Dor de cabeça: veja tipos, causas e tratamentos

Estudo indica que mais da metade da população mundial sofre com o problema

Escrito por Carol Melo, carolina.melo@svm.com.br

Ser Saúde
Mulher branca jovem com dor de cabeça
Legenda: Condição possui origem genética, ou seja, o indivíduo já nasce com a tendência a apresentar cefaleia
Foto: Shutterstock

Existem diferentes tipos de dor de cabeça e cada um deles atinge uma região específica do crânio. Em alguns casos, a cefaleia ainda pode ser acompanhada de outros sintomas ou ser o sinal provocado por alguma doença.  

Mais da metade da população mundial, cerca de 52%, sofre com o problema, conforme um estudo realizado pela Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia, publicado em abril de 2022 na revista científica The Journal of Headache and Pain

O tratamento para cefaleia é geralmente realizado com medicamentos focados em aliviar a dor, mas também há substâncias que atuam na prevenção e/ou na causa, como em um quadro de virose, por exemplo. Além dos produtos químicos, também há hábitos que podem auxiliar no alívio do quadro

  

Tipos de dor de cabeça 

As dores de cabeça, chamada ainda de cefaleias, podem ser divididas em três principais tipos, como revela o neurologista e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Espártaco Ribeiro*. São eles: enxaqueca, dores de cabeça tensional e trigêmino-autonômica. A seguir, ele explica as principais características de cada uma dela.

Enxaqueca 

Também chamada migrânea, esse tipo de cefaleia é caracterizado por uma dor pulsátil, ou seja, o paciente pode sentir a sensação de "latejamento", com intensidade variando entre moderada a severa, concentrada em uma parte da cabeça — frente ou a atrás —, e contínua (hemicraniana). 

Ela pode durar entre 4 horas a, no máximo, 72 horas (equivalente a três dias). E, conforme o médico, é acompanhada de outros sintomas além da dor, como náuseas (enjoos e 'gasturas') ou vômitos, além de sensibilidade a luz (fotofobia) ou a sons (fonofobia). O paciente que apresenta esses últimos sinais pode registrar piora da intensidade da cefaleia em ambientes claros e/ou em locais com barulho.

Indivíduos com enxaqueca também podem piorar o quadro de dor de cabeça ao realizar esforço físico, como exercícios. 

Dor de cabeça tensional  

Apontada como a forma mais comum de cefaleia pelo especialista, ela é caracterizada por um quadro de dor com intensidade entre leve e moderada, que dura entre 30 minutos a sete dias.  

Diferente da enxaqueca, ela não piora com a prática de atividade física e, normalmente, não é acompanhada de outras sintomas além da dor, como fotofobia, fonofobia, náusea ou vômitos. 

Dor de cabeça trigêmino-autonômica  

Também conhecida como cefaleia em salvas, este tipo de dor, apesar de ser o menos comum, é o mais intenso, podendo durar entre 15 minutos e, no máximo, três horas.  

A trigêmino-autonômica é caracterizada por uma dor forte e incapacitante que atinge regiões como ao redor ou acima dos olhos, ou a lateral da cabeça — atingindo, normalmente, só um dos lados. 

A cefaleia em salvas ainda pode ser acompanhada de sintomas específicos, segundo o neurologista, como lacrimejamento, olhos avermelhados, rinorreia (corrimento excessivo de muco nasal), sensação de ouvido entupido e o rosto ainda pode apresentar inchaço e vermelhidão. 

Principais causas 

Mulher negra jovem com dor de cabeça
Legenda: Longos períodos de jejum ou entre as refeições podem provocar dor de cabeça
Foto: Shutterstock

As cefaleias são causadas por fatores genéticos, ou seja, cada indivíduo já nasce com a predisposição, espécie de facilidade em sentir dor de cabeça, e essa tendência acaba se manifestando em algum momento ao longo da vida, como esclarece Espártaco Ribeiro.   

No entanto, existem alguns agentes relacionados ao estilo de vida que desencadeiam essas dores. O médico listou alguns deles a seguir:   

  • Estresse; 
  • Noites mal dormidas; 
  • Alimentação irregular, com longos períodos entre uma refeição e outra; 
  • Jejum prolongado; 
  • Sobrecarga de trabalho; 
  • Preocupações emocionas; 
  • Pouca ingestão de água.

Quando procurar um médico?  

