemplo e entregaram os postos de comando, sem dar maiores explicações.