Vereadores de Fortaleza miram eleitorado do Interior para se elegerem deputados em 2022

Pelo menos, 17 parlamentares da Capital avaliam candidatura nas próximas eleições tanto para a Assembleia Legislativa como para a Câmara dos Deputados

Plenário da Câmara Municipal de Fortaleza
Legenda: Quase 40% dos vereadores de Fortaleza devem se candidatar nas eleições de 2022
Foto: Érika Fonseca/CMFor

A menos de um ano para as eleições de 2022, vereadores de Fortaleza aceleram movimentações para viabilizar candidaturas para a Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados no próximo pleito. Enquanto parlamentares da base governista trabalham a partir da inserção das lideranças dos partidos no Interior, vereadores da oposição têm buscado aproximação a partir de bandeiras comuns - como religião e pautas ligadas à segurança pública. 

Levantamento realizado pelo Diário do Nordeste, aponta que, pelo menos, 17 parlamentares da Câmara Municipal de Fortaleza articulam candidatura - equivalente a quase 40% dos vereadores da Capital. Outros, por sua vez, ainda esperam definições dos partidos para decidir se disputarão as próximas eleições. 

Repetindo o que ocorreu em 2018, quase metade desses nomes - cerca de oito vereadores - deve tentar integrar a bancada cearense na Câmara Federal. A estratégia busca fortalecer as chapas dos partidos para deputado federal - cargo essencial para que as legendas consigam ultrapassar a cláusula de barreira, que estará mais rígida em 2022

Mobilização nos municípios cearenses

Ligado ao deputado federal Capitão Wagner (Pros) - que deve concorrer ao Palácio da Abolição em 2022 -, o vereador Sargento Reginauro (Pros) tem feito visitas a municípios cearenses, como Caucaia e Banabuiú, para conversar com lideranças locais e a população das regiões. 

Ele, que pretende tentar uma vaga na Assembleia Legislativa, também tem realizado viagens a Brasília, onde tem se engajado em pautas relacionadas à segurança pública - bandeira importante do grupo político liderado por Wagner. 

 

Outros vereadores da oposição também têm visitado o Interior do Estado em busca de se aproximar do eleitorado fora da Capital. Candidata a deputada federal em 2018, Priscila Costa deve voltar a tentar uma cadeira na Casa. A vereadora tem realizado palestras e encontros com líderes evangélicos em diferentes cidades cearenses. 

Do Republicanos, tanto Carmelo Neto como Ronaldo Martins devem ser candidatos em 2022 - para deputado estadual e federal, respectivamente. Estreante em 2020, Carmelo têm participado de encontros e rodas de conversas em cidades cearenses ligadas à pauta de costumes e ideológicas - ancorado, inclusive, na atuação próxima ao presidente Jair Bolsonaro. 

Vereador mais votado na última eleição, Ronaldo Martins tenta voltar à Câmara Federal para a próxima legislatura. Presidente do Republicanos no Estado, ele tem realizado reuniões municipais do partido, além de encontro com líderes evangélicos nas cidades do Interior. 

Ainda na oposição, deve tentar cadeira na Assembleia Legislativa o vereador Danilo Lopes (Podemos), enquanto Julierme Sena (Pros) deve tentar, novamente, uma cadeira na Câmara dos Deputados. Muito ligado também à pauta de costumes e religiosas, apesar de não ser da oposição, o vereador Jorge Pinheiro (PSDB) também deve disputar a cadeira de deputado estadual. 

Encontros regionais

A inserção em outros municípios por meio de encontros partidários no Interior também é estratégia de parlamentares da base aliada do governador Camilo Santana. O PDT, por exemplo, tem feito encontros em diferentes regiões do Estado para discutir a candidatura ao Palácio da Abolição

Esse momento tem dado chance aos cinco pedetistas que pleiteiam disputar o Governo do Ceará em 2022 de se mostrarem ao eleitorado, mas também é chance para outros filiados do partido que irão concorrer às vagas no Legislativo. 

