Acusado de matar dono de bar que não o permitiu levar garrafa e isopor vai a julgamento após 12 anos

Julgamento ainda não tem data para ocorrer. Réu foi preso somente 6 anos depois do crime

Escrito por
Messias Borges messias.borges@svm.com.br
José Romário de Sousa Monteiro, de 33 anos, deve sentar no banco dos réus do Tribunal do Júri para ser julgado por homicídio qualificado
Legenda: José Romário de Sousa Monteiro, de 33 anos, deve sentar no banco dos réus do Tribunal do Júri para ser julgado por homicídio qualificado
Foto: Natinho Rodrigues

O responsável por um assassinato motivado por uma discussão, após um proprietário de um bar, em Fortaleza, proibir que um cliente levasse consigo uma garrafa de bebida alcoólica e um isopor deve ser levado a julgamento 12 anos depois do crime. A decisão é da 1ª Vara do Júri de Fortaleza.

De acordo com a sentença de pronúncia a que a reportagem teve acesso, datada do último dia 1º de julho, José Romário de Sousa Monteiro, de 33 anos, deve sentar no banco dos réus do Tribunal do Júri para ser julgado por homicídio qualificado (por motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima) - com data ainda a ser definida. Na decisão, o juiz também manteve a prisão preventiva do réu.

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De acordo com o documento, José Romário matou Antônio Ari Ferreira Rodrigues (na época com 44 anos) a tiros, na manhã de 16 de abril de 2010, na Rua Edson Martins, bairro Bom Jardim, em Fortaleza.

A denúncia do Ministério Público do Ceará (MPCE) narra que Antônio Ari fazia faculdade e decidiu abrir um bar em casa para ajudar nas despesas do estudo. Naquele dia, ele havia aberto o bar às 5h30. Cerca de uma hora depois, o acusado chegou em uma motocicleta e pediu uma cerveja.

Romário disse a Ari que levaria a garrafa de cerveja e um isopor, o que não foi permitido pelo dono do bar. "Tudo muito rápido! Sem que ninguém esperasse, 'Romário' sacou de um revólver e friamente disparou por três vezes contra a indefesa vítima, havendo informações que os dois últimos disparos foram proferidos quando a vítima se encontrava ao solo, para logo em seguida empreender fuga", descreve o MPCE.

O crime foi presenciado pela esposa da vítima. Dois filhos do casal (de 10 e 5 anos à época) estavam na casa que ficava em cima do bar. A mulher contou à Polícia que o marido disse ao acusado que o mesmo queria lhe fazer de "otário" e pegou à força os itens do bar. Ao se virar, Ari foi baleado pelas costas, segundo ela.

No processo, a defesa de José Romário de Sousa Monteiro argumentou que "não existem indícios suficientes de autoria com relação ao crime imputado ao acusado. Isso porque a denúncia foi baseada apenas em depoimentos de testemunhas que não presenciaram o fato, que apenas dizem que foi o acusado por ouvirem dizer".

Prisão 6 anos depois

De acordo com documentos obtidos pelo Diário do Nordeste, José Romário de Sousa Monteiro passou mais de 6 anos foragido. Mesmo com mandado de prisão expedido pelo homicídio desde 2011, ele foi encontrado somente em 22 de junho de 2016.

Até o acusado ser localizado e detido, o processo criminal por homicídio esteve suspenso, durante os 6 anos. Com o cumprimento do mandado judicial, a suspensão foi revogada e o réu intimado a apresentar resposta à acusação.

Ao chegar ao Sistema Penitenciário do Ceará, José Romário se identificou como integrante de uma facção criminosa de origem paulista - que atua há anos na região do Grande Bom Jardim, em Fortaleza

Romário responde a outros dois processos por homicídios, na Justiça Estadual. "Há informações nos autos de que 'Romário' se trata de indivíduo bastante perigoso, afeito ao crime, respondendo a outros processos, inclusive outro onde é acusado da prática de homicídio, já tendo também contra si mandado de prisão expedido", narrou a denúncia do MPCE, logo após o assassinato de Antônio Ari.

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