Reconstituição da morte de Mizael durou mais de seis horas e teve participação de PMs suspeitos

A reportagem apurou que o laudo da reprodução simulada dos fatos deve ser emitido em até 45 dias. O adolescente foi morto durante ação policial em julho de 2020

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Legenda: A reprodução teve início ainda na noite dessa quinta-feira (18), e se estendeu até a manhã do dia seguinte
Foto: Foto: Divulgação/MPCE

A reconstituição do assassinato do adolescente Mizael Fernandes da Silva, de 13 anos, começou no fim da noite dessa quinta-feira (18) e foi finalizada por volta das 5h desta sexta-feira (19), em Chorozinho, Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). A reportagem apurou que o laudo da perícia deve sair em até 45 dias.

A reprodução simulada do crime, que vitimou o jovem no dia 1º de julho do ano passado, contou com a participação dos policiais militares, suspeitos de matar Mizael. Familiares da vítima que estavam na residência no dia da ação policial também participaram do momento.

Para a família, a reconstituição deve ajudar a acelerar o processo e mostrar de fato quem matou Mizael e porquê ele foi morto. A família de Mizael sustenta a versão que o garoto dormia, quando foi covardemente atingido pelos disparos da arma de um dos policiais envolvido na ocorrência.

Já os PMs dizem que agiram para revidar. Na versão dos agentes, Mizael estava armado e teria demonstrado querer disparar contra a Polícia. Perícia apontou que não foram encontrados traços genéticos do adolescente na arma de fogo apresentada pela composição investigada.

Também participaram da reconstituição membros do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), por meio da Promotoria de Justiça de Chorozinho e com apoio do Núcleo de Investigação Criminal (Nuinc), a Delegacia de Assuntos Internos (DAI) da Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD), a Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) e o Conselho de Defesa do Policial no Exercício da Função (CDPEF).

Investigação

Consta nos autos que os PMs Enemias Barros da Silva e Luiz Antônio de Oliveira Jucá participaram da execução da vítima. O sargento Enemias é quem teria disparado contra o menino. Para O MPCE, houve excesso na ação policial.

Em novembro de 2020, a DAI indiciou um policial militar pelo crime. No relatório da Delegacia enviado à Justiça Estadual constava que apesar de outras diligências serem importantes, a autoria e a materialidade do crime estavam definidas. No entanto, novas diligências foram solicitadas, como a reprodução do fato. Atualmente, o caso tramita na Vara do Júri de Chorozinho.

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