Visita ao Brasil e declarações sobre LGBTs: confira 7 momentos e frases marcantes de papa Francisco

O Santo Padre ficou internado por cerca de cinco semanas, recebeu alta no fim de março e morreu nesta segunda (21)

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
21 de Abril de 2025 - 11:25 (Atualizado às 13:04)
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Legenda: Papa Francisco rezou missa para 3 milhões de pessoas em Copacabana.
Foto: Christophe Simon/AFP

Marcado por um tom reformista, o pontificado de Francisco se encerrou nesta segunda-feira (21), com episódios emblemáticos ao longo de 12 anos. Com passagem pelo Brasil, declarações pelo fim da guerra e manifestações sobre LGBTs, o argentino deixou um legado na Igreja Católica.

Papa Francisco morreu nesta segunda. O Santo Padre ficou internado por cerca de cinco semanas e recebeu alta no fim de março. Mesmo debilitado, ele deixou uma mensagem para os fiéis no domingo (20) de Páscoa.

Relembre momentos marcantes de Papa Francisco.

Visita ao Brasil  

A primeira viagem internacional de papa Francisco foi ao Brasil, em 2013, e reuniu mais de 3,5 milhões de pessoas na Jornada Mundial da Juventude (JMJ), realizada na Praia de Copacabana.

Segundo o Ministério do Turismo, foi o maior fluxo de visitantes registrados em uma única cidade no País. A grande concentração ocorreu após problemas estruturais no Campus Fidei, no bairro carioca de Guaratiba, onde aconteceriam as celebrações.

O papa aproveitou a situação para fazer uma reflexão: “Penso que podemos aprender algo daquilo que sucedeu nestes dias: por causa do mau tempo, tivemos de suspender a realização desta Vigília no Campus Fidei. Não quererá porventura o Senhor dizer-nos que o verdadeiro Campo da Fé não é um lugar geográfico, mas somos nós mesmos? Sim, é verdade! Cada um de nós, cada um de vocês, eu, todos”, afirmou. 

Postura diante da Covid-19  

Durante os anos mais críticos da pandemia, o papa Francisco protagonizou imagens emblemáticas, como a via-crúcis solitária na Praça São Pedro, substituindo o tradicional trajeto no Coliseu de Roma.

Mesmo com a idade avançada e após cirurgias, o pontífice retomou sua agenda com vigor.

Em 2021, ainda isolado no Vaticano, ele falou sobre a importância da solidariedade no pós-pandemia: “Não negligenciemos a cura. Para além da vacina para o corpo, precisamos da vacina para o coração: é a cura. Será um bom ano se cuidarmos dos outros”, disse, ao pedir um "renascimento e novas curas".

A Igreja e os LGBTs  

O pontificado de Francisco ficou marcado por uma postura mais acolhedora em relação à comunidade LGBT+. “Se uma pessoa é gay e procura Jesus, e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?”, declarou, em viagem de volta a Roma, após a JMJ do Rio de Janeiro, à jornalista Ilze Scamparini. 

Em outra ocasião, chamou o preconceito contra homossexuais de pecado.

Apesar das falas, mudanças doutrinais não ocorreram, e o ato homossexual continua sendo considerado pecado pela Igreja. Ainda assim, o papa autorizou em 2023 a bênção a casais do mesmo sexo — embora o documento tenha reforçado que o matrimônio é exclusivo entre homem e mulher. 

Apesar de avanços, Francisco também foi criticado por declarações consideradas homofóbicas. Em maio de 2024, segundo a imprensa italiana, teria pedido que bispos evitassem aceitar padres abertamente gays porque já havia "viadagem demais" nos seminários. Após a repercussão, pediu desculpas e afirmou não ter intenção de ofender.

Abusos na Igreja  

O caso mais complexo enfrentado pelo papa no pontificado ocorreu durante a visita ao Chile, em 2018. Ao comentar denúncias contra o bispo Juan Barros, acusado de encobrir abusos cometidos pelo padre Fernando Karadima, Francisco afirmou que “não havia provas” contra Barros — declaração que gerou indignação, especialmente entre as vítimas.

Após reuniões com os sobreviventes, o papa reconheceu o erro e pediu perdão. Implementou reformas no episcopado chileno, incluindo demissões e reorganização de dioceses.

Juan Carlos Cruz, uma das vítimas, foi nomeado membro da Comissão Pontifícia para a Proteção de Menores.

O episódio impulsionou a adoção da chamada “tolerância zero” contra abusos na Igreja. Francisco acelerou processos de afastamento de clérigos acusados, como o cardeal americano Theodore McCarrick, e convocou uma histórica reunião em 2019 com 190 representantes de todo o mundo para discutir a proteção de menores.

Restrição ao uso do latim  

Em julho de 2021, Francisco publicou um decreto limitando o uso do latim nas chamadas missas tridentinas, celebradas segundo o rito anterior ao Concílio Vaticano II. A decisão reverteu permissões ampliadas por João Paulo II e Bento XVI, gerando protestos entre os setores mais conservadores.

Francisco justificou a medida dizendo que o latim vinha sendo usado para fomentar divisões internas. “Em defesa da unidade do Corpo de Cristo”, essa medida foi necessária, argumentou.

Mulheres no Sínodo de Bispos  

Em uma decisão inédita, o papa autorizou, pela primeira vez, que mulheres tivessem direito a voto no Sínodo dos Bispos — instância até então restrita a clérigos.

Antes da mudança, as mulheres só podiam participar como auditoras, sem poder de decisão. Agora, cinco irmãs religiosas têm direito a voto. O ato foi considerado um passo importante para a inclusão feminina na estrutura da Igreja.

Aproximação com a Igreja Ortodoxa 

Um gesto histórico marcou o mês de fevereiro de 2016: o primeiro encontro entre o Papa Francisco e o patriarca Kirill, chefe da Igreja Ortodoxa Russa, desde o cisma de 1054.

O aperto de mãos entre os líderes cristãos foi simbólico e considerado um marco de reaproximação entre Oriente e Ocidente.

No entanto, as relações esfriaram após o início da guerra na Ucrânia, especialmente pelo apoio do patriarca russo ao presidente Vladimir Putin. A tensão geopolítica impactou diretamente o diálogo ecumênico promovido pelo Vaticano.

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