Vila Cruzeiro é tomada por tanques das Forças Armadas
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Para entrar na favela, foram usados seis veículos blindados cedidos pela Marinha brasileira
Rio de Janeiro. Uma operação conjunta do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais), da Polícia Militar e da Polícia Civil, que contou ainda com o inédito apoio logístico da Marinha, expulsou ontem o tráfico da Vila Cruzeiro (zona norte do Rio), favela considerada como a principal fortaleza do crime na cidade. "A comunidade da Vila Cruzeiro hoje pertence ao Estado", anunciou ao fim das operações o delegado Rodrigo Oliveira, subchefe operacional da Polícia Civil do Rio.
A contrariedade dos traficantes com as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), presentes em 13 favelas do Rio, é apontada pelas autoridades fluminenses como motivo da onda de arrastões e ataques incendiários a ônibus e carros particulares iniciada no último domingo.
Desde então, 76 veículos foram queimados - 37 só ontem. Apenas um dos ataques foi na zona sul, área mais rica e turística da cidade.
Imagens da TV Globo feitas a partir de helicópteros e transmitidas ao vivo mostraram dezenas de bandidos fugindo da Vila Cruzeiro para o Complexo do Alemão. As imagens exibiam centenas de traficantes armados correndo por ruas de terra; outros subiam de moto.
A operação da Polícia contou com cerca de 450 policiais, sendo pelo menos 120 homens do Bope, 40 do 16º BPM e 60 da Polícia Civil. Para entrar na favela, foram usados seis veículos blindados cedidos pela Marinha, do modelo americano M113, usado na Guerra do Iraque.
A Marinha brasileira atendeu ao pedido do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), que solicitou apoio para conter a onda de ataques que ocorrem no Estado. Em entrevista ao "Jornal Nacional", da TV Globo, na noite de quarta-feira, o político disse que recebeu um fax do ministro da Defesa, Nelson Jobim, garantindo apoio logístico.
O chefe do Estado-maior da Polícia Militar (PM) do Rio de Janeiro, coronel Álvaro Garcia, informou que além dos seis tanques da Marinha brasileira que entraram na comunidade de Vila Cruzeiro, a Polícia contou com o apoio de mais seis veículos blindados na operação que ocorre no bairro da Penha, zona norte do Rio. Na manhã de ontem, a PM deslocou blindados do Batalhão de Operações Especiais (Bope), blindados dos Fuzileiros Navais e viaturas da polícia e do Corpo de Bombeiros.
Incêndios
Antes da fuga da Vila Cruzeiro, os bandidos tentaram retardar ao máximo a entrada da Polícia na favela, incendiando dois caminhões das Casas Bahia e colocando blocos de concreto para servir de barricada.
Houve intensa troca de tiros no momento da entrada dos policiais na favela. Pelas imagens feitas de helicópteros foi possível acompanhar mais de cem homens, armados com fuzis e carregando mochilas, fugindo numa picape, em motos e a pé para o Complexo do Alemão.
As câmeras do helicóptero flagraram os bandidos numa longa fila indiana subindo a encosta de um morro separando as duas comunidades.
Ao se reagruparem no Alemão, já sabendo que estavam sendo filmados, alguns bandidos exibiram seus fuzis de forma desafiadora. O Alemão foi palco, em 27 de junho de 2007, de megaoperação com 1.350 homens das polícias Civil e Militar e da Força Nacional de Segurança. Houve 19 mortos.
A Secretaria de Segurança do Rio disse que a ocupação da Vila Cruzeiro seguirá por tempo indeterminado, mas que não haverá a instalação imediata de uma UPP na comunidade - para isso, seria necessário um efetivo de 2.000 a 3.000 novos policiais, hoje indisponível.
Abrigo
A Prefeitura do Rio informou no fim da tarde de ontem que os moradores do Complexo do Alemão que não conseguirem chegar às suas casas devido à onda de violência e às operações policiais podem se abrigar no Greip (Grêmio Recreativo Esportivo dos Industriários da Penha).
De acordo com a prefeitura, foram fornecidos colchonetes e alimentação. No começo da noite, uma equipe de policiais da Delegacia de Roubos e Furtos ficou encurralada por traficantes no morro da Fazendinha, no Complexo do Alemão. Houve intensa troca de tiros na região.
A Estrada Velha da Pavuna foi interditada ao trânsito, para evitar que motoristas sejam atingidos por balas perdidas. Cerca de 80 policiais civis de diversas delegacias especializadas, com apoio de um helicóptero, participam da operação na favela.
