Candidatura própria e ameaças da oposição: os dilemas dos partidos aliados de Camilo para 2022

A ampla base aliada é desafio para o governador Camilo Santana na eleição de outubro

Camilo Santana, Lula, Luizianne Lins, José Airton, Guimarães
Legenda: Desafio de Camilo Santana começa dentro do próprio partido, o PT, que diverge sobre candidatura própria ao Governo
Foto: Reprodução

O governador Camilo Santana (PT) vai precisar reforçar o diálogo se quiser manter na base a ampla aliança de partidos que sustenta a gestão. Se a união das legendas tem ajudado o petista a governar, por outro lado o jogo de cintura vai ser exigido do governador para manter todo mundo junto na eleição de outubro.

Em meio à indefinição do PDT para a escolha de um nome que lidere a disputa na sucessão de Camilo, aliados próximos ao governador iniciam um movimento de candidatura própria no interior do Estado. Enquanto isso, outras siglas são ameaçadas pela oposição ligada ao presidente Jair Bolsonaro (PL).

Quem ainda não desistiu da ideia de ser governador do Ceará é o ex-senador Eunício Oliveira (MDB). Próximo a Camilo, o emedebista, que tem se alimentado de pesquisas internas, tenta aproximação do PT para se arriscar em uma chapa majoritária. O objetivo, segundo ele, é garantir um palanque para o ex-presidente Lula.

"Se tiver uma composição com o PT, o MDB terá candidato próprio. Em não havendo, o MDB vai avaliar o que for melhor do ponto de vista do partido, do ponto de vista geral e sabendo todos que o meu posicionamento partidário no Estado é o alinhamento com o presidente Lula, não é com o PT", disse no início deste mês o presidente estadual do MDB.

A aliança, no entanto, é pouco provável, já que a prioridade do governador é manter uma aliança com o PDT, de Ciro Gomes e Cid Gomes, desafetos políticos de Eunício Oliveira. O plano B do ex-senador é uma cadeira na Câmara dos Deputados.

Outro aliado de Camilo que também se movimenta pelo interior do Estado e quer ser considerado como pré-candidato pelo grupo governista é o ex-secretário de Cidades, Zezinho Albuquerque (PDT). 
Desde que deixou a pasta, no dia 31 de dezembro, Zezinho tem conversado com aliados.

Nos últimos dias, o deputado estadual visitou os municípios de Massapê, Santana do Acaraú, Jaguaribe, Russas, Limoeiro do Norte e Itatira. O pedetista também recebeu prefeitos aliados e lideranças regionais.

Disse que o "momento é para ficar atrás de voto" e deve continuar a saga pelo interior. Pedetista, o deputado estadual não descarta filiação ao Progressistas, comandado pelo filho, deputado federal AJ Albuquerque, no Ceará.

Uma das principais moedas de troca com o grupo governista, além das prefeituras aliadas no interior, é o Progressistas na chapa. O partido, que é comandado pelo filho dele, deputado federal AJ Albuquerque, é próximo ao presidente Jair Bolsonaro (PL) em âmbito nacional e pode não estar garantido na base do governador em outubro.

Zezinho, porém, prefere adotar um tom cauteloso sobre os rumos do partido. O deputado prefere esperar as articulações se encaminharem naturalmente e tem a expectativa de não haver interferências nacionais nas futuras relações locais.

O ex-vice-governador Domingos Filho (PSD) não esconde o desejo de ocupar a chefia da Abolição. Publicamente ele se coloca como opção da extensa base aliada para liderar a disputa.

O ex-deputado diz que o tamanho do PSD no Estado, terceira maior força partidária, dá condição para esse objetivo.

Naturalmente as composições majoritárias se dão em função das forças dos partidos. O PSD, dentro do arco de aliança que nós fazemos parte, liderados por Camilo e Cid, tem colocado essa pretensão (ser candidato a governador) respeitando os demais partidos compreendendo que é natural dentro do tamanho do partido que temos
Domingos Filho (PSD)
Ex-vice-governador

É interessante lembrar que não tão distante assim o grupo liderado pelo ex-conselheiro do extinto Tribunal de Contas dos Municípios fez oposição aos irmãos Ferreira Gomes. Agora, com a proximidade do deputado federal Domingos Neto com o governo federal, o PSD ganhou força no interior do Ceará com recursos da chamada emendas de relator.

Desafio

Outra preocupação do governador Camilo Santana é o PL, que hoje segue nas mãos do aliado Acilon Gonçalves, prefeito de Eusébio, mas que pode a qualquer momento ser entregue ao deputado estadual André Fernandes, aliado de primeira ordem do presidente Bolsonaro no Ceará.

Na tentativa de manter o controle do partido, Acilon chegou a colocar o próprio nome como pré-candidato a governador. No entanto, é difícil acreditar que o prefeito tenha pretensões reais de disputar o Palácio do Abolição, apesar da força regional que tem com prefeituras do litoral leste cearense.

Conversas

Na última quinta-feira (13), o Partido dos Trabalhadores filiou 12 prefeitos. Nos bastidores, o que se comenta é que foi uma articulação do governador Camilo Santana.

O petista se antecipou, em meio às indefinições com o PL, e tirou três prefeitos do partido: Wilamar Palacio, de Cariús; Marcondes Jucá, de Choró; e Meu Deus, de Santana do Acaraú.

A agremiação também filiou o prefeito Joerly Vitor, de Aratuba, que estava no Republicanos, além de nomes da base, como PDT, PCdoB, MDB e PSB. O PT, agora, se tornou a segunda maior força no Estado, com o governador garantindo maior influência na legenda.

Durante ato de filiação, o deputado federal José Guimarães, que é vice-presidente nacional do PT, disse que as filiações ocorrem com muito diálogo e que a intenção de manter a aliança com o PDT permanece.

"(As filiações ocorrem) Pensando em consolidar a aliança para dar continuidade às vitórias do governo Camilo, fortalecer nossas bancadas e a campanha do Lula. A vinda desses prefeitos tem um significado grande, fortalece nosso projeto e a ideia de continuidade do governo Camilo", declarou o petista.


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