Joe Biden vê pauta no Congresso ameaçada por julgamento de Trump

O novo presidente dos EUA apresentou um plano emergencial de US$ 1,9 trilhão para recuperar a economia e reforçar benefícios sociais, mas a medida pode não avançar tão rapidamente, já que o Congresso tem outras prioridades

fotografia
Legenda: O presidente recém-empossado aguarda a confirmação completa do seu gabinete pelo Senado
Foto: AFP

Após tomar posse em um cenário ainda conturbado politicamente, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden (Democrata), já anunciou algumas medidas para o enfrentamento da crise sanitária e econômica no país. Apesar da maior potência do mundo ter iniciado a vacinação contra a Covid-19, o democrata projeta que a doença deixará mais de 600 mil mortos no país. Por isso, pediu ao Congresso que aprove rapidamente seu plano multimilionário para lutar contra a pandemia e levar alívio econômico aos americanos.

Apesar da insistência de Biden pela aprovação do seu plano de emergência de US$ 1,9 trilhão para reativar a economia, aumentar a ajuda alimentar e reforçar os benefícios sociais dos trabalhadores federais, o avanço da agenda legislativa do novo chefe de Estado pode se complicar com o julgamento político iminente de seu antecessor, Donald Trump, no Senado. 

Os principais líderes democratas indicaram que a Câmara dos Representantes enviará na próxima segunda-feira a ata de acusação contra Trump ao Senado, onde o republicano será julgado, por incitar à violência que resultou na invasão do Capitólio, sede do Congresso americano, no dia 6 de janeiro. A previsão é que após os trâmites iniciais, para apresentação da acusação e defesa, o julgamento ocorra na segunda semana de fevereiro.

Com medo de que isso pudesse atrapalhar a aprovação de suas pautas, Biden tinha pedido que o Congresso adiasse o julgamento por algumas semanas. “Grande parte dos Estados Unidos sofre”, assinalou ele, antes de assinar dois decretos para responder à crise alimentar e acelerar o apoio aos americanos.

“Estamos em 400 mil mortos e espera-se que superemos 600 mil. As famílias passam fome. as pessoas correm o risco de serem despejadas, as perdas de emprego voltam a aumentar. Precisamos agir”, frisou.

Biden disse que está pronto para trabalhar com ambos os partidos no Congresso a fim de “avançar rapidamente” na adoção do pacote de medidas apresentado na semana passada. Ao mesmo tempo, precisa de uma confirmação rápida do seu gabinete pelo Senado.

Gabinete

Ontem, o democrata até elogiou a aprovação rápida do Senado ao nome do general reformado Lloyd Austin para assumir como secretário da Defesa, tornando-se o primeiro negro a assumir a chefia do Pentágono. No entanto, ainda falta a confirmação de outros dois postos-chave: os de secretário de Estado (Antony Blinken) e do Tesouro (Janet Yellen).
Desde que assumiu o cargo no dia 20, Biden já emitiu 27 ordens executivas para enfrentar suas prioridades mais urgentes na crise no país.

Decretos

Enquanto o seu plano de recuperação econômica não é aprovado, o presidente assegurou que os dois decretos assinados por ele irão aumentar a ajuda alimentar e reforçar os benefícios sociais dos trabalhadores federais. “Um em cada sete lares americanos, mais de um em cada cinco lares de negros e latinos, informam que não contam com comida suficiente. Isso inclui 30 milhões de adultos e até 12 mihões de crianças”, declarou o novo chefe da Casa Branca.

Com as escolas fechadas pela pandemia, estima-se que cerca de 12 milhões de crianças que recebiam alimentação escolar não têm o suficiente para comer. As filas nos refeitórios populares aumentaram e os bancos de alimentos estão sobrecarregados, inclusive nos bairros abastados da capital federal.

Biden disse que pedirá ao Departamento de Agricultura que amplie e flexibilize a assistência a pessoas e famílias de baixa renda e sem renda (SNAP). Ele também prevê aumentar em 15% o volume de dinheiro que o governo deposita nos cartões eletrônicos EBT (Electronic Benefit Transfer) para compensar a ausência de alimentação escolar. Atualmente, são depositados até US$ 5,7 diários por criança em idade escolar.

O governo Biden quer assegurar também que as ajudas já aprovadas pelo Congresso cheguem às famílias que mais precisam delas. Segundo o Conselho Econômico Nacional, “muitos americanos tiveram problemas em receber a primeira parte de pagamentos diretos e até oito milhões de lares elegíveis não receberam os pagamentos emitidos em março”. Biden já assinou uma ordem executiva para estender a moratória dos despejos por falta de pagamento.

Cerca de 18 milhões de americanos vivem do seguro desemprego. Este subsídio foi prorrogado até o fim de setembro, assim como a possibilidade de obter licença remunerada por doença em caso de contágio pela Covid-19.

Diálogos com nações

O governo Joe Biden comunicou ao Afeganistão sua vontade de rever o acordo assinado em fevereiro do ano passado pelos Estados Unidos com o Talibã, para avaliar se este último honrou o compromisso de cortar todos os vínculos com grupos terroristas, reduzir a violência e manter negociações sérias com o governo afegão e outros atores e que está disposto a apoiar os diálogos de paz em curso “com esforços diplomáticos firmes em nível regional”.

Interesse venezuelano

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, não reconhecido pelos Estados Unidos, convocou ontem a nova administração de Joe Biden para “virar a página” e declarou-se disposto a estabelecer “um novo caminho” nas relações diplomáticas rompidas entre Caracas e Washington. “Queremos trilhar um novo caminho de relações com o governo Joe Biden baseado no respeito mútuo, no diálogo, na comunicação e na compreensão”, disse Maduro em discurso aos apoiadores.

Quero receber conteúdos exclusivos sobre o mundo