É o caso do presidente da Câmara Municipal, Antônio Henrique (PDT). Ele deve seguir os passos do deputado estadual Salmito Filho (PDT) - eleito em 2018, enquanto presidia o Legislativo da Capital - e tentar uma vaga na Assembleia Legislativa. No último domingo (21), ele participou do encontro regional do PDT no Maciço de Baturité. 

Outros pedetistas também avaliam a candidatura no próximo ano. A vereadora Ana Paula (PDT) pretende tentar uma cadeira na Câmara dos Deputados - em uma dobradinha com o marido e ex-vereador, Márcio Cruz, que irá tentar vaga como deputado estadual. "Estamos construindo a pré-candidatura enquanto partido e também enquanto representante da enfermagem", explica a parlamentar. 

Na última quarta-feira (24), o vice-presidente da Câmara Municipal, Adail Júnior (PDT) disse em Plenário que não será candidato a deputado neste ano. "Adail Júnior não é mais candidato pelo PDT, decidido", disse, em meio a desabafo por, segundo ele, ser "desprezado por todos os deputados eleitos do PDT".

Capilarização nos municípios

A maior capilaridade dos partidos também deve ser uma vantagem para vereadores de Fortaleza cujas legendas têm grande inserção em municípios do Interior. O PDT, por exemplo, é o partido com maior número de prefeitos eleitos em 2020 - com 66. O número garante uma importante rede de apoio para candidatos tanto a deputado estadual como municipal. 

Partido do governador Camilo Santana, o PT elegeu 18 prefeitos e tem diretórios municipais com forte atuação também no Interior. Da bancada na Câmara Municipal de Fortaleza, pelo menos dois petistas devem tentar uma vaga na Assembleia Legislativa: Larissa Gaspar e Guilherme Sampaio

Sampaio assumiu, em agosto, cadeira na Assembleia durante a licença do deputado Moisés Braz. Segundo ele, a passagem pela Casa "consolidou" a intenção de se candidatar no próximo ano. "O mandato (como deputado) projeta muito, abre interlocução com vereadores, prefeitos e lideranças no Estado, e permite debater e propor pautas estaduais", destaca.

Ainda na base governista, o vereador Wellington Sabóia (PMB) também deve tentar vaga de deputado estadual.

Preocupação com bancada federal 

A cláusula de barreira também é um fator importante na definição das candidaturas para as próximas eleições. Para alcançá-la, o partido precisa ter, pelo menos, 2% dos votos válidos distribuídos em um terço das unidades da Federação, ou conseguir eleger 11 deputados federais distribuídos em, pelo menos, nove estados.  

Por causa disso, o fortalecimento das chapas que irão disputar as vagas na Câmara dos Deputados tem sido prioridade nas legendas, tanto a nível federal como estadual. Licenciado do mandato na Câmara Municipal, Michel Lins (Cidadania), afirma que a candidatura como deputado federal tem esse objetivo. 

"Como a chapa para estadual está redonda, seria para reforçar e fortalecer a construção de chapa de federal, porque esse cargo tem o peso", explica. Além dele, o vereador Pedro França (Cidadania) - que assumiu a cadeira no legislativo municipal - também deve disputar a vaga de deputado federal.

Filiado ao PP, o vereador Emanuel Acrízio diz que também tem sido sondado para a disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados. "A intenção é somar voto para contribuir com o partido", detalha. 

Co-vereadora pelo mandato coletivo "Nossa Cara", Adriana Gerônimo (Psol) afirma que a bancada federal também é uma das preocupações da legenda psolista, apesar dos debates para as eleições de 2022 ainda não terem se iniciado no partido. 

"Temos o desafio de manter a cadeira na Assembleia e ampliar para pelo menos mais uma. Mas o maior desafio é o de compor a bancada do Psol a nível federal", ressalta. Ela disse que o seu nome está "à disposição do partido" tanto para a disputa estadual como federal. 

Também pelo Psol, o vereador Gabriel Aguiar tem sido um nome cotado para a disputa na Assembleia Legislativa.

 


Assuntos Relacionados