Adolescente que tomou a 1ª dose não deve completar esquema vacinal contra Covid-19, orienta MS

Recomendação da Pasta é para jovens de 12 a 17 anos que não possuem comorbidades

adolescente recebe vacina contra a covid-19 no centro de eventos, em fortaleza
Legenda: Vacinação do público em questão foi definida como "menos urgente" baseada em critério da OMS
Foto: Thiago Gadelha

O Ministério da Saúde (MS) orientou, nesta quinta-feira (16), que municípios não apliquem a segunda dose (D2) da vacina contra a Covid-19 em adolescentes sem comorbidades. Nessa quinta (15), o órgão recomendou a suspensão da vacinação de jovens sob a justificativa de haver "menos urgência" para imunizar esse público. 

No Ceará, 122.475 pessoas de 12 a 17 anos receberam a 1ª dose da vacina, conforme dados do Ministério. As informações foram dadas durante coletiva de imprensa do ministro Marcelo Queiroga. A imunização em adolescentes deve seguir apenas para aqueles que têm comorbidades ou estão privados de liberdade.

A Secretaria de Saúde do Estado (Sesa) faz uma reunião nesta tarde para definir novo planejamento e qual será a orientação aos municípios cearenses. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) também participa do encontro. 

Até as 17 desta quarta-feira (15), 196.835 adolescentes, entre 12 e 17 anos, já haviam sido vacinados em todo o Ceará, conforme o vacinômetro da Sesa.  

Eventos adversos 

Durante a coletiva, o ministro da Saúde adotou um tom alarmista para criticar estados e municípios por vacinaram adolescentes. Ele mencionou um óbito que não tem causa confirmada e eventos adversos em jovens.  

“Desses 3,5 milhões que receberam vacina de forma intempestiva, cerca de 1.500 apresentaram eventos adversos”, disse. 

O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Arnaldo Medeiros, apontou na coletiva que apenas 1.545 pessoas desta população (3,5 milhões) imunizada teve efeitos adversos leves.

Do total de eventos adversos registrados, 93% foram relacionados a erros de imunização — quando o imunizante aplicado foi o não autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No Brasil, apenas a vacina da Pfizer tem permissão para uso em pessoas de 12 a 17 anos.

Os jovens com efeitos adversos, segundo o MS, receberam vacinas CoronaVac, AstraZeneca e Janssen.

Imunizante incorreto 

No Ceará, segundo o Ministério, 1.202 adolescentes receberam o imunizante de outros fabricantes que não foram a Pfizer. São eles:

  • 693 - AstraZeneca;
  • 490 - CoronaVac;
  • 19 - Janssen.

'Excesso de vacina'

Nessa quinta-feira, Queiroga chegou a dizer que o Brasil tem "excesso de vacina" após a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) interromper a distribuição da vacina a AstraZeneca em razão do atraso do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA).

"Precisa acabar com essas narrativas de falta de vacina, isso não é procedente", afirmou o ministro, na última terça-feira (14). 

Hoje, ele manteve o discurso e disse que "tanto tem em excesso que estão aplicando em quem não deve". 

Natal e Salvador suspendem imunização em adolescentes; SP mantém

Após a recomendação do Ministério da Saúde, as prefeituras de Salvador e Natal anunciaram que não vão mais vacinar adolescentes sem comorbidades contra a Covid-19. O Governo do Distrito Federal também suspendeu a aplicação deste público.

Já o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), criticou a orientação e disse que não irá acatá-la. "A vacinação dos adolescentes de 12 a 17 anos vai continuar em SP", publicou nas redes sociais. 

"72% desse público já tomou a 1ª dose. A decisão do Ministro da Saúde causa apreensão e insegurança em milhões de adolescentes e suas famílias. SP está ao lado de pais e mães que querem ver seus filhos imunizados", completou. 

Print do Doria
Foto: Reprodução / Twitter @jdoriajr

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