Inteligência baseará ações das polícias Civil e Militar, diz secretário da Segurança

Sandro Caron inicia a trajetória na SSPDS com um discurso de continuação de ações empregadas na gestão André Costa e com os desafios de combater as facções criminosas, reduzir os homicídios e reconquistar parte dos militares

Legenda: Sandro Caron afirmou que pretende ampliar as ações de Inteligência com o uso da tecnologia no Estado
Foto: José Leomar

Sandro Caron chega para assumir a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) com a promessa de aperfeiçoar o setor de Inteligência e utilizá-la para basear as ações das polícias Civil e Militar, com foco no combate às facções criminosas e na redução de índices criminais, como os homicídios.

O novo titular da Pasta concedeu entrevista ao Sistema Verdes Mares nesta sexta-feira (11). Na primeira semana no cargo, Caron assumiu o discurso de continuação das ações que já eram empregadas pela SSPDS na gestão André Costa, como o investimento em tecnologias e a constante troca de informações com outros órgãos, Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Secretaria da Administração Penitenciária (SAP).

"Informação é fundamental. Para que você faça um bom policiamento ostensivo e preventivo tem que ter Inteligência, informação. Assim, conseguimos mapear o que está acontecendo e traçar o planejamento. A gente vai sempre focar na questão da Inteligência, para subsidiar o trabalho da Polícia Civil e da Polícia Militar", ressalta o secretário.

O ponto de partida do trabalho de Caron será uma reunião com os comandantes das Forças de Segurança, nos próximos dias. Ele revela que a Secretaria já tem um mapeamento da atuação das organizações criminosas no Estado e, com Inteligência, irá atacá-las.

O secretário já trocou o comando da Polícia Militar do Ceará (PMCE), com a saída do coronel Alexandre Ávila, para a entrada do também coronel Márcio Oliveira, que comandava o Comando de Policiamento de Rondas e Ações Intensivas e Ostensivas (CPRaio). Mas convidou o delegado-geral da Polícia Civil do Ceará (PCCE), Marcus Rattacaso, e o comandante do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará (CBMCE), Luís Eduardo de Holanda, para continuarem à frente das instituições.

"É natural que os comandos, com o tempo, sejam trocados. Isso vai dentro de um processo geral de gestão. Procuramos escolher o coronel (Márcio Oliveira) que tem um histórico operacional, para extrair o máximo", justifica, sobre a mudança na PMCE.

Facções

O crime organizado que atua no Ceará hoje não é o mesmo que Sandro Caron viu enquanto era superintendente da PF no Estado, entre 2011 e 2013. As facções cresceram em quantidade de membros, dentro e fora dos presídios, iniciaram uma guerra por espaço para o tráfico de drogas que viveu o auge em 2017 (com mais de 5 mil homicídios) e aterrorizaram o Estado com diversas séries de ataques a bens públicos e privados (somente em 2019 foram duas séries, em janeiro e setembro).

"O aumento da incidência dos grupos criminosos não aconteceu só no Ceará, foi no Brasil inteiro. A maioria desses grupos criminosos começou atuando em outros estados e acabaram migrando para o Ceará. A gente vai ter como foco repressão intensa, com inteligência e investigação, como também com policiamento efetivo", promete.

Segundo Caron, a SSPDS precisa combater o tráfico de drogas para atingir as facções: "Vamos ter que ter total empenho para o combate ao tráfico de drogas. Quando eu falo em atingir o núcleo desses grupos criminosos, eu falo em trabalhar muito bem no combate ao narcotráfico. O narcotráfico é o crime base de todos os crimes".

Um dos trunfos do secretário nessa missão é a utilização do Centro Integrado de Inteligência de Segurança Pública do Nordeste, sediado no Ceará: "O Centro de Inteligência do Nordeste é fundamental, porque sabemos que o crime hoje não respeita os territórios dos estados. Eles agem em organizações no Nordeste e em âmbito nacional. Tem que estar permanentemente integrados às secretarias de Segurança e às polícias dos outros estados".

Homicídios

Por consequência do combate às facções, o novo secretário pretende reduzir os índices criminais no Ceará. Sandro Caron assume a Pasta com o principal índice de violência do Estado, os Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs) - homicídios, feminicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte -, com um aumento de 86,4% neste ano, após um 2019 de diminuição do índice.

Caron adotou o mesmo discurso da gestão anterior para explicar o crescimento do número de homicídios:

"Esse aumento, nos primeiros meses deste ano, resultou principalmente do motim e também da pandemia de Covid, que chegou a colocar, durante todo esse período, mais de 8 mil servidores da Secretaria de Segurança Pública em resguardo".

Está nas metas do secretário reduzir o índice de CVLIs. "O meu foco são os resultados, estatísticas, números. Os números não mentem. Nada do que for feito vai importar, se os números não forem atingidos. A gente tem o papel fundamental da Polícia Militar, preventivo, mas sem investigação nós não vamos conseguir atingir a estrutura desses grupos criminosos", reforça.

Os últimos anos foram marcados ainda por aumento de mortes por intervenção policial no Ceará. Sobre o assunto, Caron respondeu que "o policial tem que usar, numa abordagem, da força necessária. O ideal é que ocorra a prisão, sem que ninguém se machuque e morra. Mas o policial vai usar sempre a força necessária. A gente usa o conceito de uso progressivo da força. O policial vai fazer o que é necessário para cumprir sua função".

Efetivo

O novo secretário também destaca a importância da "valorização dos bons policiais, que são maioria". Ele também terá o desafio de reconquistar parte da tropa militar, que entrou em desgaste com a SSPDS em razão do motim que se estendeu por 13 dias no Estado, em fevereiro deste ano. O assunto também estará em pauta na primeira reunião com os comandantes das Forças de Segurança.

"É muito importante que se tenha tecnologia, investigação, inteligência, planejamento. Mas o mais importante é o homem de polícia. Não adianta você colocar o melhor equipamento do mundo nas mãos de policial que não tenha sido bem selecionado no concurso, bem treinado na Academia, que não tenha todo um acompanhamento para estar sempre motivado e disposto a combater o crime", aponta Sandro Caron.

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