Posso tomar vacina da Covid gripada? Tira-dúvidas traz respostas sobre o atual contexto da pandemia

Aumento de casos acende novos questionamentos sobre como diminuir transmissão e enfrentar o coronavírus

Escrito por Lucas Falconery, lucas.falconery@svm.com.br

Metro
Vacinação
Legenda: Mudanças no cenário epidemiológico levantam novas dúvidas na população
Foto: Thiago Gadelha

Cearenses vivenciam aumento de casos de Covid-19 em meio ao alto número da população imunizada, ao surgimento de variantes e à possibilidade de coinfecção pela influenza. Quase dois anos após a confirmação do primeiro caso, o conhecimento científico sobre o coronavírus permite a prevenção e o tratamento da doença com maior rapidez. Com maior número de vidas salvas.

Mas, afinal, como se proteger dessa possível 3ª onda de coronavírus? Quando devo me testar ou buscar ajuda médica? Adio até quando a dose de reforço se tive a infecção? O Diário do Nordeste reúne respostas de infectologistas e mestre em saúde coletiva sobre dúvidas comuns no atual contexto da pandemia.

Posso tomar a vacina contra a Covid-19 mesmo com sintomas gripais?

Não. O paciente deve verificar se os sintomas são de influenza ou causados pelo coronavírus. Se for uma gripe simples, a vacina contra a Covid-19 pode ser aplicada logo que acabem os sintomas.

"Quem está com síndrome gripal no momento não deve tomar nem a vacina da influenza e nem a da Covid, porque pode confudir com uma reação alérgica", explica o médico Paulo Magalhães.

Caso o paciente esteja com coronavírus, o procedimento é outro (veja abaixo). "Agora já é permitido tomar a vacina da Covid e da gripe no mesmo dia, só em grupos musculares diferente", acrescenta o especialista para os casos de pessoas sem síndromes gripais.

Qual a máscara mais adequada para se proteger contra o coronavírus?

As máscaras PFF2 ou a combinação da proteção cirúrgica com uma de pano, com bom vedamento, são as opções mais recomendadas no atual contexto. Isso porque a variante Ômicron, do coronavírus, tem um potencial maior de se espalhar.

“Com essa grande taxa de transmissibilidade, a gente percebe que a maior proteção são com as máscaras tipo N95 ou quando a gente utiliza aquela combinação de máscara cirúrgica coberta com a máscara de pano por cima, que daria uma proteção equivalente”, explica Melissa Medeiros, médica infectologista no Hospital São José.

PFF2
Legenda: Máscaras PFF2 são as mais indicadas para proteger contra variantes com alta transmissibilidade
Foto: Shuttterstok

É determinante que as máscaras protejam nariz e boca sem brechas para contato com aerossóis contaminados. “Pessoas, mesmo com as três doses da vacina, precisam continuar realmente utilizando máscara. Principalmente em ambientes fechados”, reforça.

É possível pegar Covid-19 mesmo com imunização completa?

Sim, porque o esquema vacinal completo protege contra casos graves, hospitalizações e mortes pela doença. Assim, os benefícios também são proporcionais à imunização: quem recebeu a dose de reforço, por exemplo, está mais seguro do que quem tomou apenas a primeira dose.

“Nenhuma vacina, para qualquer doença, infelizmente, é 100% eficaz. Não seria diferente com as vacinas da Covid-19, sobretudo por se tratar de um vírus com enorme capacidade de mutação”, acrescenta o infectologista e pediatra Robério Leite.

O mais importante, no entanto, é o fato de a vacina diminuir muito a chance de hospitalizações e de mortes por Covid-19
Robério Leite
Infectologista

Com transmissão mais alta por variantes e o relaxamento das medidas de isolamento, os imunizados também são contaminados pelo coronavírus. “Ainda assim, a chance de se infectar e de desenvolver sintomas é menor em indivíduos vacinados em comparação com não-vacinados”, pondera o infectologista.

Quando devo fazer exame para identificar contaminação pelo coronavírus?

O período ideal é realizar o teste para a Covid-19 a partir do 3º dia de sintomas tanto para o exame do tipo RT-PCR, mais preciso, quanto o do tipo antígeno, conhecido como teste rápido.

“É importante testar para o paciente e para o sistema de saúde”, resume o mestre em saúde coletiva Paulo Magalhães sobre a relevância do diagnóstico da doença.

“Hoje para a Covid nós temos dois testes principais, que é o RT PCR, o teste padrão ouro, pode ser feito a partir do 1º dia de sintomas, mas o ideal é que seja feito no 2º ou 3º dia. Tem o teste de antígeno, que não é tão específico, a pessoa pode ter a Covid assintomática ou com poucos sintomas e dar negativo", explica.

As vacinas protegem contra as variantes mesmo com a formulação para o vírus original?

Sim, mas os especialistas apontam a necessidade de reformulação das vacinas para dar maior proteção, como ressalta Paulo Magalhães.

"Está se pensando em alterações na composição da vacina, porque nós fizemos em tempo recorde devido à situação emergencial. Realmente elas funcionaram, mas a gente precisa de vacinas mais eficazes e que tenham uma proteção mais prolongada”, pondera.

