Dessalinização: obra da usina da Praia do Futuro começará em maio
Presidente da Cagece, Neuri Freitas, disse a empresários do agro e da indústria que só Casa dos Ventos e Fortescue pediram água de reuso.
Ao falar ontem para um grupo de 15 empresários cearense do agro e da indústria, o presidente da Cagece, Neuri Freitas, promoveu uma chuva de boas notícias, entre as quais duas se destacaram: 1) no próximo mês de maio, começarão, na Praia do Futuro, as obras de construção da primeira Usina de Dessalinização do Ceará; 2) ao custo de R$ 1,5 bilhão, a companhia construirá, à jusante do açude Gavião, uma nova e tecnologicamente moderna Estação de Tratamento de Água (ETA).
Durante uma hora, apoiado em transparências que continham fotos, números e estatísticas, Neuri Freitas foi fortemente aplaudido pelos presentes, que, antes, o haviam saudado pela voz da agropecuarista Rita Grangeiro. uito sincera, ela foi direto ao ponto: “Nós temos feito aqui muitas críticas à Cagece, que permite um desperdício de água que já chega aos 42% na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Então, esta é a hora de tudo ser esclarecido.” E o foi.
O presidente da Cagece, sendo ainda mais sincero do que sua anfitriã, reconheceu que, “realmente, temos perdas de 42%”. Mas logo disse que as equipes técnicas da empresa estão arduamente empenhadas em reduzir essas perdas, citando o exemplo do que se passa na chamada “Grande Messejana”, onde as perdas já se reduziram a 36%, “com forte viés de baixa”.
Neuri Freitas é funcionário de carreira da Cagece, onde está há 23 anos, 11 dos quais como seu presidente. Como se tivesse planejado uma exposição para causar um efeito positivo imediato, ele seguiu transmitindo números impressionantes.
“A cidade de Guaramiranga, um dos pontos turísticos do Ceará, tem hoje 94% de sua área urbana atendidos por nossas redes de água e esgoto. E 100% da Vila de Jericoacoara, aonde chegam e saem, todos os dias, centenas de turistas nacionais e estrangeiros, já conta, igualmente, com rede de água e esgoto”, disse ele.
Sobre as perdas, ele acrescentou, com outras palavras:
“A média nacional de perdas nos sistemas de abastecimento de água das cidades é de 38%. As nossas, na RMF, são mesmo de 42%, mas estamos a todo pano trabalhando para a sua redução, e o exemplo de Messejana é só o começo do nosso esforço”.
E foi em frente, carregando a bandeira das boas novas: 1) a receita da Cagece, no exercício passado de 2025, foi de R$ 2,5 bilhões, mas seus investimentos, no mesmo exercício, alcançaram R$ 3,5 bilhões, o que prova o compromisso da empresa com a universalização do seu serviço, que agora, por meio de uma Parceria Público Privada (PPP), recebe a contribuição da Ambiental Ceará; 2) há 600 mil imóveis em cidades cearenses, incluindo Fortaleza, que, mesmo tendo à sua frente a rede de esgoto, não se interliga com ela; 3) em contrapartida, há 1,7 milhão de domicílios interligados à rede de água e esgoto da Cagece.
Os empresários que ouviam a fala de Neuri Freitas já se entreolhavam e trocavam sorrisos de contentamento com o que lhes era apresentado. O presidente da Cagece, sentindo o vento a favor, não se fez de rogado e foi em frente com uma destreza surpreendente. E revelou dois segredos. Usando outras palavras, Neuri descobriu o primeiro:
No início ou meados do próximo mês de maio, começarão as obras da tão sonhada Estação de Dessalinização da Praia do Futuro, um empreendimento que está sendo tocado por um consórcio que tem o Grupo Marquise na liderança. O projeto, que estará pronto em dois anos, produzirá, na sua primeira fase, 1 metro cúbico por segundo, volume a ser injetado na rede de distribuição da Cagece.
E revelou o segundo segredo: até agora, somente a Casa dos Ventos, que integra um projeto de implantação, já iniciada, de um gigantesco Data Center na geografia da ZPE do Pecém, e a australiana Fortescue, que tem projeto para a construção de uma unidade industrial para a produção de hidrogênio verde, apresentaram à Cagece a intenção de receber água de reuso para os seus empreendimentos. Neuri Freitas disse que sua empresa está pronta para atender essa demanda.
Depois ele anunciou em primeira mão: o setor técnico da Cagece elabora o projeto de construção de uma nova ETA à jusante do açude Gavião, onde há dezenas de anos opera a estação atual, cuja tecnologia está ultrapassada. A nova ETA, assegurou Neuri Freitas, será uma unidade que operará na ponta tecnológica. Para a sua implantação, será necessário o investimento de R$ 1,6 bilhão, estando a direção da empresa empenhada em buscar o necessário financiamento.
Depois de falar, Neuri submeteu-se a perguntas dos empresários, uma das quais abordou a questão do Projeto São Francisco. Ele disse que esse empreendimento “é importantíssimo” para o Ceará, que dispõe “de uma infraestrutura hídrica sem similar no país”.
E deu números: os pequenos, médios e grandes açudes públicos do Ceará podem represar um oceano do tamanho de 18 bilhões de metros cúbicos. E disse que, além dessa estrutura, o Ceará conta com o Eixão das Águas, cujas obras de duplicação prosseguem em alta velocidade, e o Cinturão das Águas, os quais, juntamente com o Projeto São Francisco, garantirão boa tranquilidade para o abastecimento da população e para as atividades econômicas.
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