Candidato a vereador é atacado durante live e depois assassinado em MG

O suspeito do crime, que está foragido, é Jorge Marra, secretário municipal de obras e irmão do atual prefeito do município de Patrocínio

Remis
Legenda: Cássio Remis, a vítima, fez uma live criticando a prefeitura momentos antes de ser assassinado
Foto: Facebook/Reprodução

Cássio Remis (PSDB), candidato a vereador no município de Patrocínio, em Minas Gerais, foi assassinado a tiros na tarde da última quinta-feira (24) depois de fazer uma live criticando obras que estavam sendo realizadas pela prefeitura. Remis, de 37 anos, estava em frente a uma casa em que, segundo ele, poderia começar a funcionar o comitê de campanha de seu adversário político na cidade, o prefeito Deiró Marra (PSB), ex-deputado estadual.

De acordo com a Polícia Militar do município, o suspeito de ter cometido o crime é Jorge Marra, secretário de Obras da cidade e irmão do prefeito. Ele está foragido. Na live, é possível ver o candidato, que também é presidente do PSDB em Patrocínio, falando sobre as obras. Cássio Remis para durante a gravação e começa a filmar um homem que desce de uma caminhonete, vai em sua direção e pega seu celular.

Segundo a PM, em seguida o candidato foi à Secretaria Municipal de Obras para tentar recuperar o aparelho, quando foi atingido e morto nas proximidades do imóvel em que a pasta funciona. A polícia fez buscas para localizar o secretário. Cássio Remis já foi vereador e presidiu a Câmara Municipal de Patrocínio.

Na transmissão ao vivo que fez antes de morrer, o candidato acusava a prefeitura de colocar equipamentos públicos para obras que beneficiariam o prefeito, candidato à reeleição no município. "Estamos aqui na avenida que está servindo para reforma (sic) e para nossa surpresa, mas não para nossa estranheza, nós nos deparamos desde ontem com um arsenal de funcionários da prefeitura sendo utilizados para fazer o calçamento de onde possivelmente será o comitê do prefeito Deiró Marra", comentou a vítima na live.

Ao perceber a chegada do homem que desce da caminhonete, o candidato retira o telefone, que parecia estar sobre um tripé, passa a filmar a pessoa que se aproxima e diz: "tá agora o secretário. Chegaram aqui para me agredir. Entendeu?". Há uma discussão, mas inaudível. O telefone parece cair. Em seguida, o secretário teria conseguido deixar o local levando o aparelho. Ao tentar recuperá-lo na secretaria, o candidato foi morto.

O presidente estadual do PSDB, deputado federal Paulo Abi-Ackel, divulgou nota sobre o assassinato do candidato. "O PSDB de Minas Gerais manifesta seu mais profundo repúdio à extrema violência que se abateu sobre o presidente municipal do PSDB de Patrocínio Cássio Remis dos Santos, de 37 anos. Nenhuma divergência política justifica a substituição do debate e das diferenças por meios violentos, ainda mais em se tratando de vidas humanas", afirmou.

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