O Barroso e suas portas trancadas

Legenda: A reportagem esteve no local, na manhã de ontem, e presenciou portas e janelas dos imóveis (inclusive de comércios) trancadas
Foto: Foto: Saulo Roberto

Dezenas de famílias que foram expulsas das próprias casas, pela facção criminosa Guardiões do Estado (GDE), ainda não voltaram para as residências, no Barroso II, uma semana após pichações ameaçadoras se espalharem pelos muros da comunidade. A Polícia continua agindo com uma força-tarefa na região, mas os moradores que restaram têm medo do que será da comunidade, caso a operação policial seja encerrada.

A reportagem esteve no local, na manhã de ontem, e presenciou portas e janelas dos imóveis (inclusive de comércios) trancadas. Pouca movimentação na rua, a não ser de crianças que frequentavam a Escola Municipal Francisco Andrade Teófilo Girão, alguns poucos moradores e policiais distribuídos pelas vielas, em viaturas e a pé. O cenário é de um local abandonado.

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Alguns moradores que tiveram que sair de suas casas, negaram-se a conceder entrevista. Apenas uma moradora, que preferiu não se identificar, entregou à reportagem uma carta de desabafo, com o clima de tensão que tomou o Barroso II.

"O bairro está mais calmo porque tem Polícia. Tenho medo quando a Polícia for embora, volte tudo de novo. É muito triste não poder deixar nossos filhos ser crianças (sic). Não pode jogar bola na rua, pular corda, andar de bicicleta. As crianças têm medo de ir até para a escola".

"A Polícia não pode nos deixar. Tem bastante olheiros no meio dos cidadão (sic)", alertou a mulher, ao fim do escrito.

Volta

Muitos imóveis permanecem desocupados no local. "Não há nenhuma família que volte, nem uma família que ficou e vá sair. Desde que a Polícia veio, conseguiu estabilizar o cenário de insegurança", afirmou o subcomandante da 'Operação Babilônia', tenente Dummar, após visitar a Escola Municipal, em uma das ações idealizadas para combater o crime organizado, que coage crianças e adolescentes.

Segundo o tenente Dummar, a Polícia está atenta à possibilidade de criminosos tentarem invadir as residências abandonadas pelos moradores expulsos. "Fazemos um controle para que elas não sejam ocupadas de forma irregular. Estamos nessa vigilância. Só volta se for morador. Os bandidos não vão voltar".

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