Empresário acusado de planejar explosão para matar ex-companheira no Ceará é preso novamente
O réu teria planejado explodir a empresa onde a ex trabalhava por não aceitar o término do relacionamento de oito anos.
Antônio Marcélio Rocha de Lima, empresário acusado de tentar matar a ex-companheira, Aucileide Franca Alves, com o plano de causar uma explosão na empresa onde a vítima trabalha em Juazeiro do Norte, no Cariri cearense, em fevereiro de 2025, foi preso novamente nessa segunda-feira (30). A Justiça do Ceará decretou a nova prisão preventiva devido a uma série de descumprimentos de medidas cautelares.
O homem estava solto desde 1º de abril do ano passado, mas de acordo com o Ministério Público do Ceará (MPCE), ele cometeu repetidas violações do monitoramento eletrônico entre junho e dezembro de 2025. Marcélio teria se ausentado da comarca, o que era proibido pela Justiça, além de deixar a tornozeleira descarregada totalmente e sem sinal.
Segundo documentos obtidos pela reportagem, a defesa afirmou que as violações aconteceram por "falhas técnicas" ou durante deslocamentos para visitar os pais no município de Pereiro.
Entretanto, a decisão da 1ª Vara Criminal de Juazeiro do Norte não acatou os argumentos, e ressaltou que o réu só procurou a Central de Monitoramento para "regularizar a situação" em 18 de fevereiro deste ano, mais de seis meses após o início das ocorrências.
A juíza Carliete Roque Gonçalves Palacio entendeu que Marcélio demonstrou "intenção de não contribuir com a Justiça" e "descaso com as determinações judiciais", além de oferecer risco à vítima.
Por nota, o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) informou, por meio do 1º Núcleo Regional de Garantias, que o mandado foi cumprido, e que audiência de custódia foi realizada nesta terça-feira (31).
Atualmente, o caso está em fase de instrução criminal, onde são analiadas as provas, perícias e são ouvidas tanto acusação quanto defesa.
O Diário do Nordeste não conseguiu contato com o advogado que representa o réu para comentar a nova prisão. O espaço segue aberto.
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Tentativa de feminicídio com explosão
O homem virou réu por tentativa de feminicídio após a Justiça cearense aceitar a denúncia do MPCE, ofertada no dia 22 de março de 2025, menos de um mês após o crime.
Conforme a acusação, Marcélio teria enviado, por meio de terceiros, cilindros de oxigênio contaminados com óleo diesel para a empresa da ex-companheira, e o contato do combustível com o oxigênio pressurizado causaria uma explosão, pelo índice de inflamabilidade.
Conforme apurado durante as investigações, no dia 26 de fevereiro de 2025 o réu teria mandado funcionários de sua empresa de comercialização de oxigênio pressurizado levarem dez cilindros para envasamento no estabelecimento pertencente à ex-companheira, que também trabalha no mesmo ramo.
Durante uma inspeção de segurança, um funcionário detectou um "líquido viscoso" em um dos cilindros, e evitou a explosão.
O combustível foi achado em uma peça que estava presa dentro válvula. Após a descoberta, a gerente foi acionada e o item foi levado a outra área da fábrica, onde a válvula foi removida e o recipiente foi virado de cabeça para baixo, revelando uma grande quantidade de óleo.
Um Boletim de Ocorrência (B.O.) foi registrado por Aucileide, vítima e dona da empresa, e levou à prisão do homem.
Homem não teria aceitado fim do relacionamento
Segundo o depoimento de testemunhas, Antônio Marcélio planejou a explosão por não aceitar o término do relacionamento do ex-casal, que durou oito anos e foi "conturbado", resultando em medidas protetivas e inquérito de violência doméstica.
Em depoimento, a vítima afirnou que seu ex chegou a falar para trabalhadores da empresa que "do mesmo jeito que ele construiu, ele iria destruir tudo aquilo através de uma explosão".
A defesa de Marcélio sustentou, em resposta à acusação presente em documentos obtidos pelo Diário do Nordeste, que a tentativa de explosão e feminicidio é "baseada em uma narrativa frágil", e composta por "meras suposições".
Segundo os representantes jurídicos do acusado, não há provas de que o seu clinte tenha colocado óleo diesel no cilindro. Ele afirma que os cilindros entregues teriam sido escolhidos "de forma aleatória" da baia da empresa, sem quaisquer orientações de Marcélio.