Após 7 meses, onde está o ex-PM condenado pela Chacina do Curió e extraditado dos EUA ao Brasil
Não há informações oficiais para qual unidade prisional no Ceará o réu deve ser transferido.
Sete meses se passaram desde a extradição do ex-policial militar Antônio José de Abreu Vidal, condenado na Justiça cearense a mais de 200 anos de prisão por participar da Chacina do Curió e sentenciado a 16 meses de prisão pelo Tribunal de Boston, nos Estados Unidos da América, por mentir em seu pedido de asilo durante uma audiência de imigração.
Em setembro do ano passado, José foi extraditado dos Estados Unidos da América (EUA), desembarcando em solo nacional no Estado de Minas Gerais. Desde então, a chegada do condenado é aguardada no Ceará. Na última semana, a demora na transferência já autorizada pelo Poder Judiciário foi questionada pelo juiz da 1ª Vara do Júri de Fortaleza.
O magistrado solicitou informações urgentes acerca da situação prisional e do recambiamento de Antônio José, atualmente recolhido no Presídio de Jaboticatubas, localizado no próprio município de Jaboticatubas, em Minas Gerais.
Não há informações oficiais para qual unidade prisional no Ceará o réu deve ser transferido. Por se tratar de um crime cometido enquanto Antônio estava na condição de agente da Segurança Pública, a defesa dele acredita que o condenado seja mantido no Presídio Militar, em Fortaleza.
“A defesa técnica de Antônio José de Abreu Vidal esclarece que o seu cliente permanece preso à disposição da Justiça alencarina no Presídio de Jaboticatubas, Estado de Minas Gerais, desde setembro de 2025, aguardando o seu recambiamento para o Estado do Ceará, o que fere a Lei de Execuções Penais e a própria Carta Magna de 1988. Esclarece, ainda, que tem mantido contato com os órgãos competentes no sentido de que seja viabilizada a transferência do sentenciado para o Presídio Militar no Estado do Ceará”
VAGA CONCEDIDA AINDA EM 2025
Em setembro do ano passado, o juiz da 1ª Vara do Júri de Fortaleza disse estar ciente da chegada ao Brasil do réu condenado.
José foi objeto de extradição pela via diplomática (Ministério da Justiça e Ministério das Relações Exteriores) e preso em solo nacional pela Polícia Federal em Minas Gerais (Núcleo de Cooperação Internacional) ao desembarcar do voo de deportados proveniente dos Estados Unidos no Aeroporto de Confins – MG.
No último mês de dezembro de 2025, a juíza Corregedora dos Presídios do Estado do Ceará disponibilizou vaga "nesta unidade da federação para o condenado".
A reportagem do Diário do Nordeste questionou a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) e a Polícia Militar do Ceará (PMCE) sobre a demora para o recambiamento.
A Polícia Militar do Ceará (PMCE) explicou que por o agente já ter sido formalmente excluído dos quadros da Corporação, ele não deve ser encarcerado em unidade militar.
A SAP não respondeu até a publicação desta matéria.
QUEM É O EX-PM
O réu chegou a estar na lista de Difusão Vermelha (procurados) da Interpol (Polícia Internacional).
Ainda enquanto PM, o agente teria prestado informações falsas aos EUA dizendo que nunca foi preso ou condenado por qualquer crime no Brasil. No entanto, até maio de 2017 ele estava preso devido à chacina. Dois meses depois, já em liberdade, foi ao consulado americano em Recife e solicitou o visto de turismo.
Há informações de que em 2018 Vidal foi até a América do Norte, tendo entrado por Miami. Enquanto morou nos EUA, o PM teve uma filha.
Em junho de 2023, os primeiros policiais militares foram condenados pela Chacina do Curió. 11 pessoas morreram no massacre, no ano de 2015.
Durante o júri, Abreu foi interrogado via videoconferência. Na chamada era possível perceber que o réu respondia às perguntas estando dentro de um veículo.
Antônio José de Abreu Vidal Filho foi condenado a 275 anos e 11 meses de prisão pelas mortes, três tentativas de homicídios e quatro crimes de tortura. A defesa dele recorreu da sentença e em 2º Grau a pena foi reduzida para 238 anos, três meses e 15 dias de reclusão.
Na mesma ocasião, foram condenados os PMs Wellington Veras Chaves, Ideraldo Amâncio e Marcus Vinícius Sousa da Costa. Somadas, as penas ultrapassam mil anos de prisão.
Nas semanas seguintes, a Controladoria Geral de Disciplina (CGD) publicou as demissões dos quatro agentes, no Diário Oficial do Estado (DOE).
Antonio José de Abreu Vidal Filho também responde a um processo por deserção da Polícia Militar do Ceará (PMCE), na Justiça Estadual, em razão de não voltar ao trabalho depois de seis meses de falta. Desde 2019, ele está na situação de "agregado" da Corporação, com os salários suspensos.
Ainda no ano passado, conforme o TJCE, o agente também foi condenado, "pelo Juízo da Vara de Auditoria Militar do Ceará, em abril deste ano, a dois anos e quatro meses de reclusão por não ter apresentado atestados médicos de forma presencial, pois estava fora do país à época dos fatos".