Ceará é o segundo estado do País em assassinatos de pessoas trans, em 2019

Dossiê anual produzido pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais do Brasil (Antra) aponta que, pelo menos, 11 pessoas transgênero foram vítimas de homicídio no ano passado

Legenda: Bruna Surfistinha, de 26 anos, foi assassinada, no dia 20 de setembro, a tiros, enquanto tomava banho
Foto: Arquivo pessoal

No Dia Nacional da Visibilidade de Transexuais e Travestis, lembrado neste 29 de janeiro, não há muito o que se comemorar. É nesta data que a Associação Nacional de Travestis e Transexuais do Brasil (Antra) divulga um dossiê que mostra violações sofridas pela população transgênero e, mais uma vez, o Ceará é um dos primeiros da lista.

Em 2019, foram 11 travestis ou transexuais mortas no território cearense, conforme a associação. A quantidade de homicídios garantiu ao Estado a segunda posição no ranking de homicídios do Brasil. O Ceará fica atrás apenas de São Paulo, estado no qual foram mortas 21 pessoas, em igual período.

Os homicídios foram registrados nas cidades de Fortaleza, Chorozinho, Sobral, Guaiuba, Horizonte, Pacatuba, Maracanaú, Caucaia, Tarrafas e Juazeiro do Norte

O "Dossiê: assassinatos e violência contra travestis e transexuais brasileiras em 2019" é realizado, anualmente, a partir de informações obtidas pela Antra com pessoas vinculadas à organização e reportagens produzidas por veículos de comunicação de todos os estados.

Anos anteriores

Em 2018, o Ceará aparecia como quarto estado mais violento para pessoas trans, registrando 13 assassinatos; no ano anterior, em 2017, foram 16, e o Estado figurou na terceira posição na questão da violência letal contra a comunidade. 

Ao todo, nos três últimos anos, segundo a Antra, foram, pelo menos, 40 vidas trans ceifadas no território cearense. Neste quesito, o Estado também aparece em segundo lugar, dividido com a Bahia e atrás apenas de São Paulo, cujos assassinatos somaram 51.

Tentativas de homicídio

O Ceará também é o segundo do País no registro de tentativas de homicídio contra a população transgênero - dividindo a posição no ranking violento com o Rio Grande do Sul. Em 2019, houve cinco registros desta modalidade registradas nas cidades de Fortaleza e Juazeiro do Norte. Em primeiro lugar, o Estado de São Paulo aparece novamente, com 12 identificações.

Casos no Ceará

Em 26 de fevereiro de 2019, Ana Lima, de 40 anos, foi morta a tiros no bairro Alto São João, em Pacatuba, na Região Metropolitana de Fortaleza. Conforme a Delegacia Metropolitana de Maracanaú, que recebeu o caso, testemunhas ouviram cerca de três disparos de arma de fogo. Ana foi atingida por tiros na cabeça e morreu no local.

Em 20 de setembro, uma travesti identificada como Bruna Surfistinha, de 26 anos, foi assassinada a tiros enquanto tomava banho dentro de uma residência, no município de Chorozinho, Região Metropolitana de Fortaleza. Testemunhas afirmam que dois homens foram vistos saindo correndo do local após o crime.

Já na manhã de 12 de outubro de 2019, uma travesti identificada como Julia foi morta a tiros, no bairro Sumaré, no município de Sobral, a 200 Km de Fortaleza. De acordo com a polícia, dois homens chegaram a pé na rua em que ela se encontrava e realizaram vários disparos de arma de fogo contra a vítima, fugindo em seguida. 

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