O neurologista indica que é necessário buscar um especialista quando a cefaleia é recorrente e resistente. Por exemplo, caso o paciente continue a sentir dor, mesmo após ingerir medicação, e apresentar, na verdade, uma intensificação do quadro.  

Além da dor de cabeça, se a condição for acompanhada de outros sintomas, como os listados abaixo pelo médico, é importante que o paciente procure assistência profissional. São sinais de alerta:    

  • Dificuldade para caminhar e falar; 
  • Perda de visão associada a dor;  
  • Sonolência excessiva. 

Tratamentos 

Homem negro com dor de cabeça
Legenda: Estudo norueguês indica que 52% da população mundial sofre com o problema
Foto: Shutterstock

Existem diversos tratamentos disponíveis para tratar dores de cabeça. Espártaco Ribeiro detalha haver procedimentos realizados através de comprimidos, medicações aplicadas através da via nasal (em formato de spray), injetáveis, entre outros. No mercado, estão disponíveis substâncias indicadas tanto para aliviar a dor quanto para preveni-la. 

No entanto, como frisa o neurologista, o primeiro passo para tratar a condição é procurar ajuda de um especialista, como um clínico geral, pois ele indicará o melhor remédio para aliviar a dor, considerando o perfil e o histórico do paciente, como alergias ou doenças secundárias. 

Remédios para dor de cabeça 

As principais medicações utilizadas para melhorar as crises de dores na cabeça são as analgésicas, como a Dipirona e o Paracetamol, explica o médico. Anti-inflamatórios não- esteroidais (AINEs), como Ibuprofeno, Naproxeno e Cetoprofeno, também são indicados para tratar o quadro, conforme recomendação da Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBC).   

Mas cada uma dessas substâncias só deve ser tomada após a avaliação de um especialista, alerta o neurologista, já que elas podem desencadear ou agravar algum outro problema de saúde do paciente.  

Dúvidas comuns 

O que fazer para aliviar a dor de cabeça? 

Garoto com dor de cabeça
Legenda: Dormir durante a crise de dor de cabeça pode ajudar principalmente pacientes infantis
Foto: Shutterstock

Além de usar medicamentos para aliviar a cefaleia, Espártaco Ribeiro explica que há alguns hábitos que podem ser feitos para a ajudar combater o quadro.

Indivíduos com enxaqueca ou com dor de cabeça tensionais podem sentir uma melhora ao permanecer em um local escuro, calmo e silencioso. Outra estratégia que pode reduzir a dor do paciente, principalmente em crianças, é dormir.  

No entanto, no caso da cefaleia em salvas ou trigêmino-autonômica, o médico esclarece que as dicas anteriores não costumam ser eficazes, sendo necessário procurar ajuda médica em algum pronto socorro para que medidas específicas de tratamento sejam realizadas.  

Grávida pode tomar remédio para dor de cabeça? 

O neurologista informa que existem medicamentos seguros para mulheres grávidas que apresentem dores de cabeça, mas recomenda que o ideal é que as pacientes realizem uma consultar com um especialista para ser escolhido o melhor remédio.  

Qual chá é bom para dor de cabeça? 

Espártaco Ribeiro disse desconhecer chás que podem ajudar a aliviar um quadro de cefaleia, mas listou alguns hábitos que podem prevenir a dor de cabeça. São eles:  

  • Manter uma alimentação saudável, evitando permanecer longos intervalos sem se alimentar; 
  • Manter uma boa hidratação com ingestão recomendada de água por dia; 
  • Melhorar a qualidade do sono; 
  • Praticar atividades físicas regularmente; 
  • Ter uma ocupação, como estudar ou trabalhar; 
  • Ter momentos de lazer e de descontração; 
  • Manter o bem-estar emocional. 

*Dr. Espártaco Moraes Lima Ribeiro é médico Neurologista, CREMEC 10838, RQE 10592. Possui especialização em Neurologia pela Academia Brasileira de Neurologia da Associação Médica Brasileira (ABN/AMB). É graduado em Medicina pela Universidade Federal do Ceará (UFC), tem residência médica em Neurologia pelo Centro Hospitalar Universitário de Caen e pelo Centro Hospitalar Universitário de la Pitié-Salpétriè Paris. Atualmente é professor auxiliar/efetivo de Neurologia nas faculdades de Medicina da UFC e do Centro Universitário Inta (Unita). Também é médico assistente do serviço de Neurologia e Neurocirurgia da Santa Casa de Misericórdia de Sobral.