Quem é Rama Duwaji, primeira-dama de Nova Iorque comparada à princesa Diana

Artista e de origem síria, ela é a mais jovem a ocupar esse posto na história da cidade.

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Redação producaodiario@svm.com.br
Foto de Rama Duwaji, a primeira-dama de Nova Iorque.
Legenda: Rama é ativa nas redes sociais, onde demonstra apoio a causas e aborda questões políticas.
Foto: Reprodução / Instagram.

A cidade mais populosa dos Estados Unidos, Nova Iorque, passou ter, nesta quinta-feira (1º), a primeira-dama mais jovem de sua história. Aos 28 anos, Rama Duwaji é a esposa do muçulmano e socialista Zohran Mamdani, eleito para o cargo de prefeito da “Big Apple” em novembro do ano passado.

Rama nasceu em Houston, no Texas, e tem uma carreira artística com atuação em variadas linguagens. Realiza trabalhos como animadora, ilustradora e ceramista. Apesar de ser estadunidense e morar em Nova Iorque, ela tem origens sírias. O Oriente Médio, aliás, é um tema recorrente no seu trabalho como artista visual.

Suas obras são, em grande parte, produzidas em preto e branco e retratam mulheres, o mundo árabe e temas de justiça social. Em seu site oficial, ela conceitua seu catálogo de ilustrações como algo que “examina as nuances da irmandade e das experiências comunitárias”.

Os trabalhos da nova primeira-dama de Nova Iorque já apareceram em jornais como o The New York Times e The Washington Post, na revista Vice, na BBC News e em museus como o Tate Modern, localizado em Londres, no Reino Unido. Apple e Spotify também já foram clientes dela.

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Rama Duwaji é graduada em Design de Comunicação pela Universidade da Comunidade da Virgínia e se tornou mestra em Ilustração na Escola de Artes Virtuais, em Nova York.

Em sua trajetória artística também estão workshops sobre ilustração e animação com a plataforma criativa global It’s Nice That e outras aulas de cerâmica, atividade a qual se dedica quando dá “uma pausa em tudo que é tecnologia”, como define em seu currículo online.

Casamento com Mamdani

Ela e Mamdani se casaram em fevereiro de 2025. O relacionamento dos dois começou em 2021, pelo aplicativo de namoros Hinge, propagandeado como uma ferramenta para “promover encontros reais”, e o pedido de casamento foi feito por ele no metrô. 

O noivado, por sua vez, aconteceu em Dubai, terra dos pais dela, numa festa para amigos e familiares no rooftop de um hotel, seguindo os preceitos do islamismo. O casal já foi alvo de ataques racistas e islamofóbicos devido à origem muçulmana de ambos.

Durante a corrida eleitoral, Rama se manteve longe dos holofotes, mantendo uma presença discreta nas agendas públicas do companheiro. No entanto, a artista colaborou ativamente a identidade visual da campanha vitoriosa, marcada pelo rompimento com padrões tradicionais da política estadunidense. 

As peças da propaganda eleitoral apostaram em um visual urbano, energético e focado na cultura local de Nova Iorque — tudo isso evidenciado na tipografia, nas cores e nos estilos escolhidos. O trabalho foi executado pela cooperativa de design Forge Design, com a colaboração de Duwaji e do comunicador digital e designer Tyler Evans.

Posicionamento e ativismo político

Ativa nas redes, na última quarta-feira (31), ela compartilhou no seu Instagram uma galeria que, conforme discorreu, viu em dezembro e lhe “fizeram querer fazer arte”. Uma das fotos é um frame de “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho, e que está na lista de pré-selecionados para o Oscar 2026 em duas categorias.

Neste mesmo perfil, seus desenhos destacam apoio a causas como a Global Sumud Flotilla — iniciativa marítima internacional que buscou romper o bloqueio israelense à Faixa de Gaza para levar alimentação, fórmulas infantis e medicamentos ao povo palestino — e denunciam o “imperialismo americano” e o genocídio na Palestina.

No mês passado, ela estrelou um editorial de moda da revista The Cut. À publicação, ela falou sobre sua nova vida como primeira-dama e do seu objetivo de adotar uma abordagem diferente enquanto estiver na atribuição.

“No fim das contas, não sou política. Estou aqui para ser um sistema de apoio para Z e usar o cargo da melhor maneira possível como artista”, disse ela, se referindo ao prefeito como “Z”.

Permanecer ativa como artista é um imperativo para ela, segundo revelou na entrevista. Seu intuito é utilizar da projeção que tem para lançar outros artistas e fortalecer a comunidade.

“Há tantos artistas tentando fazer sucesso na cidade — tantos artistas talentosos e desconhecidos criando obras sem reconhecimento imediato, usando seu último salário em materiais”, declarou.

“Acho que usar essa posição para dar destaque a eles e oferecer-lhes uma plataforma é uma prioridade máxima”, completou ela, que estampou a revista utilizando roupas emprestadas concebidas por jovens estilistas, marcas de Nova Iorque, estilistas negros e peças de moda vintage.

A política foi um dos temas abordados por ela durante a conversa. “Falar abertamente sobre a Palestina, a Síria, o Sudão — tudo isso é muito importante para mim”, frisou, pontuando ainda que se mantém informada sobre o que acontece nos Estados Unidos e no mundo. Segundo ela, a moda é uma maneira de se posicionar politicamente.

Comparação com Lady Di

A ascensão de uma figura política que supera seu papel institucional para se tornar referência de moda e comportamento tem produzido comparações entre Rama Duwaji e a Princesa Diana, que prezou por marcadores como estilo, autenticidade e presença política entre os anos 1980 e 1990. 

Apesar disso, ambas se notabilizaram por personalidades e modos distintos de engajamento político. Enquanto a Princesa de Gales quebrou protocolos da realeza e defendeu ações de conscientização sobre o HIV, a primeira-dama de Nova Iorque milita no ativismo feminino e expressa na arte a diáspora árabe.

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