"A gente conseguiu segurar essa doença", diz Mauro Albuquerque sobre balanço da Covid-19 nas cadeias

Conforme a Secretaria da Administração Penitenciária, três internos vieram a óbito pelo novo coronavírus

Detentos trabalhando dentro do presídio, mas com máscaras
Legenda: Detentos trabalhando dentro do presídio, mas com máscaras
Foto: SAP

"A gente conseguiu segurar essa doença". É o que afirma Mauro Albuquerque, titular da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), sobre o balanço de combate à Covid-19 nas cadeias do Ceará publicado pelo Órgão na manhã desta segunda-feira (20). Com ênfase nas medidas de segurança sanitária, a Instituição informou que mais de 5.000 testes para detectar o novo coronavírus já foram realizados. O número de internos mortos é de três.
 
De acordo com o secretário, as medidas tomadas pela SAP, desde o início da pandemia, foram capazes de frear a proliferação do vírus em uma escala maior à contabilizada. "Houve Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para todo mundo. Todos os presos do Ceará usam diariamente máscara. Houve a  grande testagem preventiva. Então, conseguimos pegar muitos assintomáticos."
 
Dentre as ações de enfrentamento ao novo coronavírus, Mauro Albuquerque rememora a criação da Enfermaria de Segurança Máxima, na qual foi disponibilizada 196 vagas para internos infectados, quatro leitos de observação e um de isolamento. O secretário reiterou que o centro nunca atingiu a capacidade máxima. 
 
"Hoje está com menos da metade. Como nosso atendimento é primário, todos que estão ali estão assintomáticos ou com sintomas leves da doença, senão estariam internados nos hospitais. Temos apenas três internos em outros hospitais, oriundos de outra doença", afirmou o secretário da SAP.
 
De acordo com a Instituição, 19 internos estão na Enfermaria Máxima de Saúde,  "com quadro leve e moderado da doença e cinco em isolamento e observação em enfermarias dos módulos de saúde de unidades do interior, o que dá um percentual de 0,1% de internos em tratamento, quando se compara à população carcerária do Estado."
 
Agentes infectados 
 
De acordo com o Órgão, há o registro atualmente de  22 policiais penais infectados pelo novo coronavírus, o que representa  cerca de 0,5% do efetivo de agentes do sistema prisional. A SAP afirmou ainda que um agente veio a óbito vítima da Covid-19. 
 
Conforme a Pasta, o policial penal estava afastado desde de novembro de 2019, para um tratamento de uma doença crônica, quando faleceu. A SAP disse também que já são 51 dias sem mortes de internos por Covid-19 e 15 dias sem contaminação de agentes na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).
 
Prevenção e números
 
O secretário pontuou ainda a testagem realizada pela SAP nos internos, agentes penitenciários e servidores. Segundo o Órgão, o Ceará é o estado que fez mais testes dentro do sistema carcerário, com 5.395. Para Mauro Albuquerque, tal ação preventiva foi essencial para frear o avanço do  novo coronavírus nas cadeias do Estado.
 
"Todo interno que entra é testado e ainda passa por uma quarentena. Detectamos que vários estavam contaminados e conseguimos cumprir essa demanda. Com isso, fizemos esse valor cair muito, com trabalho sério e empenho de todos. Várias ações somadas deram esse resultado positivo", afirmou o secretário.
 
Conforme a SAP, os testes, realizados dentro das unidades de triagem, "portas de entrada para o sistema penitenciário", permitiu a detecção de 58 internos admitidos nas cadeias do Ceará já infectados. Eles, informou a Instituição, foram levados imediatamente para a Enfermaria Máxima de Saúde.
 
Internos mortos por Covid-19
 
Três óbitos por Covid-19 já foram registradas no sistema penitenciário cearense. A morte mais recente foi confirmada pela SAP. A vítima era um interno de 77 anos, da Unidade Prisional Irmã Imelda Lima Pontes, que faleceu no dia 27 de maio deste ano.
 
Ainda no final de maio, a vítima fatal foi uma mulher de 48 anos, do Instituto Penal Feminino Auri Moura Costa (IPF), localizado em Aquiraz Instituto Penal Feminino Auri Moura Costa (IPF), localizado em Aquiraz. Já primeiro detento que morreu por Covid-19 tinha 36 anos e estava presa Casa de Privação Provisória de Liberdade Professor Clodoaldo Pinto (CPPL) II, em Itaitinga. Ele veio a óbito no dia 28 de abril.
 
Falta de informações 
 
No dia 17 de março, foi implementada oficialmente a suspensão de visitas nas unidades prisionais do Ceará. Com a suspensão de visitas, as famílias dos presos passaram a enfrentar dificuldades para receber notícias sobre os entes queridos encarcerados.
 
Em maio deste ano, a família de um dos internos da Casa de Privação Provisória de Liberdade (CPPL) III, em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), segundo a esposa dele, soube que o parente preso estava internado por conta da Covid-19 por meio do advogado, semanas depois
 
A SAP chegou a criar um projeto para que houvesse a troca de informações entre os detentos e as famílias deles, chamado 'Mensagem de Amor'. À época, mais de 4.000 cartas de familiares foram entregues aos prisioneiros e respondidas por eles. 

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