PMs são demitidos pela CGD por praticar assalto e por atirar contra seguranças de festa

Controladoria de Disciplina ainda instaurou investigações contra 17 PMs, inclusive dois suspeitos de participar da Chacina de Quiterianópolis

Decisões da CGD foram publicadas no Diário Oficial do Estado da última segunda-feira (18)
Legenda: Decisões da CGD foram publicadas no Diário Oficial do Estado da última segunda-feira (18)
Foto: Kléber A. Gonçalves

Um policial militar preso em flagrante por cometer assalto e outro PM, suspeito de atirar contra seguranças de uma festa após uma briga, foram punidos com a demissão pela Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD). As decisões foram publicadas no Diário Oficial do Estado (DOE) da última segunda-feira (18).

O soldado Douglas José da Silva Lima estava com Licença para Tratamento de Saúde (LTS) quando foi detido junto de um comparsa após praticar um assalto, no bairro Romeirão, Município de Juazeiro do Norte, na noite de 12 de abril de 2017. Com a dupla, foram apreendidos um simulacro de arma de fogo, um rádio de comunicação na frequência da Polícia e objetos roubados.

Durante o processo administrativo, a defesa de Douglas alegou ausência de provas para puni-lo. A portaria da CGD traz que o soldado já tinha respondido a outra investigação administrativa por crime similar, que foi arquivada por falta de provas.

Mas, desta vez, "a Comissão exarou que não havia se falar em ausência de provas, pois as informações são patentes sobre a existência e autoria da transgressão, devendo ser aplicada a sanção de “expulsão ao acusado por haver praticado condutas transgressivas maculadoras da honra pessoal, do pundonor militar estadual, comprometendo o decoro da classe, com ações de repercussões negativas para com a Corporação Alencarina”.

Briga e tiros no Terminal Marítimo

Já o cabo da Polícia Militar do Ceará (PMCE) Johnatan Tiago Silva de Andrade foi demitido por atirar contra dois seguranças de uma festa que acontecia no Terminal Marítimo do Mucuripe, em Fortaleza, após uma briga, na madrugada de 12 de outubro de 2016.

Um dos seguranças, que tinha apenas 24 anos na época, sofreu um tiro nas costas e ficou paraplégico. O outro profissional também foi baleado. O cabo Johnatan Tiago foi preso em flagrante.

O militar argumentou que tinha a intenção de dar voz de prisão a um segurança, mas a arma de fogo disparou acidentalmente. Ele acrescentou que as pistolas da marca Taurus estavam apresentando esse defeito, à época.

Para a CGD, "diante do conjunto probatório (testemunhal/material), os fatos ficaram mais que evidenciados, sem deixar qualquer dúvida sobre a autoria no que se refere à dupla tentativa de homicídio".

Investigações contra 17 PMs

No mesmo Diário Oficial do Estado, a Controladoria Geral de Disciplina publicou portarias para investigar supostas transgressões disciplinares cometidas por outros 17 policiais militares, no Ceará.

Desse total, sete policiais militares foram denunciados por abordagens policiais realizadas com "excessos", como agressões físicas e violações de domicílios, em Fortaleza e em Morada Nova. Outros quatro PMs foram denunciados por forjar um flagrante, com drogas, e também cometerem agressões físicas, em Aquiraz.

Há militares alvos de investigações ainda por denúncias de perseguição a um proprietário de um terreno; também de perseguição a uma mulher, para obter uma informação; por atirar em via pública; e por dirigir embriagado e desacatar policiais civis.

PMs suspeitos de chacina são afastados

Dois policiais militares ainda vão responder a um Conselho de Disciplina e foram afastados preventivamente pela CGD por suspeita de participação na Chacina de Quiterianópolis, que deixou cinco mortos, no dia 18 de outubro de 2020. Os dois praças e um oficial foram presos em dezembro do ano passado.

Legenda: Crime vitimou cinco pessoas no dia 18 de outubro deste ano.
Foto: VC Repórter

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