"Estou incomodado politicamente", diz Roberto Pessoa sobre deixar o PSDB e ir para o União Brasil

Grupo político ligado ao prefeito de Maracanaú também deve migrar para nova sigla; confira entrevista completa

Escrito por Jéssica Welma e Luana Barros, politica@svm.com.br

PontoPoder
Roberto Pessoa foi eleito prefeito de Maracanaú pela terceira vez
Legenda: Roberto Pessoa foi eleito prefeito de Maracanaú pela terceira vez
Foto: Fabiane de Paula

O prefeito de Maracanaú, Roberto Pessoa (PSDB), deve se antecipar às alianças partidárias nas eleições de 2022 e deixar o PSDB. De olho na eleição de 2022, onde aliados irão disputar tanto a Assembleia Legislativa como a Câmara dos Deputados, o gestor afirma que ele e seu grupo político avaliam migrar para o União Brasil - a ser formado pela fusão do DEM e do PSL, ainda não oficializada.

O principal motivo, segundo ele, é o apoio à pré-candidatura de Capitão Wagner (Pros) ao Palácio da Abolição, o que não deve ser acompanhado pela sigla tucana. 

Em entrevista exclusiva ao Ponto Poder, o gestor municipal também falou das prioridades para Maracanaú em 2022. Dentre elas, a melhorias na Educação, com ampliação da estrutura da rede municipal de ensino, além de medidas para incentivar a vacinação de crianças contra a Covid-19, iniciada neste ano. 

Confira a entrevista completa:

O senhor está iniciando o seu segundo ano de gestão, nesse ano que começa com essa expectativa da vacinação das crianças. Além das ações na Saúde, quais são as prioridades para 2022? 

A prioridade é a Educação. Sem a Educação não temos nada, não temos futuro. Nós estamos fazendo dez escolas de tempo integral, três deles creche. Temos um déficit de 4,5 mil crianças de 0 a 3 anos sem creche, que já vamos cobrir a partir de 1° de fevereiro. No decorrer do mandato, faremos creche de tempo integral com as entidades conveniadas e com os prédios da Prefeitura. Adquirimos oito escolas que eram alugadas, o que vai dar uma qualidade bem maior. Vamos colocar ar-condicionado em todas as salas de aula, para dar conforto e privacidade para todas as salas, tanto para o professor como para o aluno. 

E também fortalecer a Universidade Operária, que é um case na Educação no Estado do Ceará, e também a Escola de Línguas. (Além disso) Iremos construir duas escolas cívico-militares: uma no Novo Maracanaú e a outra na Pajuçara. 

Para dar suporte a toda essa nova estrutura que Maracanaú tem na Educação, há expectativa de concurso ou contratações nessa área?

Temos que fazer concurso para professor, porque temos muitos se aposentando e estamos ampliando também a rede escolar. Nós temos 42 mil alunos na rede escolar municipal, um número maior do que metade das cidades do Ceará em população. Então, é um esforço muito grande.Temos professores e diretores bem entusiasmados... Eu me reúno todo mês com os 82 diretores das escolas para fazer a gestão escolar.

Eles ouvindo o prefeito e o prefeito ouvindo, porque quem entende das escolas são os diretores. Cada bairro tem uma peculiaridade, nós temos que saber a peculiaridade. Nós temos o programa PAE, que é um programa de autonomia escolar, onde o diretor é quem recebe os recursos referentes à escola e ele custeia a reforma, as atividades de custeio da escola. Esse é um programa muito bom. 

O município está iniciando a vacinação das crianças. O que mais está previsto de fomento, de ação para reforçar a saúde da população em meio a pandemia?

A vacinação das crianças é urgente, até porque tem vacina. O Butantan aprovou agora a Coronavac e tem a Pfizer, então a vacina vai ter. Então, tem que essa vacina estar no braço das crianças urgente. As aulas em Maracanaú vão começar agora, então estou fazendo convênio com as escolas e a Secretaria de Saúde para vacinar nas escolas, com autorização da população. E vai ter um prêmio. Quem se vacinar vai passar o dia em um parque que temos em Maracanaú, que é a miniatura do Beach Park. Passar o dia, com acompanhante como prêmio pela família ter dedicado essa vacina, que salva. 

Eu não sei porquê as pessoas ainda não estão procurando os postos de saúde, que funcionam até 10 da noite, mas o fluxo ainda é pequeno. Para ter uma ideia, a primeira dose em Maracanaú já temos quase 85% (da população vacinada). A segunda está chegando a 75%, mas a dose de reforço, que já temos a vacina, está apenas com 17% ou 18% da população (vacinada).

Só quem cura essa doença é a vacina, quem diz isso são cientistas do mundo todo. Então pessoal, pelo amor de Deus, a vacina tem, procure os postos de saúde para que possamos avançar em Maracanaú e acabar com essa doença. Só acaba com a vacina, porque se continuar um passando para o outro, vai criando cepas. As cepas vão para as pessoas que não estão imunizadas.

Estamos em ano eleitoral e o senhor é uma importante liderança política, não apenas na Região Metropolitana, em Maracanaú, mas também tem influência no Estado todo, com muitos contatos em todas as regiões. Como está a estratégia do seu grupo político? Se há expectativa de mudança no partido, já se ouve nos bastidores a possibilidade de ir para o PL e deixar o PSDB. Como está essa articulação?

O meu grupo político apoia Capitão Wagner, que é o candidato da oposição ao Governo do Estado. E meu partido PSDB, pelo que eu estou entendendo, não vai apoiar o Capitão Wagner e, se não vai apoiar, fica muito ruim eu criar uma dissidência dentro do partido. Então, é melhor eu sair.

'Os incomodados que se retirem', tem o ditado né? Estou incomodado politicamente. Sou muito amigo do Tasso (Jereissati) e de todos os meus colegas de partido. Então, nós vamos talvez para esse partido, o União Brasil. 

A expectativa, então, é ir para o União Brasil?

A minha filha (Fernanda Pessoa, deputada estadual), o Firmo (Camurça)... O Firmo vai ser candidato, meu ex-prefeito (de Maracanaú) vai ser candidato a deputado estadual, minha filha, a Fernanda que tem três mandatos na Assembleia, irá pleitear o cargo de deputado federal e eu fico ali, como conselheiro político, atendendo as demandas dos meus outros companheiros do Interior do estado.