O que é 'Mão Morta?' Míssil nuclear 'apocalíptico' da Rússia foi citado em resposta a Trump
Armamento foi desenvolvido em 1970 e remonta época da Guerra Fria
Na última sexta-feira (1º), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou a movimentação de submarinos nucleares em resposta a uma ameaça russa envolvendo um sistema de armas conhecido como "Mão Morta". A decisão faz parte de uma série de declarações de alto escalão e um tom agressivo entre as potências nucleares.
Na segunda-feira (28), Trump afirmou estar decepcionado com Moscou e deu um prazo de 10 dias para um cessar-fogo com a Ucrânia. Caso contrário, ele prometeu endurecer as sanções contra o governo russo.
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Dimitri Medvedev, ex-presidente russo e atual vice do Conselho de Segurança do país, respondeu no mesmo dia, por meio de uma rede social. Ele acusou o estadunidense de jogar o "jogo do ultimato" e disse que as pressões representam "um passo em direção à guerra".
Na quarta-feira (30), Trump chamou Medvedev de "fracassado" e disse que o russo precisava ter cuidado com as palavras. Horas depois, Medvedev usou uma rede social para dizer que o chefe da Casa Branca estava nervoso e fez uma ameaça: "Trump deveria se lembrar de como a lendária 'Mão Morta' pode ser perigosa".
O que é 'Mão Morta'?
O "Mão Morta", também conhecido como "Perimetr", é classificado como um sistema de mísseis nucleares de alto poder destrutivo, chegando a ser descrito como uma "arma apocalíptica". A concepção dessa arma remonta à Guerra Fria, com o desenvolvimento pela União Soviética.
O objetivo do sistema, projetado nos anos 1970, é garantir uma retaliação nuclear mesmo após a morte de líderes russos, assegurando uma resposta decisiva a um ataque, especialmente se os principais dirigentes, incluindo o presidente, forem incapacitados.
O jornal The New York Times chegou a se referir a ele como uma "máquina do juízo final", numa reportagem publicada em 1993.
O sistema "Mão Morta" foi projetado para uma "resposta final" caso a Rússia sofra um ataque que comprometa sua liderança, como um ataque nuclear em larga escala.
A operação envolve um sistema de sensores para detectar um ataque nuclear, bem como a emissão de pedidos de resposta para a tomada de decisão de uma cúpula ou do presidente da Rússia — se este estiver vivo e acessível — ou da maleta nuclear — esta última se não houver resposta nas etapas anteriores — ou de algum centro de comando responsável por foguetes estratégicos. Ainda há a possibilidade de lançamento automático de mísseis.
O armamento ganhou o apelido de "Mão Morta" justamente por conseguir ser acionado de forma automática, em um cenário em que as principais lideranças russas estariam mortas. A inteligência dos EUA divulgou em 2017 que o sistema estaria ativo. Acredita-se que ele foi aprimorado ao longo dos anos.
Submarinos dos EUA
Em entrevista à emissora Newsmax, nessa sexta-feira, Trump afirmou que enviou dois submarinos nucleares para uma área próxima da Rússia. O presidente americano reforçou que a operação tem relação com a ameaça feita por Dimitri Medvedev envolvendo o Mão Morta.
“Ele não deveria ter dito isso. Ele tem uma boca solta. Já disse outras coisas antes também. Então, queremos sempre estar preparados”, afirmou Trump. “Enviei dois submarinos nucleares para a região. Só quero ter certeza de que as palavras dele são apenas palavras, nada além disso”, comentou.
Questionado se os submarinos estavam mais próximos da Rússia, Trump respondeu: “Estão mais próximos da Rússia. Sim, estão mais próximos da Rússia.”