Justiça decreta prisão de acusado do furto ao BC

Adelino Angelim de Sousa Neto, o 'Amarelo', foi condenado por "lavar" parte dos R$ 164 milhões furtados

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Redação producaodiario@svm.com.br
Legenda: Adelino Angelim de Sousa Neto, conhecido como 'Amarelo', foi preso pela Polícia Federal em setembro de 2006. Ele foi solto meses depois e aguardava recurso para revisão da pena em liberdade
Foto: FOTO: TUNO VIEIRA (9/82005)

A Justiça Federal decretou a prisão de um dos envolvidos no furto milionário ao Banco Central, após conceder liberdade provisória ao réu há onze anos. A decisão foi proferida pelo Juízo da 12ª Vara Federal. Adelino Angelim de Sousa Neto, conhecido como 'Amarelo', foi preso em setembro de 2006 pela participação no maior ataque a banco da história do Brasil e condenado. No entanto, 'Amarelo' aguardava os recursos para revisão da pena em liberdade. Após a decisão definitiva, a Justiça ordenou a prisão dele.

Adelino foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) por participação direta ao furto do BC. Natural de Boa Viagem, ele teria ajudado os demais integrantes da quadrilha a "lavar" parte do dinheiro furtado do banco, segundo as investigações da Polícia Federal.

O acusado foi posto em liberdade com outros quatro envolvidos de participação no furto, em novembro de 2006, cerca de três meses depois da prisão.

Em fevereiro de 2011, Adelino informou que estaria morando na cidade de Paranoá, no Distrito Federal, e que não tinha condições financeiras de custear novo advogado, solicitando que a Defensoria Pública assumisse a sua defesa.

Cinco meses depois, foi emitida a decisão pela Justiça fixando a pena restritiva de liberdade a Adelino em 18 anos de reclusão, iniciado no regime fechado. Após novos recursos em tribunais superiores, a Justiça Federal decidiu pela cumprimento da sentença e a remessa dos autos para a Justiça Estadual do Ceará, responsável pela execução penal de réus condenados

Entretanto, conforme consta na decisão da Justiça, "não há notícias de que o sentenciado encontra-se em presídio, seja na cidade de Fortaleza, ou qualquer outra cidade do País", atualmente. A determinação foi concedida "a fim de que seja efetivada a decisão de declínio de competência e seja dado início ao cumprimento da pena privativa de liberdade estabelecida na sentença". Procurado pela reportagem, Marcus Vinicius de Morais, o advogado de defesa do acusado, afirmou que iria verificar a possibilidade de se manifestar. Entretanto, até o fechamento da matéria, não retornou o contato.

Condenações revistas

Recentemente, dois acusados de participar do furto milionário ao Banco Central tiveram as condenações revistas pela Justiça e foram beneficiados pela medida.

Um deles é Antônio Jussivan Alves dos Santos, o 'Alemão', de 48 anos de idade, apontado pela Polícia como mentor do furto de R$ 164 milhões do caixa forte do Banco. O réu havia sido condenado a 80 anos, 10 meses e 20 dias de prisão pelo crime de lavagem de dinheiro, em decisão proferida pelo juiz Danilo Fontenelle, da 11ª Vara da Justiça Federal no Ceará, em agosto de 2015. Porém, a 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF 5), em Recife, determinou o trancamento da ação penal, no início deste ano, o que representa a paralisação do processo e a revogação das condenações relativas ao mesmo.

'Alemão' cumpre pena de 35 anos por furto, formação de quadrilha e uso de documento falso, em uma Penitenciária da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Alegando bom comportamento e cumprimento de 1/6 da pena, a defesa do preso ingressou na Justiça com um pedido de progressão de regime.

O outro acusado do crime milionário que teve a condenação revista é Antônio Artenho da Cruz, o 'Bode'. Condenado a 27 anos e sete meses de prisão, ele teve a pena para 13 anos, em decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), proferida no último dia 20 de junho.

Apesar de ser condenado pelos crimes de formação de quadrilha, furto qualificado e lavagem de dinheiro, 'Bode' nunca foi preso e continua foragido, 12 anos após a ação criminosa que entrou para a história. (Colaborou Fabrício Paiva)