Rússia e Ucrânia discordam em cessar-fogo, mas decidem trocar prisioneiros, feridos e 12 mil corpos

Representantes dos países se reuniram em Istambul para negociar acordos sobre guerra

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Imagem mostra representantes da Rússia e da Ucrânia durante rodada de negociações em 2 de junho, ilustrando acordo de troca de prisioneiros, corpos e feridos, mas sem cessar-fogo
Legenda: Moscou sugeriu um cessar-fogo parcial de entre dois e três dias, mas Kiev não aceitou
Foto: ADEM ALTAN / AFP

A Rússia e a Ucrânia concordaram em trocar os prisioneiros de guerra, de menos de 25 anos, e os feridos, além da entrega de milhares de cadáveres de soldados, durante as negociações realizadas nesta segunda-feira (2) em Istambul, que terminaram sem um cessar-fogo.

O acordo acontece mais de três anos após a invasão russa ao país vizinho, e um dia após Kiev reivindicar um ataque com drones "em grande escala" no território russo, que atingiu até a Sibéria. 

Durante a reunião, ambas as partes acordaram uma troca que beneficie todos os prisioneiros de guerra gravemente feridos ou que sejam menores de 25 anos e a entrega de 6 mil corpos de soldados de cada lado, informou o chefe da delegação de Kiev, o ministro da Defesa ucraniano, Rustem Umerov.

Sem cessar-fogo

Apesar do acordo, o encontro terminou sem acordo para o cessar-fogo temporário. "A parte russa continuou rejeitando a proposta de cessar-fogo incondicional", declarou à imprensa o negociador ucraniano, Serguii Kislitsia.

Moscou sugeriu à Ucrânia um cessar-fogo parcial de entre dois e três dias, disse o chefe negociador da Rússia, o assessor presidencial Vladimir Mednski, que declarou que não sabe quantos corpos de soldados estão nas mãos de ucranianos.

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A Ucrânia propôs realizar outro ciclo de diálogos entre 20 e 30 de junho, disse Umerov. Ele destacou que as delegações deveriam acordar um encontro entre os presidentes da Ucrânia, Volodimir Zelensky, e da Rússia, Vladimir Putin, uma proposta rejeitada pelo Kremlin até o momento.

A delegação russa entregou aos ucranianos um memorando sobre "os meios para instaurar uma paz duradoura" e as medidas necessárias "para conseguir um cessar-fogo total", disse o negociador. Já os ucranianos deram a Moscou uma lista de centenas de crianças que afirmam que foram "deportados" pela Rússia e que exigem que sejam repatriados.

O chanceler turco, Hakan Fidan, foi o medidor desse segundo ciclo de negociações que aconteceram no Palácio de Ciragan, um edifício do Império Otomano às margens do Bósforo. Fidan agradeceu a "determinação" do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para conseguir a paz.

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