Ataque em lanchonete: acusado de balear desafeto na frente da esposa deve sentar no banco dos réus
O crime aconteceu no bairro Vicente Pinzón, em Fortaleza.
O acusado de tentar matar um desafeto enquanto a vítima lanchava com a esposa deve sentar no banco dos réus. O colegiado de juízes da 6ª Vara do Júri decidiu pronunciar Carlos Ronaldo de Sousa pela tentativa de homicídio triplamente qualificada.
A decisão proferida no início deste mês de fevereiro foi publicada no Diário da Justiça Eletrônico (DJE) e prevê que Carlos Ronaldo também responda por integrar organização criminosa, sendo apontado à época do crime como recente membro da facção carioca Comando Vermelho (CV).
As investigações indicam que o ataque foi motivado por desavenças entre o réu e a vítima, relacionadas à disputa de território entre a facção Comando Vermelho (CV), "dominante na localidade onde ocorreram os fatos, e a facção Guardiões do Estado (GDE), à qual o réu teria passado a integrar, evidenciando a possível vinculação do acusado à dinâmica de grupos criminosos atuantes nesta Capital", conforme a acusação.
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A vítima, de identidade preservada, foi alvejada diversas vezes e socorrida com vida ao Instituto Doutor José Frota (IJF). Os magistrados decidiram que o réu deve permanecer preso para garantir a ordem pública, pontuando que "a tentativa de homicídio contra a vítima foi perpetrada em via pública, mediante diversos disparos de arma de fogo, o que revela a gravidade concreta do delito e a periculosidade do agente".
A defesa do réu não foi localizada pela reportagem.
CONFLITO NO VICENTE PINZÓN
De acordo com a acusação, na tarde do dia 23 de julho de 2025, por volta das 17h30, a vítima estava acompanhada da esposa em uma lanchonete no bairro Vicente Pinzón.
Carlos Ronaldo e outros suspeitos não identificados teriam se aproximado do casal e desembarcaram do veículo já efetuando os disparos contra o homem "que não veio a óbito por circunstâncias alheias à sua vontade".
O sobrevivente foi socorrido e disse aos policiais que reconhecia o rosto do autor dos disparos e que vinha recebendo ameaças por meio de um perfil nas redes sociais com nome de 'Explana'.
"A vítima afirmou que, ao tentar se evadir para preservar a própria integridade física, acabou caindo ao solo, ocasião em que o réu Carlos Ronaldo teria efetuado novos disparos contra si, evadindo-se, em seguida, no mesmo veículo"
Há também nos documentos que a reportagem teve acesso que o sobrevivente "informou, ainda, que reconheceu o acusado por já o conhecera anteriormente, relatando a existência de desavenças decorrentes de disputa territorial, bem como que o réu teria se desligado da facção Guardiões do Estado (GDE) e passado a integrar organização criminosa rival, supostamente atuando para indivíduo conhecido por “Bicho Feio”, apontado como um dos chefes do Comando Vermelho (CV) no bairro Vicente Pinzón".
Para os juízes, as provas revelam a presença de indícios suficientes em desfavor do acusado e o crime conexo (integrar organização criminosa) deve ser submetido à apreciação dos jurados.