Quais as diferenças e semelhanças entre as variantes da Covid-19 presentes no Ceará?

Secretaria da Saúde confirmou casos da variante Delta no Ceará no último dia 29

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Legenda: Avanço da vacinação e controle das medidas de prevenção são cruciais no combate às variantes.
Foto: NIAID

Apesar do Ceará contar, atualmente, com maior predominância de infecções da Covid-19 pela variante Gama, de Manaus, especialistas têm expressado preocupações com o surgimento recente da Delta - advinda da Índia - devido à sua alta transmissibilidade de casos. Neste sentido, conheça quais as principais diferenças e semelhanças entre as variantes no Estado.

Variantes

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a variante Gama, também conhecida como P.1, teve sua primeira amostra na cidade de Manaus em novembro de 2020, com data de designação em janeiro de 2021. Já a variante Delta ou B.1.617.2 surgiu na Índia em outubro do ano passado e foi designada como Variante de Preocupação (VOC, em inglês) em maio deste ano.

Além disso, há outras duas variantes que apresentam considerável potencial pandêmico pelo mundo, também sendo enquadradas como VOCs, são elas: a Alfa (B.1.1.7), que apareceu em setembro de 2020 no Reino Unido, e a Beta (B.1.351), que manifestou-se em maio do ano passado na África do Sul. Ambas tiveram designação no último mês de dezembro.

Semelhanças e diferenças

Conforme a Secretaria da Saúde (Sesa), todas as Variantes de Preocupação possuem, em comum, “um conjunto de mutações que as tornam mais adaptadas, competentes, infecciosas e/ou transmissíveis quando comparadas com outras linhagens circulantes. Também estão associadas com maior capacidade de evasão do sistema imunológico e menor efetividade das vacinas”.

Uma das principais diferenças até então, de acordo com documento do Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, é que a variante Delta pode gerar sintomas mais graves do que todas as outras versões da Sars-Cov-2 e se espalhar tão facilmente quanto a catapora. O relatório foi divulgado pelo jornal The New York Times na sexta-feira (30).

Neste cenário, o farmacêutico microbiologista Felipe Magalhães explica que o surgimento de variantes acontece por efeito de mutações em qualquer parte do material genético do vírus. “Essas mutações fazem com que essas cepas ou essas variantes tenham algumas características diferentes entre uma e outra”.

Quando as diferenças virais geram mais afinidade com as nossas células e facilitam a transmissão do vírus de uma pessoa para outra, elas se tornam importantes, porque a gente tá tendo uma modificação no material genético do vírus que vai influenciar tanto na transmissão quanto na resistência a algumas vacinas”
Felipe Magalhães
Farmacêutico microbiologista

Segundo Thereza Magalhães, epidemiologista, enfermeira e professora da Universidade Estadual do Ceará (Uece), à medida que surgem novas variantes, a eficácia das vacinas disponíveis são testadas, visto que “a nossa grande preocupação é se as pessoas estão protegidas ou não contra elas”.

Atualmente, todos os imunizantes têm demonstrado capacidade de atuar contra as variantes do coronavírus.

A especialista destaca ainda que a grande preocupação da ciência hoje em dia é em relação à Delta, “pelo fato dela transmitir mais rápido, para mais pessoas e causar os sintomas iniciais mais leves, porque a pessoa pode achar que não tem nada e, na verdade, ela tem a Covid-19”.

Controle de variantes

Para controlar as novas variantes, a professora da Uece esclarece que é necessário inibir a circulação viral. “As pessoas têm que ficar mais em casa, têm que manter o distanciamento social, porque inibir a circulação do vírus vai inibir a replicação dele, quanto menos cópia eu tiver do vírus, menos chances de erros e, consequentemente, menos variantes”.

Isso é de extrema importância, conforme pontua Thereza, porque há o risco do surgimento de novas variantes que não sejam suscetíveis às vacinas ou que levem ao óbito uma grande parcela da sociedade, prejudicando o sistema de saúde.

Então temos que ter um menor número de variantes possível e vacinar o mais rápido possível as pessoas enquanto a gente ainda não tem essas variantes potencialmente letais”
Thereza Magalhães
Epidemiologista

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