EUA pedem que delegado brasileiro deixe o país após caso Ramagem

Governo americano acusa policial de interferência em extradições; Lula cita possível resposta diplomática.

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Redação producaodiario@svm.com.br
Foto de policial alvo de decisão dos EUA.
Legenda: Decisão foi comunicada por meio de uma rede social.
Foto: Reprodução/Redes sociais.

As autoridades dos Estados Unidos determinaram que o delegado da Polícia Federal (PF) Marcelo Ivo de Carvalho deve sair do país. O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo americano divulgou a medida na segunda-feira (20).

A decisão foi divulgada sem menção ao nome do policial, que foi confirmado posteriormente pela Embaixada dos Estados Unidos no Brasil à TV Globo. 

Carvalho estava em missão em Miami desde março de 2023, trabalhando na identificação e captura de brasileiros foragidos. Ele esteve envolvido na detenção do ex-deputado Alexandre Ramagem em Orlando, ocorrida em 13 de abril. 

Ramagem, que foi solto dois dias depois, publicou um vídeo onde afirmou "agradecer ao governo norte americano, da mais alta cúpula da administração Trump".

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O policial brasileiro atuava em solo americano junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE). A administração dos EUA afirma que uma autoridade do Brasil buscou "contornar pedidos formais de extradição" com o objetivo de realizar "perseguições políticas". 

Em nota publicada em rede social, o governo declarou que "nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos". 

"Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro em questão deixe o país por tentar fazer isso", diz o comunicado oficial.

Lula avalia reciprocidade contra decisão dos EUA

Sobre o afastamento do delegado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou que o Brasil pode tomar atitudes equivalentes contra funcionários americanos. 

Conforme noticiado pelo g1, Lula disse em entrevista na Alemanha que "se houver uma decisão unilateral do governo americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o dele no Brasil".

Lula na Alemanha.
Legenda: Na Alemanha, Lula declarou que pode adotar princípio da reciprocidade em relação com os EUA.
Foto: Ricardo Stuckert / PR.

Lula também manifestou que não pretende aceitar "essa ingerência e esse abuso de autoridade que algumas pessoas americanas querem ter com relação ao Brasil". 

Enquanto isso, o Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, informou que não irá comentar o episódio no momento.

Já a Polícia Federal esclareceu que o delegado trabalhava de forma integrada com as autoridades de Miami e que sua função era de conhecimento comum.

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