Repercussão Mundial
El País (Espanha)
Rio leva tanques a favelas para uma batalha decisiva contra o narcotráfico
Guardian (R. Unido)
Confrontos armados no Rio de Janeiro deixam ao menos 14 pessoas mortas
El Mundo (Espanha)
A polícia entra na favela mais perigosa do Rio com blindados do Exército
Independent (R.Unido)
Membros de gangues de drogas combatem polícia no Rio
El Clarín (Argentina)
Tanques entram em uma favela do Rio para ajudar na luta contra o narcotráfico
ABC News (EUA)
Tanques são enviados em operação contra crime no Brasil
La Tercera (Chile)
Polícia entra na favela mais periogosa do Rio com blindados do Exército
REDE PÚBLICA
Estudantes de mais de 30 escolas ficam sem aulas
Rio de Janeiro. Por causa do clima tenso na cidade, somente no turno da manhã de ontem, de acordo com a Secretaria Municipal de Educação, 17 escolas e 12 creches, localizadas principalmente na zona norte, ficaram fechadas, deixando mais de 12 mil alunos sem aulas.
Na rede estadual, as aulas foram suspensas em quatro unidades, também na zona norte. A Secretaria Estadual de Educação ainda informou a quantidade de alunos prejudicados.
As escolas da rede municipal que não puderam aplicar, ontem, a Prova Rio em função da série de ataques de traficantes na cidade realizarão a avaliação na próxima terça-feira (30).
O teste elaborado pelo Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (Cesp-UnB) tem o objetivo de medir os níveis de aprendizagem dos alunos dos 3º, 4º, 7º e 8º anos da rede municipal.
Na quarta-feira (24), 17 mil alunos da rede municipal ficaram sem aulas. Um total de 47 escolas e dez creches dispensaram os estudantes.
SEM LAZER
Insegurança deixa turistas apreensivos na cidade
Rio de Janeiro. A série de ataques criminosos no Rio tem levado pânico a população do estado e também deixa os turistas inseguros e apreensivos.
Segundo a professora Maria de Almeida, no Rio Grande do Sul, a sua vinda para a cidade só ocorreu porque as passagens já estavam compradas há dois meses. Hospedada em Copacabana, ela tem medo de sair do hotel. "Estou muito preocupada. Não vi nada de anormal, mas tenho medo de sair na rua. Não teria vindo se eu soubesse como estaria agora", disse.
Para o suíço Christopher Six, a insegurança não é um problema exclusivo do Rio. "A primeira coisa que vem na minha cabeça não é a violência e sim as pessoas simpáticas, o clima, as praias. Não me sinto totalmente seguro, vi poucos carros de polícia nas ruas".
Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio (ABIH-RJ), Alfredo Lopes, se a onda de violência continuar por um tempo maior, impactos negativos poderão ser sentidos no setor.
Rio de Janeiro. Uma operação conjunta do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais), da Polícia Militar e da Polícia Civil, que contou ainda com o inédito apoio logístico da Marinha, expulsou ontem o tráfico da Vila Cruzeiro (zona norte do Rio), favela considerada como a principal fortaleza do crime na cidade. "A comunidade da Vila Cruzeiro hoje pertence ao Estado", anunciou ao fim das operações o delegado Rodrigo Oliveira, subchefe operacional da Polícia Civil do Rio.
A contrariedade dos traficantes com as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), presentes em 13 favelas do Rio, é apontada pelas autoridades fluminenses como motivo da onda de arrastões e ataques incendiários a ônibus e carros particulares iniciada no último domingo.
Desde então, 76 veículos foram queimados - 37 só ontem. Apenas um dos ataques foi na zona sul, área mais rica e turística da cidade.
Imagens da TV Globo feitas a partir de helicópteros e transmitidas ao vivo mostraram dezenas de bandidos fugindo da Vila Cruzeiro para o Complexo do Alemão. As imagens exibiam centenas de traficantes armados correndo por ruas de terra; outros subiam de moto.
A operação da Polícia contou com cerca de 450 policiais, sendo pelo menos 120 homens do Bope, 40 do 16º BPM e 60 da Polícia Civil. Para entrar na favela, foram usados seis veículos blindados cedidos pela Marinha, do modelo americano M113, usado na Guerra do Iraque.
A Marinha brasileira atendeu ao pedido do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), que solicitou apoio para conter a onda de ataques que ocorrem no Estado. Em entrevista ao "Jornal Nacional", da TV Globo, na noite de quarta-feira, o político disse que recebeu um fax do ministro da Defesa, Nelson Jobim, garantindo apoio logístico.
O chefe do Estado-maior da Polícia Militar (PM) do Rio de Janeiro, coronel Álvaro Garcia, informou que além dos seis tanques da Marinha brasileira que entraram na comunidade de Vila Cruzeiro, a Polícia contou com o apoio de mais seis veículos blindados na operação que ocorre no bairro da Penha, zona norte do Rio. Na manhã de ontem, a PM deslocou blindados do Batalhão de Operações Especiais (Bope), blindados dos Fuzileiros Navais e viaturas da polícia e do Corpo de Bombeiros.
