Novo presidente do PT Fortaleza nega divisão interna e diz que 'unidade não é unanimidade'
Ex-deputado estadual, Antônio Carlos foi eleito com quase 80% dos votos
O presidente eleito do PT Fortaleza, Antônio Carlos (PT) considera que "não há uma divisão" no partido após o fim do Processo de Eleição Direta (PED), que ocorreu neste domingo (6) e definiu os novos presidentes municipais, estaduais e nacional da sigla.
Apoiado por dois dos maiores grupos dentro do PT, Campo Popular e Campo Democrático, Antônio Carlos foi eleito com 6.088 dos votos válidos, o equivalente a 77,9% da votação. O resultado foi divulgado nesta segunda-feira (7).
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Logo após a confirmação da eleição, em conversa com o PontoPoder, ele atribuiu a vitória por ampla maioria ao "trânsito" e "respeito" que possui por parte da militância petista e também de dirigentes e dos quadros partidárias.
Antônio Carlos reforçou ainda o consenso construído em torno de seu nome e que a unidade do PT foi preservada após essa disputa interna. "Unidade é diferente de unanimidade. Unidade é como você consegue um consenso máximo, juntando uma série de forças e nós conseguimos uma unidade muito grande", disse.
Ele reforçou ainda que o partido não sai dividido do PT. "Eu acho que nem estava dividido. (...) O que houve foi a legitimidade de se colocar chapas, colocar candidaturas e, passadas as eleições, a gente vai construir essa luta permanente. O PT funciona assim", completou.
A vereadora Mari Lacerda (PT), pelo Campo Popular, e o professor universitário e militante histórico do PT, Eudes Baima, também concorreram à presidência do PT Fortaleza. Eles tiveram 1.499 e 219 votos, respectivamente.
'Dialogar sempre'
O novo presidente do PT Fortaleza reforçou ainda que irá "dialogar sempre", com "respeito a todos os quadros militantes". Isso inclui alas do partido que têm feito críticas aos processos internos do PT, inclusive o grande número de filiações do partido durante a Campanha Nacional de Filiações, entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025.
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Uma das principais vozes críticas tem sido da deputada federal Luizianne Lins (PT), que lidera o Campo da Esquerda. A ex-prefeita de Fortaleza disse não sabe "que PT vai sair das urnas" após o PED.
"Luizianne é uma companheira extraordinária, valorosa, pela qual eu tenho um carinho extraordinário, um quadro político de grande envergadura", ressaltou. "Nós vamos dialogar bastante", disse ele, citando também os candidatos derrotados, Mari Lacerda e Eudes Baima.
"Todos e todas são muito importantes. O resultado da eleição é o resultado que expressa a força de uma unidade, de um conjunto de companheiros e companheiros. O que não significa que setores que não lograram êxito, do ponto de vista do processo interno, não mereçam o respeito e a atenção do diálogo".
Antônio Carlos aproveitou ainda para agradecer aos apoios recebidos pela candidatura dele, incluindo o atual presidente do PT Fortaleza, deputado estadual Guilherme Sampaio (PT), a quem afirma que dará "continuidade". Ele falou ainda sobre outras lideranças que apoiaram durante a campanha.
"Esse conjunto de forças que decidiu me apoiar, eu fico muito grato. De lideranças importantes, do governador Elmano, do prefeito Evandro, do próprio senador Camilo. Da militância toda, de um grupo mais significativos de deputados e deputadas estaduais, de deputados federais, é uma força muito significativa. Acho que o nosso nome acabou, de certa forma, tendo uma influência nisso, porque a gente goza de um respeito e de um carinho, que é recíproco, de todos e todas que fazem o PT", disse.
Segundo o calendário eleitoral do PT, as direções municipais devem tomar posse até o dia 14 de setembro.