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Fibras são alternativas ao amianto

Escrito por
Redação producaodiario@svm.com.br
Em relação ao descarte, o material de fibra sintética é reciclável, podendo ser reaproveitado

O Brasil nunca esteve tão engajado quando o assunto é construção sustentável. E a indústria de fibrocimento acompanha esse desenvolvimento com a disseminação das fibras alternativas em substituição ao amianto - mineral comprovadamente cancerígeno, - para a aplicação em fibrocimento (cimento reforçado), produto usado em telhas, painéis, caixas d´água e outros produtos.

As fibras alternativas substituem com eficiência o amianto na produção de telhas FOTO: DIVULGAÇÃO

As fibras alternativas, Poli Álcool Vinílico (PVA) e Polipropileno (PP) que, desde 2005, são conhecidas e normatizadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) já são fabricadas em larga escala no Brasil, inclusive com capacidade de atender toda a demanda doméstica, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias e Distribuidores de Produtor de Fibrocimento (Abifibro), entidade que representa o setor.

Sem impacto

O Brasil já está pronto para essa mudança. Um estudo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o primeiro realizado por uma universidade sobre o uso de fibras alternativas na indústria do fibrocimento, atesta que não haverá impacto significativo na economia brasileira com o banimento do amianto na construção civil do País. O estudo verificou que as atividades da cadeia produtiva não sofrerão descontinuidade e não haverá impacto sobre emprego, renda e arrecadação de impostos.

Além disso, os custos são compatíveis e tendem a se tornarem ainda mais competitivos quando houver demanda maior por esses produtos. Hoje, até mesmo as grandes fabricantes de produtos com amianto já dominam a tecnologia das fibras sintéticas e, muitas vezes até oferecem esse tipo de material como "linhas premium". Ou seja, a transição é simples.

Segundo o presidente da Abifibro, João Carlos Duarte Paes, o Brasil vive um momento de crescimento, investimentos em melhorias e em tecnologia que o torna cada vez mais competitivo. "A substituição do amianto por fibras alternativas nos produtos de fibrocimento significariam um grande passo do País em termos de sustentabilidade, ou seja, na geração de benefícios econômicos, sociais e ambientais", afirma Duarte Paes.

Alternativas

Em relação ao produto, Duarte explica que o fibrocimento ou cimento reforçado é encontrado em telhas, painéis, caixas d´água e outros produtos. Inicialmente, as fibras usadas na composição do fibrocimento eram de amianto, mineral reconhecido internacionalmente como cancerígeno. Hoje, o País já conta com alternativas sintéticas _ fibrocimento composto com fios PVA e PP, fibras reconhecidas pelo Ministério da Saúde como seguras.

Desde 2005, a tecnologia para uso das fibras alternativas é conhecida e normatizada no Brasil pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Normas internacionais similares já existem há mais de dez anos.

Em relação ao descarte, o fibrocimento feito com amianto entra na categoria D dos resíduos perigosos e seu descarte requer um processo diferenciado e custos altos. Já os feitos com fibras sintéticas de PP ou PVA não são considerados materiais perigosos. Além disso, são recicláveis, podendo ser reaproveitados.

Banimento

O Brasil ainda não faz parte do rol dos 60 países que baniram o uso de todos os tipos de amianto, entre eles, o crisotila ou amianto branco, mineral comprovadamente cancerígeno. Apesar de alternativas mais saudáveis, mesmo após ter assinado o acordo na Convenção OIT 162, se comprometendo a substituir o produto, o Brasil ainda não extinguiu seu uso.

A Internacional Green Building Council aponta o nosso País como o quarto do mundo no ranking mundial de construções sustentáveis, atrás dos Estados Unidos, China e Emirados Árabes.

Legislação

Apesar da lei federal 9055/95, que restringe e controla o uso do amianto, cinco estados contam com leis que proibem o uso do mineral: São Paulo, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Pernambuco e Rio Grande do Sul. As leis estão suspensas para que seja examinada a sua constitucionalidade ou não no Supremo Tribunal Federal (STF).

Os primeiros registros de uso do amianto datam de três mil anos antes de Cristo. Gregos, egípcios e chineses teriam usado as fibras de amianto na confecção de tapetes e tecidos. Consta que finlandeses teriam misturado o amianto com argila para produzir panelas mais resistentes ao fogo e à tração mecânica.

O fibrocimento foi inventado em 1900 por Ludwig Hatschek. A mistura de cimento e fibras de amianto, na proporção de 9 para 1, fez o mercado multiplicar a produção de telhas, tubos e divisórias, revolucionando a construção civil. Em 1929 foi desenvolvido o processo de produção de tubos de fibrocimento para a distribuição de água potável.

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