Imunização
Legenda: Imunização permanece como principal estratégia contra o coronavírus
Foto: Thiago Gadelha

Robério Leite analisa o desfecho clínico dos pacientes infectados após a imunização e ressalta a proteção para casos graves. “Para qualquer manifestação clínica de Covid-19, com a emergência das variantes, sobretudo a Ômicron, a eficácia caiu em relação ao vírus original, para o qual foram concebidas as vacinas”, pondera.

Qual o período adequado de isolamento ao testar positivo para a Covid-19?

São necessários 10 dias de isolamento para pacientes imunizados. Uma pessoa sem as doses de vacina transmite por mais tempo e, nesses casos, o período aumenta para duas semanas.

“No início da pandemia, como nós não tínhamos as pessoas vacinadas, a transmissão era mais prolongada. Então, nós pedíamos o isolamento de 14 dias a partir do início dos sintomas”, lembra Paulo Magalhães.

O período de isolamento reduziu para 10 dias. Em alguns casos, para quem recebeu 3 doses, já pode reduzir para até 7 dias, porque a vacina diminui muito a carga viral

Melissa Medeiros contextualiza que países como Reino Unido o período de isolamento é de 7 dias, enquanto nos Estados Unidos há a possibilidade de queda para 5 dias. “Eles já estão revendo porque talvez tenha sido uma nota muito precipitada até porque a gente vê que a transmissibilidade é muito alta”, explica.

Quando devo procurar uma unidade de saúde por causa de sintomas gripais?

Quem apresenta cansaço ao fazer esforços mínimos, palpitações cardíacas, sensação de desmaios tem sinais de alerta para buscar um hospital, como alertou o infectologista Ivo Castelo Branco em entrevista anterior ao Diário do Nordeste.

Os pacientes com sintomas leves devem se manter em casa para não sobrecarregar o sistema de saúde. O atendimento médico é fundamental para pessoas com comorbidades ou sem vacinação.

“O fato de estar com dor de cabeça, febre, nariz entupido, dor na garganta, esses sinais são das síndromes gripais, seja Covid ou influenzas, mas não denotam gravidade”, ponderou o especialista.

Quais medicamentos posso usar em casa para tratar a Covid-19?

Os remédios para pacientes acompanhados em casa devem ser para controle de sintomas leves como febre, tosse, espirro e dor de cabeça. Assim, estão excluídos corticóides e antibióticos sem prescrição médica.

“É hidratar bastante, tomar medicação para febre ou para dor, como dipirona ou paracetamol, pode fazer uso de antialérgico, se tiver com coriza e secreção, e para tosse”, recomenda Melissa Medeiros.

O alerta para evitar uso do corticóide vem, por exemplo, para evitar a piora do quadro. “A gente nunca usa corticóide antes dos 7 dias de doença, porque você pode prolongar a vida do vírus dentro de você, que é o que a gente chama de viremia”, explica.

O Tamiflu tem indicação médica apenas para pessoas com doenças crônicas ou acima dos 60 anos no tratamento de influenza. “Antibiótico também não vai funcionar. Então, não adianta a gente ficar tomando azitromicina, quinolonas ou outros antibióticos que não vão ter eficácia”, sentencia Melissa.

Como evitar que minha família ou outras pessoas com quem divido a casa também se contaminem pelo coronavírus?

O isolamento entre 10 e 14 dias também deve abranger o distanciamento dos demais membros da casa. Também é importante separar pratos, copos e talheres utilizados pelo paciente.

“Tem que tomar a postura do início da pandemia, quando não tinha vacina: ficar no quarto isolado, circular na casa quando os outros membros não estiverem, utensílios de alimentação e de higiene separados”, explica Paulo Magalhães.

Com quanto tempo depois de pegar Covid-19 eu devo tomar a 2ª dose da vacina ou o reforço?

O período adequado para receber uma dose da vacina contra a Covid-19 é de, no mínimo, 30 dias após a cura dos sintomas da doença.

Esse intervalo é recomendado porque a infecção gera uma imunização natural, mas ainda assim completar o ciclo vacinal é indispensável.

Vacina
Legenda: Mesmo após infecção pelo coronavírus é preciso dar continuidade ao esquema vacinal
Foto: Thiago Gadelha

“A gente pede que as pessoas esperem pelo menos 30 dias antes de procurar uma dose de reforço, porque naturalmente elas já estão se vacinando”, frisa Melissa Medeiros. Orientação reforçada por Robério Leite. “Um mês é o intervalo recomendado nessa situação”.

Vou ter de tomar novas doses de reforço depois da 3ª aplicação?

Os cientistas e profissionais da saúde analisam a questão, mas novas doses do imunizante contra a Covid-19 devem ser aplicadas. Existe, inclusive, a possibilidade de reunir a proteção contra o coronavírus e as influenzas em uma mesma vacina.

“A dose de reforço vai ser, provavelmente, aplicada com periodicidade. Os estudos que estão saindo mostram que nós ficamos com anticorpos neutralizantes por um período de tempo e depois eles tendem a reduzir”, explica Paulo Magalhães.