Turistas citam neblina, frio intenso e terreno instável em trilha onde brasileira caiu, na Indonésia
Depoimentos foram dados em entrevista ao Fantástico, que foi ao ar nesse domingo (22)
A turista brasileira Juliana Marins, de 26 anos, segue presa em trilha próxima ao vulcão do Monte Rinjani, na ilha de Lombok, na Indonésia. Na última sexta-feira (20), a jovem natural de Niterói, no Rio de Janeiro, escorregou no cascalho e caiu à beira do trajeto. Em entrevista ao Fantástico, que foi ao ar no domingo (22), turistas do grupo dela detalharam as condições do percurso.
"Eu conheci a Juliana um dia antes do passeio, porque nós duas estávamos viajando sozinhas. Começamos a trilha no dia seguinte, fizemos todo o caminho até o topo. Foi muito difícil. Subimos 1,5 mil metros, mas chegamos ao acampamento e ficamos felizes de termos chegado. Mas não ficamos muito felizes com a vista", afirmou a enfermeira Federica Matricardi.
No local, havia muita neblina, impossibilitando ver a paisagem. Por isso, pararam para retomar apenas na manhã seguinte.
"Começamos a subir por volta das 5h45, talvez um pouco antes, tipo 5h15. Estava muito frio e foi muito difícil. Começamos a caminhar juntos, mas alguns rapazes foram mais rápido. Eu fiquei meio que no meio e Juliana logo atrás, com o guia".
Além de Federica, o francês Antoine Le Gac também participava do grupo. O operador petroquímico citou, na entrevista, a instabilidade do terreno. "Durante a trilha, tínhamos diferença de nível. No momento do acidente, eu estava bem na frente, ela estava sozinha atrás com o guia. Era muito cedo, antes do sol nascer, em condição de visibilidade ruim, com uma simples lanterna para iluminar terrenos difíceis e escorregadios".
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Contato com familiares
A brasileira, formada em publicidade, está realizando uma aventura sozinha pela Ásia, já tendo passado pelas Filipinas, Vietnã e Tailândia. A trilha próxima ao vulcão do Monte Rinjani dura cerca de dois dias, por isso, Juliana decidiu ir com um grupo de cinco turistas e um guia.
Segundo o Fantástico, o contato com os amigos e familiares foi feito por espanhóis nas redes sociais. A família recebeu a notícia do acidente na noite de sexta-feira.
A irmã de Juliana, Mariana Marins, explicou que inicialmente foi informada que Juliana tropeçou, escorregando na lateral da trilha. "O guia teria ficado com ela para chamar o resgate. Porém, isso não é verdade", afirmou.
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Conforme informações recebidas de pessoas que trabalham no parque, a jovem estava no grupo, ficou cansada e pediu para parar. "Eles seguiram em frente e o guia não ficou com ela. O guia seguiu com o grupo até o cume que eles iram alcançar e Juliana ficou sozinha por mais de uma hora". Foi ao tentarem localizar a jovem, que viram que ela tinha caído.
"As informações que a gente tem, também do parque, é que Juliana entrou em desespero, porque ela não sabia para onde ir, não sabia o que fazer. Quando o guia voltou, porque percebeu que ela estava demorando muito, ele viu que ela tinha caído lá embaixo".
'Mais um dia sem resgate'
Na manhã desta segunda-feira (23), o perfil Resgate Juliana Marins divulgou que o resgate foi interrompido às 16h do horário local por condições climáticas. "Mas antes, já havia sido dito que eles parariam ao entardecer por não operarem a noite".
"Um dia inteiro e eles avançaram apenas 250 metros abaixo, faltavam 350 metros para chegar na Juliana e eles recuaram mais uma vez! Mais um dia!", escreveram.
Os familiares, que são responsáveis por administrar o perfil, ressaltou que precisam de ajuda para que o resgate chegue até Juliana com urgência. Segundo eles, o parque segue com as atividades normais.
"Turistas continuam fazendo a trilha enquanto Juliana está precisando de socorro! Nós não sabemos o estado de saúde dela! Ela segue sem água, comida e agasalhos por três dias".