Volume do açude Castanhão sobe 15 centímetros desde a chegada das águas do São Francisco

Apenas nas últimas 24 horas, reservatório subiu 13 cm e registra 10,49% de capacidade. Acréscimo foi de 10 milhões de m³

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Legenda: Recentes chuvas e águas do São Francisco contribuíram para a carga no Castanhão
Foto: Honório Barbosa

O volume do açude Castanhão, o maior do Ceará, subiu 15 centímetros desde a chegada das águas do Projeto de Integração do Rio São Francisco (Pisf), no dia 10 deste mês, com reforço das recentes chuvas. Na data, apresentava 10,34% de sua capacidade (79,32 metros), e nesta quinta-feira (18), segundo monitoramento da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), contabiliza 10,49% (79,47 metros). Com isso, o reservatório teve acréscimo de 10 milhões de m³ entre os dias 10 e 18 deste mês.

A considerar apenas as últimas 24 horas, o açude subiu 13 centímetros, o que equivale a 8,7 milhões de m³. Para os próximos dias, a tendência é de aumento no nível do reservatório com o aporte do São Francisco, as esperadas chuvas e a cheia de outros rios, como o Salgado, em Icó.

A transposição libera 10 m³ entre o trecho emergencial do Cinturão das Águas do Ceará (CAC) e o riacho Seco, que deságua no rio Salgado. A água do Castanhão é estratégica para o abastecimento da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) - 4,5 milhões de moradores - e das cidades do Baixo Jaguaribe: Limoeiro do Norte, Russas, Quixeré, Palhano, Tabuleiro do Norte, Jaguaruana.

Tendência de aumento

Para os próximos dias, a tendência é de continuidade de aumento do volume, segundo o secretário Executivo da Secretaria de Recursos Hídricos (SRH), Aderilo Alcântara. “As águas da cheia do Salgado do fim de semana passado, em Icó, estão chegando ao reservatório, juntamente com as do São Francisco”, pontuou.

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Legenda: Maior reservatório do Ceará subiu 15 centímetros nos últimos 8 dias
Foto: Honório Barbosa

Sobre o recente registro de aumento no volume do Castanhão, Alcântara pondera que "a verificação em centímetros é relativa porque quando um açude está seco, tende a aumentar rápido na régua de medição das cotas com a chegada das primeiras águas. Quando (o açude) está cheio, para aumentar dez centímetros, por exemplo, exige muito mais água”. O aporte representa a chegada de água ao açude, enquanto que o volume significa a quantidade de água acumulada. No caso do Castanhão, a liberação atual é de 5,3 metros cúbicos por segundo.

Mesmo com o atual acréscimo, o secretário executivo da SRH explica que houve queda no 0,01% no volume entre os dias 15 e 17. "Isso se deve à perda por evaporação e por liberação de água em torno de 5m³ por segundo."

Evaporação

A perda de água também se dá pela evaporação. “O volume tem a ver com a diferença entre o aporte e a liberação de água”, reforçou o gestor Executivo da Secretaria de Recursos Hídricos (SRH), Aderilo Alcântara.

Segundo monitoramento da Cogerh, o Castanhão começou a reduzir volume em 10 de junho de 2020, quando chegou a 16,14%. A curva decrescente continuou até 1º de março passado, quando o volume do reservatório chegou a 10,11%. Desde então, a evolução tem sido pequena, como pode acompanhar no gráfico abaixo: 

Geólogo e gestor de recursos hídricos, Yarley Brito afirma que mesmo com uma grande vazão e significativo aporte, o açude Castanhão é um reservatório raso, que acelera o processo de evaporação.

“As perdas em trânsito até que são poucas porque o embasamento é cristalino. A água bate e escorre. O problema é quando para no lago. Quanto mais cheio, a evaporação é crescente, pois o espelho é maior”, detalha.

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Legenda: Segundo especialista, Castanhão é um reservatório raso, que acelera o processo de evaporação
Foto: Honório Barbosa

Esperança 

A vazão do rio Salgado, em Icó, subiu ainda mais nos últimos dias, passando de 45 metros cúbicos por segundo, no último dia 15, para 270 metros cúbicos por segundo às 6h da manhã desta terça-feira (16), a maior registrada neste ano. Os dados são da Agência Nacional de Água (ANA). O recurso hídrico segue em direção ao rio Jaguaribe e depois deságua na bacia do açude Castanhão.

