Vingança e tiros nas costas: quem são os absolvidos e o condenado por assassinato na Barra do Ceará
Segundo as investigações, a vítima já havia sido ameaçada, tendo mudado do bairro em que residia com a família.
Um homem foi condenado e um casal absolvido pelo assassinato de uma vítima morta com tiros nas costas, na Barra do Ceará, em Fortaleza. O único sentenciado à prisão pelo homicídio é Leandro Silva Fiúsa, que deve cumprir 16 anos e sete meses de reclusão.
O Tribunal do Júri decidiu condenar Leandro pela morte de Daniel Olegário Alves, o 'Danielzinho', executado no dia 24 de setembro de 2017. Já Renata Cristina Vieira de Sousa e Rafael Ribeiro Chaves foram absolvidos pelo crime durante a sessão na 3ª Vara do Júri.
O Ministério Público do Ceará (MPCE) destacou o uso de meio que impossibilitou a defesa da vítima, que teria sido atraída ao local dos fatos. Os criminosos teriam pensado em uma emboscada para levar Daniel ao local, sob pretexto de pegar uma motocicleta emprestada.
"O réu, acompanhado de comparsas, cometeu o crime para vingar o assassinato de um amigo, que eles acreditavam ter sido praticado pela vítima, em 1º de janeiro de 2017, após uma briga de bar", explica o Ministério Público, que apelou apenas da absolvição de Rafael, pedindo que ele seja levado a um novo julgamento.
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Apesar do órgão acusatório ter apresentado memoriais finais pedindo a condenação do trio, durante o julgamento, o MP argumentou pela absolvição de Renata, "o que foi acolhido pelos jurados". As defesas deles não foram localizadas pela reportagem.
"Segundo as investigações, a vítima já havia sido ameaçada, tendo mudado do bairro em que residia com a família por conta disso".
VÍTIMA FALAVA AO CELULAR QUANDO FOI MORTA
De acordo com a denúncia, os réus junto a Eder Jofson da Silva, o 'Vaca', já morto, foram os responsáveis pelo homicídio de Danielzinho.
Tudo começou quando Daniel teria discutido com um homem identificado como Richard, em um bar. Daniel teria sido ameaçado nesta ocasião e saiu do local, tendo instantes depois voltado e atirado no desafeto.
Richard Mentes da Silva, supostamente membro da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) foi morto no dia 1º de janeiro de 2017 e o processo arquivado em decorrência da morte de Daniel.
Ainda vivo, Daniel teria passado a receber novas ameaças e atraído ao local onde foi assassinado.
Conforme trecho da acusação, "no local do crime, enquanto estava distraída utilizando o celular, a vítima foi surpreendida pelo réu Rafael e por Ederf (já falecido), os quais se aproximaram em uma moto de propriedade do réu Leandro, e agindo em concurso, de inopino passaram a efetuar disparos de arma de fogo contra a vítima".
Danielzinho foi atingido por três disparos de arma de fogo.
Em razão de usar o celular quando foi executado, a Justiça deferiu a quebra de sigilo de dados do terminal que Daniel usava e o relatório apontou que Renata é quem teria atraído a vítima ao local do crime.
O MP aponta que "os registros de chamadas mostraram que tanto Leonardo quanto Renata tiveram contatos telefônicos com a vítima momentos antes de a mesma ser morta. Além disso, os registros das ERBs evidenciaram que durante essas ligações os mesmos estavam próximos à vítima, há cerca de 500m de distância".
Leonardo Silva negou a autoria dos fatos em juízo e disse que soube que quem matou Daniel foi o 'Vaca'. Os demais acusados também negaram participação no crime.