Ferramenta que mapeia manchas criminais encorpa rol de tecnologias da Segurança Pública no Ceará

A "Era da Tecnologia" na Segurança Pública do Ceará começou em 2017, com Sistema Policial Indicativo de Abordagem (Spia)

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Legenda: "Era da Tecnologia" no combate à violência se iniciou em 2017, com a criação do Spia, e ganha ferramentas a cada ano, como o Cerebrum e o Status

O futuro da Segurança Pública no Ceará também passa pela tecnologia. O último lançamento da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), com o intuito de sufocar o crime organizado e melhorar os índices de violência, foi o Sistema Tecnológico para Acompanhamento de Unidades de Segurança (Status).

A ferramenta passou a encorpar o rol de tecnologias da Segurança Pública no início deste mês de fevereiro. Policiais civis e militares ainda passam por treinamento, mas o aplicativo já está em uso. A tecnologia foi desenvolvida no projeto Inteligência Científica e Tecnológica Aplicada à Segurança Pública, que é parte do Programa Cientista Chefe, fomentado pela Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), em parceria com a Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp), da SSPDS.

O secretário da Segurança Pública do Ceará, Sandro Caron, explica que a ferramenta Status "permite aos dirigentes da Polícia Civil e da Polícia Militar terem, em tempo real, as chamadas manchas criminais. Ou seja, são apontados os locais que há maior incidência de crimes graves no Estado, chamados microterritórios, já com a indicação de dias e horários que costumam ocorrer. Para que, com base nesses dados científicos, direcionem melhor a estrutura de policiais e equipamentos".

Segundo a SSPDS, as principais funções do Sistema consistem no uso de estatísticas qualitativas das ocorrências importadas por semana, mês e ano; uso de cenários a partir de cadastros de indicadores criminais; apresentação visual do ambiente por meio da realização das análises de mapas; e análise de estatísticas por principais tipos criminais.

A agilidade promovida pelo Status, com o uso de dados atualizados, tenta combater o deslocamento do crime. Especialistas em Segurança Pública já afirmaram que a instalação de bases policiais fixas, por exemplo, diminui a ação de uma facção criminosa naquele ponto, mas a leva para outra área. Desta vez, a tentativa é acompanhar e sufocá-la.

Inovação

A "Era da Tecnologia" na Segurança Pública do Ceará começou em 2017, com Sistema Policial Indicativo de Abordagem (Spia), desenvolvido em uma parceria da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Universidade Federal do Ceará (UFC) com a SSPDS. A ferramenta virou destaque nacional e atraiu o interesse do governo de outros estados e Federal, pela inovação.

O Spia é uma Inteligência Artificial que, aplicada ao Sistema de Videomonitoramento do Estado - com mais de 3 mil câmeras - consegue realizar a leitura de placas de veículos e identificar se um automóvel possui restrição de roubo ou furto ou se existe uma suspeita de clonagem. A ferramenta ampliou e acelerou a recuperação de veículos roubados e furtados e, consequentemente, a captura de suspeitos, no Estado.

Uma das últimas ações do Spia foi a prisão de um motorista de aplicativo e outro homem por suspeita de roubar um carro modelo Chevrolet Onix, no bairro Parquelândia, no dia 2 de fevereiro último. Pouco tempo depois, o Sistema de Videomonitoramento da SSPDS localizou o veículo, e a Polícia Militar foi acionada para realizar a abordagem e a detenção da dupla.

Em 2018, a SSPDS ampliou o combate à "mobilidade do crime" com o Portal do Comando Avançado (PCA), um aplicativo presente nos dispositivos móveis dos agentes de segurança, que permite a consulta do nome de suspeitos, da identificação facial e de placas veiculares, no banco de dados do Estado. A ferramenta permite ainda acesso ao Botão do Pânico, que pode ser acionado pela população em situações de risco iminente. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, a tecnologia "passa por melhorias contínuas para atualização de sua funcionalidade visando aperfeiçoamento do algoritmo".

Em 2019, foi a vez do Cerebrum, um painel analítico para acesso a diversos sistemas e bases de dados de órgãos de segurança do Ceará e instituições parceiras. Por meio do cruzamento de dados, o sistema fornece informações em tempo real e facilita o processo de investigação, inteligência e tomada de decisão. De acordo com a Pasta, é possível analisar e processar milhares de dados diferentes, em um curto intervalo de tempo.

No ano seguinte, a tecnologia se voltou para a atuação do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará (CBMCE), com a criação do Sistema de Georreferenciamento Operacional (Sigo). A ferramenta permite os bombeiros militares localizarem as ocorrências de incêndio e as unidades do próprio Corpo de Bombeiros e de hidrantes próximos do sinistro.

Também no ano passado, a SSPDS ampliou a utilização da Delegacia Eletrônica (Deletron) para registrar ocorrências não delituosas - como o extravio de documentos; e mais oito tipos de crimes, passando de 11 tipificações para 19. As medidas tiveram os objetivos de diminuir a procura da população pelas delegacias físicas e, consequentemente, evitar a propagação da Covid-19, além de otimizar o trabalho do policial civil.

Questionado sobre a importância das tecnologias, Caron afirma que "o mais importante, para ter resultado, é o fator humano. Nós termos homens e mulheres da Segurança Pública bem selecionados, capacitados, motivados e valorizados, com boas condições de trabalho. As tecnologias vêm para somar a isso".

Futuro

Outras tecnologias devem ser encorpadas ao rol da Segurança Pública do Ceará nos próximos meses e anos. Pelo menos duas ferramentas estão em desenvolvimento, na parceria da SSPDS com o Programa Cientista Chefe: o ID Ceará, que pretende permitir visualizar a identidade em formato digital, em dispositivos móveis, com facilidade; e o Human Nerd, que tem o objetivo de realizar o reconhecimento automatizado de informações em Boletins de Ocorrências (B.Os.).

"Você desenvolve uma tecnologia e, depois de um tempo, o mundo do crime acaba buscando alternativas para tentar escapar da utilização dela. Portanto, o nosso trabalho é o permanente desenvolvimento de tecnologias. Temos outras ferramentas para serem lançadas e nosso trabalho é estar sempre aprimorando", conclui Caron.

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