Número de leitos de UTI para Covid-19 no Ceará já é 20% maior que o máximo de ativados na 1ª onda

Ainda neste sábado (13) o governador Camilo Santana anunciou abertura de mais 253 vagas para atendimento de pacientes com a doença provocada pelo coronavírus

Legenda: Novos leitos de UTI são abertos em todo o estado
Foto: Wandemberg Belém

O número de leitos ativos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI’s) para pacientes com Covid-19 no Ceará, atualmente, é quase 20% maior que a quantidade registrada em junho de 2020, quando o Estado contabilizou o maior número de unidades da primeira onda. Neste sábado (13), há pelo menos 1.341 unidades, das quais 50 foram abertas hoje pelo Governo do Estado.

Em 2 de junho, quando foi registrada a maior quantidade em 2020, havia 1.120 leitos ativos. Os dados são da plataforma IntegraSUS, gerenciada pela Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa).  

Também neste sábado, durante uma live em suas redes sociais, o governador Camilo Santana (PT) afirmou que o número é “muito maior do que no ano passado, para se ter noção da gravidade dessa segunda onda". 

"Mesmo com todo o esforço para abertura de novos leitos, pessoas hoje estão esperando em fila para serem atendidas com leito de UTI ou enfermaria. O isolamento tem o papel de frear o vírus”, completou Camilo.

Anúncio de mais leitos

O governador anunciou ainda que novos leitos devem ser entregues na próxima segunda-feira (15) no Hospital Leonardo da Vinci, na Capital. De acordo com Camilo, a prioridade é de aumentar as vagas em unidades de saúde já existentes e equipadas com o necessário para ampliar esse atendimento.  

De acordo com o IntegraSUS, neste sábado, a taxa da ocupação das UTI’s chegou a 90,77%. Já em Fortaleza, a taxa é de 90,61%. Em 2 de junho de 2020, o número no Ceará era de 84,91% e, na capital, 85,12%. A última atualização da plataforma indicou ainda que o estado registrou 468.097 casos confirmados e 12.196 óbitos até sexta. 

Apesar desse aumento da quantidade de leitos, o número não acompanha o crescimento da demanda, já que várias pessoas estão no aguardo por uma vaga em UTI. Um levantamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgado neste mês mostrou que a situação desses leitos no Ceará está crítica, ou seja, chegaram ou passaram de 80%, e é a pior desde julho.  

O infectologista Robério Leite explica que, essa nesta segunda onda, há uma taxa de transmissão muito elevada, por conta do relaxamento com as medidas de prevenção, além do atraso na vacinação. “Logo, se você sobrecarrega o sistema de saúde de uma hora para outra, a taxa de atendimento vai cair, o que aumenta o índice de mortalidade. Enquanto não tem vacina, não tem outra alternativa a não ser o isolamento para diminuir as ocupações nos hospitais”, ressalta.  

Financiamento federal 

Ontem, o Ministério da Saúde liberou R$ 6,6 milhões para financiar 139 leitos de UTI’s no Ceará. As ocupações serão custeadas por 90 dias, em 10 cidades cearenses: Barbalha, Brejo Santo, Crateús, Fortaleza, Icó, Iguatu, Itapipoca, Juazeiro do Norte, Sobral e Tauá.

O recurso vem após colapso dos sistemas de saúde público e privado no Brasil, que enfrenta o momento mais crítico da pandemia do novo coronavírus diante da escalada de mortes e internações.

Na quinta-feira (11), Camilo realizou a entrega de 37 novos leitos de enfermaria no Hospital Geral Dr. Waldemar Alcântara. Conforme o governador, o estado soma mais de 3 mil leitos, entre UTIs e enfermarias, para o tratamento de pacientes com a doença.  

 

 

Quero receber conteúdos exclusivos da cidade de Fortaleza