Inquérito sobre morte de médica atropelada em Fortaleza segue sem conclusão após sete meses

Polícia Civil aguarda por laudos periciais para concluir investigação. A motorista que atropelou Lúcia Belém é investigada em liberdade

Escrito por
Messias Borges messias.borges@svm.com.br
atropelamento médica
Legenda: A médica foi atropelada e morta por um veículo próximo à Avenida Dom Luís, em Fortaleza
Foto: Paulo Sadat

A morte da médica cardiologista Lúcia de Sousa Belém, aos 61 anos, atropelada por um veículo no bairro Meireles, em Fortaleza, completou sete meses. O tempo ainda não foi suficiente para o 2º DP (Aldeota), da Polícia Civil do Ceará (PCCE), concluir o Inquérito Policial sobre o caso, que aguarda por laudos da Perícia Forense do Ceará (Pefoce). A motorista é investigada pelo crime em liberdade.

Na última quarta-feira (25), o advogado Leandro Vasques, que representa a família de Lúcia Belém, enviou um Pedido de Celeridade ao 2º DP: "ao que pode se verificar do andamento do presente inquérito policial, ainda se aguarda a juntada de laudo pericial oficial, razão pela qual se requer a Vossa Excelência a remessa de ofício à Pefoce para que conclua e envie o documento em questão, de modo a propiciar o desfecho da presente investigação policial".

A demora para finalizar o Inquérito Policial causa angústia na família da médica. A irmã de Lúcia, a servidora pública Jacinta Belém, conta que não sabe explicar o que está acontecendo para a mãe de 89 anos: "quando minha mãe me pergunta 'minha filha, e o Inquérito da sua irmã?', é muito difícil explicar para a mamãe que o laudo de uma perícia ainda não teve resultado".

A angústia vem. Principalmente porque é uma pessoa que teve um serviço prestado enorme no Hospital da Messejana, um serviço de saúde. Minha irmã foi muito dedicada, sempre esteve presente na busca pelo melhor da saúde, uma verdadeira cidadã, compromissada. Causa muita dor. Todos nós esperamos ansiosos que o Estado preste o compromisso com o cidadão.
Jacinta Belém
Irmã de Lúcia Belém

Médica Lúcia Belém
Legenda: A cardiologista tinha um consultório na Avenida Dom Luís e trabalhava no Hospital de Messejana
Foto: Reprodução

A Polícia Civil do Ceará, ao ser questionada sobre a demora na conclusão da investigação, respondeu, em nota, que o Inquérito Policial apura o crime de homicídio culposo no trânsito (quando não há intenção de matar) e que "mais testemunhas foram intimadas para serem ouvidas e diligências estão em andamento".

Acerca dos laudos para subsidiar as investigações, o laudo de exame cadavérico, o laudo complementar de análise laboratorial em amostra biológica (alcoolemia) e o laudo de perícia técnica em mídia já foram concluídos pela Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce). Devido à complexidade do caso, o laudo da perícia de local de crime está em elaboração, em fase final de conclusão.
Polícia Civil do Ceará
Em nota

O prazo atual para o 2º DP entregar o Inquérito Policial é 1º de outubro deste ano, autorizado pela 14ª Vara Criminal de Fortaleza, da Justiça Estadual, no último dia 1º de julho, após o Ministério Público do Ceará (MPCE) pedir por mais 90 dias para a Polícia Civil realizar as diligências necessárias.

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Era por volta de 14h20 do dia 21 de janeiro de 2021, quando a médica Lúcia Belém ia atravessar a Rua Coronel Jucá e foi atropelada e morta por um veículo Range Rover, que vinha da Avenida Dom Luís, no bairro Meireles, em Fortaleza. A vítima tinha um consultório nas proximidades de onde aconteceu o acidente e também atendia no Hospital da Messejana. A morte foi lamentada pelo Sindicato dos Médicos do Ceará, pela Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) e pela comunidade médica do Estado como um todo.

Legenda: Sindicato dos Médicos do Ceará manifestou pesar e solidariedade a amigos, família e admiradores.
Foto: reprodução

A motorista do carro, uma comerciante de 38 anos (identidade preservada porque ainda não houve indiciamento), compareceu à Delegacia logo após o acidente. De acordo com a investigação, ela não dirigia alcoolizada, fato comprovado pelo teste do bafômetro e também pela conta do restaurante onde ela acabara de almoçar.

Em depoimento à Polícia Civil, a comerciante contou que estava parada no sinal vermelho do cruzamento da Avenida Dom Luís com a Rua Coronel Jucá, quando o sinal ficou verde, entrou nesta via e atropelou a médica. A motorista alega que prestou socorro à pedestre e ligou diversas vezes para o número 190, mas o socorro não chegou a tempo. 

A médica perdeu muito sangue e morreu no local. O laudo pericial cadavérico, elaborado pela Perícia Forense do Ceará, atestou morte por traumatismo craniano. Depoimentos de testemunhas e imagens de câmeras do local foram colhidos pela Polícia Civil para subsidiar a investigação.

nota da sesa

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