Conj. Palmeiras tem o menor índice de renda de Fortaleza
Com base no último Censo, Prefeitura cria indicador que mapeia os bairros em melhor e pior situação econômica
Em levantamento realizado pela Prefeitura de Fortaleza, o Conjunto Palmeiras foi apontado como o bairro com pior renda média mensal da Capital, ao receber a nota 0,010, em índice que varia de zero (mínimo) a um (máximo). O bairro mais bem classificado, por sua vez, foi o Meireles, com 0,953.
A pesquisa teve como base dados do último Censo Demográfico, coletados em 2010 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os resultados confirmam levantamento semelhante feito pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica (Ipece) em 2012, que também usou os dados do Censo e colocou o Conjunto Palmeiras no topo das piores rendas (média per capita mensal de R$ 239), e o Meireles no topo das maiores rendas (R$ 3,65 mil).
O índice da Prefeitura, calculado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), é chamado de IDH-Renda, que ao lado de outros dois índices (IDH-Educação e IDH-Longevidade), compõem um índice geral de desenvolvimento humano dos bairros, com nome de IDH-B. O indicador que trabalha com a renda foi medido a partir dos rendimentos médios mensais de pessoas com 10 anos ou mais de idade residentes em cada um dos 119 bairros de Fortaleza, com base na cotação do real em 1º de agosto de 2010. A equipe da SDE responsável pela elaboração do estudo disse, no entanto, que o aspecto renda é o que mais impacta no cálculo que define o índice geral de IDH, tanto que os primeiros colocados do IDH-Renda são os mesmos do IDH-B.
Mais pobres
A lista dos 10 bairros com menores índices no quesito renda é preenchida, na ordem, por Parque Presidente Vargas (0,014), Canindezinho (0,025), Siqueira, Genibaú (0,027), Granja Portugal (0,028), Pirambu (0,030), Granja Lisboa (0,030), Autran Nunes (0,032).
Todos eles, inclusive o Conjunto Palmeiras, localizam-se nas Regionais IV e V, consideradas as mais pobres da Cidade. No levantamento do Ipece, a Regional V tem a menor renda per capita, com uma média de R$ 471. Lá está a maior parte da população: 22,1% (541,5 mil pessoas). A Regional IV vem logo atrás, com uma renda média de R$ 845, menos da metade da primeira colocada, a Regional II (R$ 1,85 mil).
Mais ricos
A lista dos 10 bairros com maiores índices contam, além do Meireles, com Guararapes (0,950), Cocó (0,894), De Lourdes (0,869), Aldeota (0,778), Mucuripe (0,732), Dionísio Torres (0,722), Varjota (0,560), Praia de Iracema (0,486), e Fátima (0,443). Destes, apenas o último, localizado na Regional IV, não está na Regional II. Segundo o levantamento do Ipece, 26% da renda total de Fortaleza estão concentrados nos dez bairros mais ricos, que representam apenas 7% da população.
Incentivos fiscais estão na pauta da Prefeitura
Por conta dos baixos índices de renda na maior parte dos bairros periféricos da Capital, o secretário de Desenvolvimento Econômico de Fortaleza, Robinson de Castro, afirmou que a pasta já iniciou um estudo para viabilizar incentivos fiscais às empresas que manifestarem interesse em se instalar nas áreas mais pobres, pois, dessa forma, gerariam emprego e renda para os moradores, elevando os índices.
"Cabe à nossa secretaria trazer novos negócios para cá, então nós vamos privilegiar aquelas empresas que se instalarem nesses bairros, para gerar desenvolvimento e até mesmo conter a violência. Com esses dados em mão, será possível iniciar esse trabalho tendo uma base científica, com o objetivo de reduzir a desigualdade, já que são essas regiões que mais precisam do apoio do poder público", disse.
Castro declarou ainda que, entre os tributos municipais, os incentivos fiscais devem priorizar o ISS (Imposto Sobre Serviço). "Nós não somos um município competitivo em termos de impostos, em especial no ISS, pois há outras cidades com alíquotas mais atrativas do que as nossas, até mesmo na própria região metropolitana. A gente sentia isso quando as empresas nos procuravam em busca de benefícios e nós ficávamos receosos porque não queríamos reduzir a arrecadação do município. Esse estudo, agora, justifica fazer algumas renúncias fiscais", afirmou.
Em 2014
Segundo ele, a ideia é colocar esse projeto em prática ainda em 2014 e que as alíquotas sejam inversamente proporcionais à pobreza do bairro, ou seja, quanto menor for o índice daquela região, maior será o desconto oferecido à empresa que tiver interesse em por lá se instalar.
O secretário também lembrou dos empreendedores locais, aqueles que moram nos próprios bairros, que devem receber estímulos da Prefeitura para expandir seus negócios e gerar mais emprego e renda.
André Ítalo Rocha
Repórter