O encontro das águas dos rios Salgado e Jaguaribe ocorre na localidade de Forquilinha, em uma área isolada e de difícil acesso, na zona rural de Icó. “É pouco conhecida, mas daqui em diante o rio Jaguaribe ganha força, aumenta o volume graças ao Salgado e às chuvas da região do Cariri”, explica o produtor rural, Antônio Oliveira. “Neste ano, temos a novidade das águas do (rio) São Francisco”.  

No distrito de Mapuá, cuja localidade está às margens do rio Jaguaribe, no município de mesmo nome, o nível da água continua subindo e a passagem dos moradores, motos e de mercadorias é feita por barcos. “Aqui a travessia é contínua”, disse o aposentado, Miguel Nogueira. O serviço é ofertado pela Prefeitura de Jaguaribe, sem custo para os habitantes.  

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Legenda: Chuvas das últimas 24 horas ajudaram na carga ao Castanhão
Foto: Honório Barbosa

Já pela água do São Francisco, o percurso até o Castanhão é longo a partir do desemboque do Riacho Seco, no “eixo emergencial” do Cinturão das Águas do Ceará (CAC). São 294,1 quilômetros de trajeto. A vazão oferecida pelo Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) é de 10 metros cúbicos por segundo, podendo chegar a 12m³/s nos próximos meses.

“Esperamos um aumento importante do volume do Castanhão com essa água até o final de semana”, comenta o secretário executivo da SRH, Aderilo Alcântara. “Se continuar chovendo bem na região do Cariri e mais a água advinda da transposição do (rio) São Francisco, a cheia do rio Salgado vai contribuir para a recarga do Castanhão”, acredita. No entanto, essa água, a partir do encontro do Jaguaribe com o Salgado, na zona rural de Orós, ainda demora cerca de cinco dias para alcançar a bacia do Castanhão. 

Irregularidade das chuvas

A preocupação de Alcântara é com as previsões dos institutos de meteorologia, que apontam maior chance de ocorrer chuvas abaixo da média nas regiões Centro-Sul e no Cariri.

“É no sul do Ceará onde está a nascente do rio Salgado, o principal curso de água que dá aporte ao Castanhão. Já estamos na segunda quinzena de março, que é o mês de maior registro médio de chuva, historicamente, no Ceará, e o cenário permanece irregular e desfavorável”. 

Em pouco mais da metade deste mês de março, a região do Cariri, onde está a sub-bacia do rio Salgado, que é o principal responsável pelo aporte do Castanhão, acumula 107,4 milímetros de chuvas, até agora. A normal climatológica para março é de 218,4 milímetros, ou seja, está 50,8% abaixo dela.

Apesar disso, a previsão da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) é otimista para os próximos três dias. Hoje, a tendência é de nebulosidade variável em todas as regiões eventos de chuva na faixa litorânea, no Maciço de Baturité e na Ibiapaba. Nas demais regiões, chuva isolada. Amanhã (18), segue com tempo nublado e eventos e precipitações em todas as regiões. Já na sexta-feira (19), mais uma vez aparece com nebulosidade variável em todas as regiões com eventos de chuva na Ibiapaba e no Litoral Norte. Nas demais regiões, chuva isolada.

Números dos açudes no Ceará

Hoje, o Ceará aparece com três açudes sangrando:

  • Caldeirões
  • Germinal
  • Barragem do Batalhão

Cinco açudes estão secos:

  • Seco Forquilha II
  • Madeiro
  • Mons. Tabosa
  • Pirabibu
  • Salão

Já em volume morto aparecem 13 reservatórios:

  • Adauto Bezerra
  • Barra Velha
  • Canafístula
  • Castro
  • Cipoada
  • JoaquimTávora
  • Pompeu Sobrinho
  • Potiretama
  • Riacho da Serra
  • São Domingos
  • Sousa
  • Trapiá II
  • Várzea do Boi
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