'Prefiro desaparecer', disse Noelia Castillo em última entrevista

Ela declarou que não se sentia compreendida e que carregava um sentimento constante de solidão. A espanhola morreu nesta quinta-feira (26).

Escrito por
João Lima Neto joao.lima@svm.com.br
(Atualizado às 09:29)
Diagnosticada com paraplegia irreversível desde 2022, Noelia Castillo Ramos, 25, teve o pedido de morte assistida aprovado inicialmente em julho de 2024.
Legenda: Diagnosticada com paraplegia irreversível desde 2022, Noelia Castillo Ramos, 25, teve o pedido de morte assistida aprovado inicialmente em julho de 2024.
Foto: Reprodução/YouTube

A espanhola Noelia Castillo declarou que “preferia desaparecer”, durante a última entrevista, concedida quatro dias antes de se submeter a um procedimento de eutanásia legalmente autorizado. A conversa foi exibida pela emissora Antena 3, dias antes da morte da jovem, ocorrida nesta quinta-feira (26).

Na entrevista, Noelia relatou sofrimento físico e emocional persistente e comentou a oposição da família à decisão. Segundo ela, os familiares argumentavam sobre a dor da perda, mas a jovem questionava o próprio sofrimento acumulado. “Só quero ir embora em paz e deixar de sofrer”, afirmou.

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Diagnosticada com paraplegia irreversível desde 2022, Noelia Castillo Ramos, 25, teve o pedido de morte assistida aprovado inicialmente em julho de 2024, após avaliação da Comissão de Garantia e Avaliação da Catalunha. A espanhola morreu nesta quinta-feira (26).

Ao longo da conversa, Noelia declarou que não se sentia compreendida e que carregava um sentimento constante de solidão. “Não gosto do rumo que o mundo e a sociedade estão tomando; prefiro desaparecer, porque está cada vez pior”, disse.

A jovem também descreveu dores físicas frequentes e dificuldades para realizar atividades cotidianas. Segundo o relato, ela enfrentava problemas para dormir, além de dores nas costas e nas pernas. “Não tenho vontade de nada, nem de sair, nem de comer, só descansar”, afirmou.

Espanhola foi diagnosticada com transtornos psiquiátricos

Noelia contou que lidava com problemas de saúde mental desde a adolescência e que havia sido diagnosticada com transtornos psiquiátricos, como transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e transtorno de personalidade borderline. Ela também relembrou episódios traumáticos, incluindo tentativas de suicídio e internações em instituições psiquiátricas.

Apesar do quadro, afirmou que mantinha certa autonomia no dia a dia. “Não é verdade que eu esteja acamada. Eu me levanto, tomo banho sozinha, me maquio, me organizo sozinha”, declarou.

A mãe da jovem, Yolanda Ramos, também falou à emissora. Ela afirmou não concordar com a escolha da filha, mas disse respeitar a decisão. Segundo Yolanda, os últimos anos foram marcados por dificuldades e incertezas. “Foram três anos de altos e baixos, anos horríveis”, declarou.

A mãe afirmou ainda que mantinha esperança de que a filha desistisse do procedimento até o último momento. “Não perdi a esperança de que, no último momento, quando colocarem o soro para sedá-la, ela queira parar tudo isso e mudar de ideia”, disse.

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