'Sou filha única, preciso dessa legião de irmãos espalhados por aí', convoca repórter Marina Alves

Jornalista descreve como a mobilização por doações de sangue e cadastros no banco de medula óssea tem impactado na rotina de tratamento

Jornalista Marina Alves, repórter do Sistema Verdes Mares, posa na redação
Legenda: Filha única, Marina incentiva campanha de cadastro para doação de medula óssea
Foto: Arquivo pessoal

Antes, o sol nascia em qualquer ponto da cidade, entre congestionamentos, vias esburacadas e filas de vacinação, na correria que o jornalismo pede. Hoje, a primeira luz do dia entra nos olhos da repórter Marina Alves, 32, pela janela do quarto do hospital, onde ela permanece para tratamento de um linfoma.

O vai e vem dos carros na rua, ora intenso, ora calmo, aliás, é uma metáfora de como têm sido os últimos 30 dias para a jornalista, entre descobertas e procedimentos médicos. “Tô com medo e angustiada, porque nem tudo depende de mim, mas confiante e serena”, é como ela se descreve.

Em entrevista ao Diário do Nordeste, a repórter da TV Verdes Mares, conhecida e apreciada pelo público pelo profissionalismo mesclado à irreverência, afirma que a corrente de solidariedade que se formou para doação de sangue e para cadastros no banco de medula óssea tem tornado os dias mais leves, na medida do possível.

Sempre tentei fazer boas relações, e agora vejo que esse é o caminho. Gente que nunca vi na vida, que só me viu na TV, está saindo de casa, indo se cadastrar, doar, me mandando mensagem de carinho. Isso acabou confortando mais o coração.
Marina Alves
Jornalista

Desde que foi diagnosticada com câncer, Marina iniciou a bateria de exames e tratamentos, que incluem oito ciclos de quimioterapia e transfusões de sangue. A cura para o linfoma, porém, só será possível por meio de um transplante de medula óssea.

A chance de achar um doador compatível é de 30% entre irmãos, e “muito menor quando se busca entre não-aparentados”, conforme o Instituto Nacional do Câncer (INCA). Marina, como filha única, deve receber a doação de quem nem conhece.

Eu dependo de alguém que ainda não sei quem é. Não tenho irmãos, então preciso dessa legião de irmãos espalhados por aí.

“É um propósito de vida”

Antes de ela mesma precisar da ampliação dessa rede de solidariedade, Marina já fazia parte dela. Uma das primeiras aparições na televisão foi num momento de doação de sangue, durante campanha do Hemoce.

“Hoje, acho que o que tô passando é um propósito de vida, uma missão. Tinha que ser alguém que conseguisse alavancar o número de cadastros no Redome, que conseguisse encontrar um doador pra muita gente”, acredita.

Para ingressar como potencial doador no Redome, o Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea, basta ir a um hemocentro, realizar o cadastro e colher uma pequena amostra de sangue, para estudo. E, então, uma vida pode ser salva pelo gesto.

Quando se fala em transplante, já imaginam uma grande cirurgia. Mas o de medula é tão simples. É preciso que as pessoas entendam como é simples salvar uma vida.

No final deste mês de setembro, será feita a comparação do material genético de Marina com as milhões de pessoas cadastradas nos bancos do Ceará, do Brasil e de qualquer local do mundo, em busca de alguém compatível.

“Estou cheia de planos”

Durante o tempo hospitalizada, por proteção à própria saúde, a jornalista não pode receber visitas. Tem ao lado, diariamente, a presença do esposo e de saudades palpáveis – do filho, de casa, dos amigos, da rotina. De tudo.

Marina Alves e o esposo, Leandro
Legenda: Marina e o esposo, Leandro, em hospital de Fortaleza
Foto: Arquivo pessoal

“Tô morrendo de saudade, cheia de planos, louca pra voltar e continuar sendo a mesma Marina, levando informação pro povo. Sempre fui agitada, de falar demais, e hoje vejo que o importante é viver um dia de cada vez, focar na saúde, ajudar o outro. Nunca sabemos o dia de amanhã, de quem vamos precisar e quem vai estar ao nosso lado”, reflete.

Como doar sangue, plaquetas e medula

Doação de sangue

Para efetuar a doação de sangue, os candidatos precisam estar saudáveis, bem alimentados, pesar acima de 50kg e ter entre 16 e 69 anos.

É necessário apresentar um documento oficial com foto e um termo de consentimento formal dos responsáveis legais para os menores de idade.

Para doar à Marina, os interessados devem se dirigir ao Fujisan, na Av. Barão de Studart, 2626, no Bairro Dionísio Torres, em Fortaleza; e informar o nome completo dela: Marina Alves Bezerra.

O horário de atendimento de segunda a sexta-feira é de 7h30 às 16h30, e no sábado, de 7h30 às 13h.

Doação de plaquetas

Para doar plaquetas, é necessário estar saudável, ter entre 16 e 69 anos, pesar mais de 60kg e não ter recebido transfusão de sangue anteriormente.

Ainda é recomendado estar bem alimentado, ter repousado pelo menos seis horas na noite anterior, não ter ingerido bebida alcoólica nas 12 horas anteriores à doação e evitar fumar pelo menos por duas horas antes do procedimento.

Os interessados devem também procurar o Fujisan portando documento de identificação com foto de segunda a sexta-feira, entre 7h30 e 15h, e no sábado, entre 7h30 e 11h.

Doação de medula óssea

Já para a doação de medula óssea, é necessário realizar um cadastro num dos postos do Hemoce. Os requisitos são: ter entre 18 e 35 anos, não ter tido câncer e apresentar documento de identidade.

Ao realizar o cadastro, será recolhida uma amostra do sangue do candidato para verificar a compatibilidade com os pacientes que estão aguardando um transplante.

O cadastro de doação de medula óssea é nacional e os voluntários podem ser chamados para doar para qualquer paciente que precise em todo o Brasil.

O procedimento pode ser realizado na sede do Hemoce, no bairro Rodolfo Teófilo, ou nos demais postos de atendimento do órgão no IJF, na Praça das Flores ou no Shopping RioMar Fortaleza.

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