Rabelo faz pedido de recuperação judicial

Entrada no processo ocorreu na 2ª Vara de Recuperação de Empresas e Falências do Fórum Clóvis Beviláqua

Escrito por Redação,

Negócios
Legenda: Advogado do Grupo informou que a rede de lojas entrou em uma crise sem igual no período pós-impeachment da presidente Dilma Rousseff

A 2ª Vara de Recuperação de Empresas e Falências do Fórum Clóvis Beviláqua recebeu na última quarta-feira (24) a entrada do pedido de recuperação judicial do Grupo Rabelo. Em nota, o Grupo confirmou a informação. Sob a tutela do juiz Cláudio de Paula Pessoa, o processo tem ação no valor de R$ 158.389.705,52.

"Embora a recuperação judicial não estivesse inicialmente nos planos do Grupo, a queda nas vendas ao longo dos últimos anos, impulsionada pela crise econômica generalizada que afeta o nosso País, tornou necessária a adoção de uma medida legal e eficiente para a manutenção das atividades da empresa, preservação dos empregos de centenas de funcionários e seguimento de uma das marcas de maior reputação do Estado do Ceará, não restando outra alternativa senão buscar guarida na Lei nº 11.101/05 (Lei de Recuperação de Empresas)", informou, em nota, o advogado do Grupo, Roberto Lincoln.

O objetivo, segundo acrescenta, é viabilizar a reestruturação da empresa, que tem sede no Ceará e atua mais sete estados do Nordeste. "Possibilitará à Rabelo renegociar de forma isonômica suas dívidas junto aos credores, e implementar medidas de aprimoramento gerencial aptas a permitir a retomada do crescimento que acompanhou o Grupo ao longo das últimas décadas", afirma.

Boatos rechaçados

Há cerca de um mês, quando um grupo de funcionários e o Sindicato dos Comerciários promoveram uma manifestação em uma loja da Rabelo no Centro de Fortaleza, boatos sobre a falência da empresa começaram a surgir nas redes sociais.

Contatado, o Grupo desmentiu os boatos e afirmou a continuidade das atividades da rede de lojas de móveis e eletrodomésticos no Ceará e demais estados.

Na ocasião, o Grupo mencionou a crise econômica como e "o momento financeiro bastante delicado" como motivo de redução em diversos setores produtivos e causador de medidas estratégicas para reestruturação dos negócios na empresa do ramo, mas rechaçou a informação de que poderia falir.

Histórico

As lojas Rabelo de móveis e eletrodomésticos tiveram início em 1993, quando a primeira unidade foi inaugurada no Shopping Iguatemi Fortaleza pelo empresário João Rabelo. O sucesso nas vendas o motivou a abrir outras lojas no Centro de Fortaleza e, poucos anos depois, no Interior do Estado, até, em 2012, iniciar a expansão da rede em outros estados do País. "Diante do cenário econômico e do comportamento do segmento de eletrodomésticos no Brasil pós-impeachment, o Grupo Rabelo passou a vivenciar uma crise nunca antes experimentada, empregando todos os meios extrajudiciais possíveis para manter os compromissos assumidos, visando a atender os interesses dos seus fornecedores e funcionários", conta o advogado do Grupo.

Isso fez com que o faturamento da empresa despencasse entre 2014 (R$ 702,25 milhões) e 2016 (R$ 278,08 milhões), assim como o número de lojas, que saiu de 102 em 2014 para apenas 35 em 2017. Por fim, Roberto Lincoln lembra ainda os diversos prêmios por vendas e o reconhecimento por a Rabelo ter sido umas das maiores contribuintes do Estado do Ceará por 3 anos consecutivos.