Governo brasileiro estuda bancar hospedagem para comitivas de países pobres na COP30
Hotéis flutuantes podem ter leitos gratuitos ou com preços mais acessíveis como alternativa para alta de preços de hospedagens
Dois navios da Embratur contratados pelo governo para funcionar como hotéis flutuantes na COP30, em Belém, devem ter uma cota de leitos reservada a ser disponibilizada de forma gratuita ou com preços mais baixos para comitivas de países em desenvolvimento. A informação deve ser anunciada em breve, segundo publicação do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo.
A decisão ocorre em meio à pressão de 25 países solicitando a mudança da sede do evento, marcado para novembro, enquanto as hospedagens da capital paraense disparam de preço. Nas últimas semanas, foram encontradas acomodações por R$ 1 milhão para apenas 11 noites na cidade, por exemplo.
Até o momento, dois navios da MSC Seaview e Costa Diadema terão 10 mil leitos disponibilizados em 3,9 mil cabines. Entretanto, ainda não se sabe quais deles estarão neste programa de gratuidade ou de desconto para delegações com menor poder aquisitivo.
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Pedido por melhores condições
Delegações de países menos desenvolvidos já haviam feito solicitação, por meio de documentos, para terem condições de se acomodarem por diárias de até US$ 164 (R$ 918) e nas imediações de onde acontecerão as atividades da COP30. A ONU disponibiliza ajuda de custo de cerca de US$ 149 para países mais pobres.
O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, apontou, durante fala na quinta-feira (7) aos deputados na Câmara, que uma "solução legal para que esses preços diminuam" está sendo estudada, mas não explicou que tipo de intervenção seria necessária.
Segundo o colunista Lauro Jardim, o governo continua estudando uma saída por meio do Código de Defesa do Consumidor, já que as hospedagens não serão apenas para as delegações, mas incluem também integrantes de ONGs, cientistas, acadêmicos e outros públicos na COP30.
Algumas delegações, inclusive, já relataram que estão diminuindo o tamanho das delegações para fugir dos preços exorbitantes praticados entre as hospedagens para o evento.
O Governo Federal espera um fluxo de mais de 40 mil visitantes durante os principais dias da conferência.