#ExposedFortal: estudantes são denunciados por divulgarem nudes de adolescentes em grupo de WhatsApp

Na manhã de hoje (23), o caso se tornou um dos assuntos mais comentados do País, no Twitter.

Captura de tela de conversa #ExposedFortal
Legenda: Trecho de uma das conversas expostas nas redes sociais
Foto: Reprodução

Estudantes de Fortaleza foram acusados de compartilharem fotos íntimas de meninas em um grupo de WhatsApp. O caso tem ganhado repercussão no Twitter, onde as vítimas e colegas das garotas publicaram as denúncias. Na manhã desta terça-feira (23), a hashtag #exposedfortal chegou aos Assuntos do Momento na rede social. A Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) investiga o caso.

Conforme as denúncias, o grupo, composto por garotos e homens jovens, alimentava as conversas com ‘nudes’ de meninas, em sua maioria, menores de idade.

Os suspeitos utilizavam o espaço para tecerem comentários sobre as vítimas, dando notas para as fotos íntimas, e chegavam a ameaçar algumas delas. 

Captura de tela mostra diálogo com pedido de 'nude'
Legenda: "Manda uma foto mais interessante", pede um dos suspeitos em conversa divulgada

Uma das publicações da hashtag, que relata o caso, afirma que após receberem as imagens no grupo, alguns integrantes iniciavam um contato com as vítimas. “Alguns xingavam e chamavam no privado as meninas que tiveram suas fotos íntimas compartilhadas para zoar”.

Print de conversa
Legenda: "Queria essa foto", diz adolescente a uma das vítimas
Foto: Reprodução

O secretário da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), André Costa, informou nesta manhã (23), por meio de uma postagem no Twitter, que o caso está sendo investigado e todas as denúncias estão sendo avaliadas. “A Polícia Civil já está apurando denúncias relatadas no #exposedfortal, determinei prioridade para o caso. Solicito que as vítimas registrem o BO para facilitar a identificação dos envolvidos”.

Vítimas 

De acordo com uma das meninas que se declara como vítima da exposição, o grupo foi criado há cerca de quatro anos. "Tudo começou em 2016 quando criaram um grupo. Era um grupo onde meninos que enviavam nudes das meninas para os homens. Eles foram descobertos, mas nenhuma menina se pronunciou, pois ficaram com medo e não deu em nada. Esse ano fizeram um novo grupo, onde vários meninos faziam a mesma coisa", explica.

> #ExposedFortal: psicólogos e pedagogos apontam para os impactos de assédios na formação de vítimas 

Outra jovem afirma ter tido fotos íntimas vazadas. “Em 2016 até 2018, esse grupo espalhava várias fotos íntimas de diversas meninas, não só de Fortaleza. Inclusive um menino espalhou fotos minhas lá também, e agora, que o expus, ele veio me dizer que tava arrependido pelo o que fez na época", disse em entrevista ao Sistema Verdes Mares.

A vítima afirma ainda que após a divulgação das denúncias, os integrantes saíram do grupo. “E esse grupo a maioria dos meninos já participaram, e quando a #exposedfortal começou a repercutir, várias pessoas que ainda estavam nesse grupo saíram dele pra escapar da situação. Mas quem tava no grupo, mandava sim! Fotos de meninas, menor de idade, criança, videos", denúncia ela que teve a identidade preservada.

Crime e Investigação

Compartilhar fotos íntimas, as chamadas ‘nudes’, é crime. O ato pode ser considerado como injúria e difamação, previstos no Código Penal. A Secretaria da Segurança informou que  a Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dceca) apura as denúncias do caso, que envolveriam crianças e adolescentes.

Conforme a Pasta, “as diligências coordenadas pela delegacia especializada ocorrem no intuito de se chegar aos nomes das pessoas envolvidas, bem como identificar as circunstâncias dos casos”.

A SSPDS orientou ainda o registro de Boletim de Ocorrência (B.O.) sobre os casos, por meio da Delegacia Eletrônica (Deletron) que atende todo o território do Estado do Ceará. A Secretaria informou também que a  população pode ajudar nas investigações da Polícia ao repassar informações sobre o ocorrido.

De acordo com a Instituição, as denúncias podem ser feitas por meio do por meio do número 181, o Disque-Denúncia da SSPDS, ou ainda para o número (85) 3101-2044, da Dceca. Conforme a Instituição, o sigilo e o anonimato são garantidos.

 

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