Taxista usa lixo para fazer escultura de tartaruga marinha e alertar contra a poluição ambiental

Ele escolheu o animal para representar espécies que sofrem as consequências do descarte inadequado de lixo nas lagoas, mares e rios

Legenda: Obra de arte fica na Praia de Iracema, em Fortaleza, próximo à comunidade do Poço da Draga
Foto: Almir Gadelha/SVM

O descarte inadequado de resíduos sólidos nas faixas de areia nas lagoas, mares e rios traz impactos negativos irreversíveis à natureza. Para alertar contra esta realidade, o taxista Francisco Carlos da Silva, 59, usou materiais recicláveis recolhidos na Praia de Iracema e fez uma escultura em formato de tartaruga marinha, para chamar a atenção dos frequentadores do local, próximo à comunidade do Poço da Draga, em Fortaleza.

De acordo com o taxista, a ideia surgiu depois que ele percebeu a falta de cuidado das pessoas com o meio ambiente. Assim, ele escolheu a tartaruga marinha como animal para representar as demais espécies que sofrem as consequências causadas pelo descarte inadequado de lixo nas lagoas, mares e rios.

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Logo após, Francisco Carlos juntou garrafas de vidro, cocos secos, areia e água do mar que estavam jogados na Praia de Iracema, e começou, no dia 24 de dezembro, véspera de Natal, a "dar vida" à Clarinha, como batizou carinhosamente a obra de arte. A expectativa é que os últimos retoques terminem no início de janeiro de 2021.

“A exemplo de muitas que vêm desovar na Praia de Iracema e morrem porque ingeriram plásticos e outros tipos de objetos, a Clarinha está passando pelo mesmo processo. Ela está desovando, tentando sair, mas ela não vai conseguir voltar ao mar devido à grande quantidade de lixo, que ela comeu tanto, que passou para o casco”, afirma o taxista.

Descontentamento

Segundo ele, dezenas de esculturas de tartarugas marinhas menores serão feitas por ele ao redor de Clarinha, para simbolicamente representar os filhotes que terão a oportunidade de chegar ao mar.

Morador da região da Praia de Iracema, o taxista não esconde o descontentamento em ver lixo jogado no local que ele frequenta diariamente. “Não é fácil você chegar em uma praia bonita e, de repente, se deparar com o lixo”, diz Francisco Carlos.

Legenda: Nas praias de Fortaleza, a maioria dos detritos de tamanho pequeno são cotonetes, palitos de pirulito e pontas de cigarros, como detalha pesquisa da Universidade Federal do Ceará publicada em uma revista internacional
Foto: Natinho Rodrigues/SVM

Pesquisa

O Ceará é o estado nordestino com maior produção per capita de resíduos sólidos por dia - 1,06 Kg, segundo balanço inédito obtido com exclusividade pelo Diário do Nordeste, da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), com base no Panorama dos Resíduos Sólidos, de 2019.

O estudo marca os 10 anos da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), e aponta que apenas nos estados de São Paulo (1,38 Kg), Rio de Janeiro (1,31 Kg) e Amazonas (1,07 Kg), os índices foram superiores aos do estado do Ceará.

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