Ocupação de leitos UTI Covid atinge nível 'crítico' em Fortaleza; taxa é a 2ª maior entre capitais

Dado é de nota técnica da Fiocruz, que aponta ainda que, no Ceará, taxa de ocupação está na zona de alerta 'intermediário'

Escrito por Lígia Costa, ligia.costa@svm.com.br

Metro
profissionais da saúde e paciente em um leito de UTI
Legenda: Fortaleza registrou taxa de ocupação de 88% em 10 de janeiro
Foto: AFP

A rápida proliferação da variante Ômicron provocou o recrudescimento da pandemia no Brasil, elevando a ocupação de leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) para a Covid-19 no Sistema Único de Saúde (SUS).

Em Fortaleza, a taxa de ocupação em UTIs Covid adulto (88%) alcançou o nível 'crítico' na última segunda-feira (10), em comparação com a série histórica.

Com isso, registrou a segunda maior taxa entre as capitais do País, ficando atrás somente de Goiânia (94%), aponta nota técnica divulgada pelo Observatório Covid-19 Fiocruz

Além de Fortaleza e Goiânia, Recife (80%) e Belo Horizonte (84%) também estão entre as capitais que alcançaram o nível 'crítico'. Pernambuco (82%) foi o único estado a atingir o mesmo nível.

Apesar do cenário verificado em Fortaleza, o Ceará aparece na zona de alerta 'intermediário', com uma taxa de ocupação de 68%. Outras sete unidades federativas aparecem na mesma condição: Pará (71%), Tocantins (61%), Piauí (66%), Bahia (63%), Espírito Santo (71%), Goiás (67%) e Distrito Federal (74%).

Ao todo, um terço das unidades federativas e 10 capitais encontram-se nas zonas de alerta 'intermediário' e 'crítico'.

Número de internações ainda é "muito menor" que em 2021

A nota técnica da Fiocruz alerta para o novo crescimento nas taxas de ocupação de UTIs, mas os pesquisadores do Observatório afirmam que o número de internações em UTI hoje ainda é "predominantemente muito menor" do que no ano passado.

Mesmo se comparado a períodos de arrefecimento da pandemia, como em 2 de agosto de 2021, quando os leitos começavam a ser retirados. Além disso, a quantidade de leitos de UTI Covid disponíveis hoje é inferior. 

"Menções a um possível colapso no sistema de saúde, neste momento, são incomparáveis com o que foi vivenciado em 2021", diz a nota
.

"Sem minimizar preocupações com o novo momento da pandemia, consideramos fundamental ratificar a ideia de que temos um outro cenário com a vacinação e as próprias características das manifestações da Covid-19 pela Ômicron. Por outro lado, não podemos deixar de considerar o fato de a ocupação de leitos de UTI hoje também refletir o uso de serviços complexos requeridos por casos da variante Delta e casos de Influenza", frisaram os pesquisadores.

Planos de contingência

O documento ressalta ainda que o grande volume de casos de Covid já vem demandando atenção e o acionamento de planos de contingência. E sugere aos gestores a adoção das seguintes providências:

  • Estar atento(a) à necessidade de reabertura de leitos;
  • Reorganizar a rede de serviços de saúde para dar conta dos desfalques de profissionais afastados por contrair a infecção;
  • Garantir a atuação eficiente da atenção primária em saúde no atendimento a pacientes empregando, por exemplo, teleatendimento;
  • Prosseguir na vacinação da população.


"As próximas semanas precisam ser acompanhadas e é esperado que o número de casos novos de Covid-19 atinja níveis muito mais elevados. Também é fundamental o fortalecimento de medidas de prevenção, com a obrigatoriedade de uso de máscaras em locais públicos, a exigência do passaporte vacinal e o estímulo ao distanciamento físico e higiene constante das mãos", acrescenta a nota técnica.

No último dia 4 de janeiro, o governador Camilo Santana anunciou que será criado um plano de ampliação de leitos públicos para atender pessoas com síndromes respiratórias no Ceará, com aumento da testagem de Covid-19 e gripes.