Alexandre e Rebeca Ramagem reagem à expulsão de delegado brasileiro dos EUA
Esposa do ex-chefe da Abin critica autoridades e marido repercute decisão americana sobre "manipulação" migratória.
Após o governo de Donald Trump ordenar a saída de um delegado da Polícia Federal dos Estados Unidos, Alexandre Ramagem e sua esposa, Rebeca Ramagem, manifestaram-se publicamente sobre o caso.
Conforme noticiado pelo portal O Globo, Rebeca utilizou as redes sociais para criticar o que chama de perseguição política contra o marido.
Em sua postagem, ela afirmou que "covardia é a arma dos fracos". "Há exatamente uma semana, eu estava lutando pela verdade. Ela sempre aparece", completou.
Alexandre Ramagem, que é considerado foragido no Brasil, por sua vez, repercutiu a nota oficial americana que justificou a medida contra o funcionário brasileiro.
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De acordo com o documento do Departamento de Estado, houve uma "tentativa de manipular o sistema de imigração do país" durante o episódio em que Ramagem foi detido em Miami.
A nota destaca ainda que "nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos".
Apoio de Eduardo Bolsonaro
Alexandre Ramagem também compartilhou um vídeo gravado por Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos.
Na gravação, Eduardo atacou a atuação da PF e do Supremo Tribunal Federal, afirmando que a saída do delegado representou um "dia ruim para Moraes" e uma "boa notícia para os amantes da liberdade".
Segundo Eduardo, a polícia brasileira teria tentado usar um "atalho" migratório para evitar o processo formal de extradição.
Brasil pode adotar reciprocidade
Enquanto isso, o governo brasileiro busca esclarecimentos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que o Brasil pode adotar medidas de "reciprocidade" se ficar provado algum "abuso" por parte dos EUA. Lula ressaltou que não aceita "ingerências" externas em assuntos de Estado.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmaram que o delegado Marcelo Ivo de Carvalho atuava em cooperação com órgãos americanos como o ICE.
O ICE chegou a informar que Ramagem "tem direito à permanência provisória nos EUA" devido a um pedido de asilo pendente. Para substituir o delegado em Miami, a PF já nomeou Tatiana Alves Torres.