Incêndios
Antes da fuga da Vila Cruzeiro, os bandidos tentaram retardar ao máximo a entrada da Polícia na favela, incendiando dois caminhões das Casas Bahia e colocando blocos de concreto para servir de barricada.
Houve intensa troca de tiros no momento da entrada dos policiais na favela. Pelas imagens feitas de helicópteros foi possível acompanhar mais de cem homens, armados com fuzis e carregando mochilas, fugindo numa picape, em motos e a pé para o Complexo do Alemão.
As câmeras do helicóptero flagraram os bandidos numa longa fila indiana subindo a encosta de um morro separando as duas comunidades.
Ao se reagruparem no Alemão, já sabendo que estavam sendo filmados, alguns bandidos exibiram seus fuzis de forma desafiadora. O Alemão foi palco, em 27 de junho de 2007, de megaoperação com 1.350 homens das polícias Civil e Militar e da Força Nacional de Segurança. Houve 19 mortos.
A Secretaria de Segurança do Rio disse que a ocupação da Vila Cruzeiro seguirá por tempo indeterminado, mas que não haverá a instalação imediata de uma UPP na comunidade - para isso, seria necessário um efetivo de 2.000 a 3.000 novos policiais, hoje indisponível.
Abrigo
A Prefeitura do Rio informou no fim da tarde de ontem que os moradores do Complexo do Alemão que não conseguirem chegar às suas casas devido à onda de violência e às operações policiais podem se abrigar no Greip (Grêmio Recreativo Esportivo dos Industriários da Penha).
De acordo com a prefeitura, foram fornecidos colchonetes e alimentação. No começo da noite, uma equipe de policiais da Delegacia de Roubos e Furtos ficou encurralada por traficantes no morro da Fazendinha, no Complexo do Alemão. Houve intensa troca de tiros na região.
A Estrada Velha da Pavuna foi interditada ao trânsito, para evitar que motoristas sejam atingidos por balas perdidas. Cerca de 80 policiais civis de diversas delegacias especializadas, com apoio de um helicóptero, participam da operação na favela.
Repercussão Mundial
El País (Espanha)
Rio leva tanques a favelas para uma batalha decisiva contra o narcotráfico
Guardian (R. Unido)
Confrontos armados no Rio de Janeiro deixam ao menos 14 pessoas mortas
El Mundo (Espanha)
A polícia entra na favela mais perigosa do Rio com blindados do Exército
Independent (R.Unido)
Membros de gangues de drogas combatem polícia no Rio
El Clarín (Argentina)
Tanques entram em uma favela do Rio para ajudar na luta contra o narcotráfico
ABC News (EUA)
Tanques são enviados em operação contra crime no Brasil
La Tercera (Chile)
Polícia entra na favela mais periogosa do Rio com blindados do Exército
REDE PÚBLICA
Estudantes de mais de 30 escolas ficam sem aulas
Rio de Janeiro. Por causa do clima tenso na cidade, somente no turno da manhã de ontem, de acordo com a Secretaria Municipal de Educação, 17 escolas e 12 creches, localizadas principalmente na zona norte, ficaram fechadas, deixando mais de 12 mil alunos sem aulas.
Na rede estadual, as aulas foram suspensas em quatro unidades, também na zona norte. A Secretaria Estadual de Educação ainda informou a quantidade de alunos prejudicados.
As escolas da rede municipal que não puderam aplicar, ontem, a Prova Rio em função da série de ataques de traficantes na cidade realizarão a avaliação na próxima terça-feira (30).
O teste elaborado pelo Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (Cesp-UnB) tem o objetivo de medir os níveis de aprendizagem dos alunos dos 3º, 4º, 7º e 8º anos da rede municipal.
Na quarta-feira (24), 17 mil alunos da rede municipal ficaram sem aulas. Um total de 47 escolas e dez creches dispensaram os estudantes.
SEM LAZER
Insegurança deixa turistas apreensivos na cidade
Rio de Janeiro. A série de ataques criminosos no Rio tem levado pânico a população do estado e também deixa os turistas inseguros e apreensivos.
Segundo a professora Maria de Almeida, no Rio Grande do Sul, a sua vinda para a cidade só ocorreu porque as passagens já estavam compradas há dois meses. Hospedada em Copacabana, ela tem medo de sair do hotel. "Estou muito preocupada. Não vi nada de anormal, mas tenho medo de sair na rua. Não teria vindo se eu soubesse como estaria agora", disse.
Para o suíço Christopher Six, a insegurança não é um problema exclusivo do Rio. "A primeira coisa que vem na minha cabeça não é a violência e sim as pessoas simpáticas, o clima, as praias. Não me sinto totalmente seguro, vi poucos carros de polícia nas ruas".
Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio (ABIH-RJ), Alfredo Lopes, se a onda de violência continuar por um tempo maior, impactos negativos poderão ser sentidos no setor.