Cassação de Flordelis foi rejeitada por sete deputados; saiba quem votou contra

O grupo minoritário é formado por parlamentares de direita, centro e o de esquerda Glauber Braga (PSOL-RJ)

deputada federal Flordelis dos Santos Souza
Legenda: Eram necessários 257 votos favoráveis para que ela perdesse a vaga na Câmara, sendo que, ao todo, 473 deputados votaram a favor da cassação
Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

A deputada federal Flordelis dos Santos Souza (PSD-RJ) teve o mandato cassado nesta quarta-feira (11). Ela é acusada de ser a mandante do assassinato do marido, o pastor Anderson do Carmo, em junho de 2019. Sete políticos foram contra a cassação da cantora gospel. O grupo minoritário é formado por parlamentares de esquerda, direita e centro.  

O único a se manifestar sobre o voto foi o parlamentar de esquerda Glauber Braga (PSOL-RJ). Usando o perfil oficial no Twitter, ele justificou o voto afirmando que não identificou quebra de decoro parlamentar por parte de Flordelis — razão por qual foi cassada. 

O deputado ainda esclareceu que não é favorável a uma agenda punitiva, já que a deputada não foi condenada pelas acusações a quais responde na Justiça. 

Glauber Braga tweet
Foto: reprodução

"Poderia votar Sim? Poderia. Politicamente é o que geraria menos desgaste? Com certeza. Eu me sentiria bem? Não. Me sentiria covarde por estar caminhando contra as minhas convicções. Nem no dia do advogado, nem em nenhum outro dia é o exemplo que quero dar pro meu filho" 
Glauber Braga (PSOL-RJ)
deputado federal

Antes da abertura do pleito que definiu a cassação de Flordelis, Braga propos que fosse votada a suspensão do mandato da parlamentar — e seria mantida até que saísse a decisão do Tribunal do Júri do Rio. Mas, segundo ele, a proposta não foi aceita pelo presidente da Casa legislativa, Arthur Lira (PP-AL). 

Painel de votação contrária a cassação de Flordelis
Legenda: Painel de votação contrária à cassação de Flordelis
Foto: reprodução

Conforme a Veja, Lira disponibilizou espaço para que emendas fossem apresentadas, no entanto, elas necessitavam ter, no mínimo, 103 assinaturas de congressistas.    

Três deputados do centro também foram contrários que Flordelis se afastasse da vaga na Câmara. São eles: Carlos Gaguim (DEM-TO), Dimas Fabiano (PP-MG) e Fausto Pinato (PP-SP). Os parlamentares de direita  Jorge Braz (Republicanos-RJ), Leda Sadala (Avante-Amapá) e Maria Rosas (Republicanos-SP) encerram o grupo dos políticos que votaram contra a cassação. 

Eram necessários 257 votos favoráveis para que ela perdesse a vaga na Câmara, sendo que, ao todo, 473 deputados votaram a favor da cassação, 12 se abstiveram e os sete foram contra. 

A cassação do mandato já havia sido aprovada pelo Conselho de Ética da Câmara em junho, mas o plenário da Casa deveria votar pelo resultado. Para perder a vaga, eram necessários 257 votos favoráveis.

Código de Ética da Câmara dos Deputados

Apesar de o processo criminal ainda não ter sido julgado, os deputados consideraram que a parlamentar, ré na Justiça após acusação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), feriu o Código de Ética da Casa ao longo do caso.

O deputado Alexandre Leite (DEM-SP), relator do processo, considerou que provas obtidas após quebra de sigilo e depoimentos dados ao Conselho de Ética e à Polícia indicam a participação ativa da parlamentar no planejamento da morte do marido, o pastor Anderson do Carmo. O crime ocorreu em junho de 2019.

Crimes

A deputada responde por quatro crimes: homicídio triplamente qualificado (por motivo torpe, emprego de meio cruel e de recurso que impossibilitou a defesa da vítima), tentativa de homicídio, uso de documento falso e associação criminosa armada.

Ela nega participação na ação criminosa, alega ser vítima de uma injustiça e argumenta que o caso ainda não foi analisado pela Justiça.